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Primeiras hipóteses sobre as manifestações Imprimir E-mail
Escrito por Paulo Lima   
Segunda, 24 de Junho de 2013
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Mococa, 19 de junho de 2013

Após sete dias, fica evidente que estamos diante de mais uma peça que nos prega a história.

 

É a revolução democrática e popular que redesperta do seu sono e se reapresenta a si mesma entre perplexa, feliz e, quem sabe, logo mais, eufórica. Ameaça, desta vez, não ficar em seu “estopim” (este termo foi usado por um manifestante). Tem expressado todo o rol de questões democráticas populares: corrupção, serviços públicos, política (pequeno-) burguesa.

 

A violência com que foi tratada nos seis primeiros dias (na segunda estávamos no sexto dia) deu lugar à leniência policial (filma-se tranquilamente a depredação da ALERJ, de bancas de jornal etc.). Foi-se a tropa de choque e permaneceu a Rede Globo. Os berros de indignação dos políticos de todas as agremiações da ordem deram lugar aos atuais plácidos desejos de tarifa reduzida ou mesmo zero. Haddad já diz estarmos diante de uma questão política e não mais técnica (como havia afirmado nos primeiros dias) e chama os representantes do movimento para se reunir com o Conselho da Cidade.

 

Ouve-se com frequência que “esta é a oportunidade”, “esta é a nossa hora”. O futuro da nação está nas ruas, no país e em todo o mundo, todos querem fazer valer a sua voz. Dão-se conta de estarem metidos em coisa grande, muito maior do que jamais supuseram. Estão encantados porque igualam-se às gerações precedentes, sentem-se pagando um tributo, igualando-se, ganhando uma identidade que se lhes havia sido roubada e os humilhava. Nada indica que o borbulhar arrefeça e que este caldo não chegue a ponto de bala.

 

Querem mudar o Brasil, estão evidentemente indignados. O capitalismo da miséria estertora estrebucha, e é possível que logo ceda para tentar evitar que a água corra, para represá-la na questão da tarifa da passagem de ônibus, como já fez o tal Eduardo Campos no Recife. Não dará certo, estamos só no começo da festa.

 

A direita solta os seus cérebros e faz rodar a manivela da contrarrevolução preventiva. Prepara o contra-fluxo para a eventualidade de o movimento ampliar a inundação das ruas.

 

Nos olhos jovens, límpidos, notamos extrema confiança, tranquilidade, a eles conferida pela ingenuidade, por força da idade. A voz não treme, nenhuma ponta de desconfiança. Para eles, no jogo em que estão metidos e por eles começado, as cartas são de vitória.

 

Mococa, 21 de junho de 2013

O povo acordou, o Brasil é nosso


Tal como supúnhamos, o movimento não arrefece, mais ruas, cidades e estratos da classe trabalhadora vão engrossando a inundação. A revogação ou diminuição das tarifas do transporte público, para desespero do status-quo, não teve o dom de extinguir o movimento. Pelos cálculos sempre conservadores da mídia, um milhão e duzentos e cinquenta mil pessoas foram em todo o Brasil, no dia 20. Apesar de o MPL já haver anunciado não mais convocar mais manifestações, seu principal objetivo já havendo sido conquistado.

 

Mantém-se também a veemente exigência de despartidarização do movimento, a exaltação brasileirista, de seu caráter nacional. Do mesmo modo, o repúdio à violência popular e policial.

 

Estável também a tática policial de dispersar manifestantes, coisa praticamente abandonada em São Paulo com bons resultados. Os bandos delinquentes, ao que parece de extração lúmpem, não são prontamente contidos pela polícia, mais interessada em impedir a continuação de todo o movimento.

 

Ao permitir a livre ação dos bandos predadores, cria-se a alternativa de demonizar todo o movimento, muito embora com lágrimas de crocodilo, supostamente encantados com a beleza pacífica das maiorias.

 

O Brasil das ruas, ao se pôr contra o Brasil oficial, mantém a ojeriza contra os partidos da ordem e pode vir a ser pasto do fascismo inflamado de um futuro discurso a ser criado à direita da direita e seus novos líderes. Para combater tal fato, urge propormos a criação, em cada município, de um comitê democrático, no qual todas as forças sociais tomam assento, do candomblé aos comunistas.

 

Essa seria uma nova forma democrática da nova política direta das ruas, a forma do movimento de emancipação dos trabalhadores. Neles, as camadas letradas dos trabalhadores, mais conscientes e politizadas, deverão operar a informação e formação do movimento.

 

Intermitências da história


A revolução democrática e popular sucumbida em 64, prosseguida com vozes e vidas dos jovens até o AI-5, que se supunha poeira de ossos, ressurge com força redobrada, a impor avassaladora dinâmica à história. A rua retoma a pauta das questões democráticas irresolvidas, até então servas do acomodatício conluio de todas as burguesias, sócias desiguais da mundialização. Incinera democraticamente, da esquerda à direita, as carreiras políticas das forças da ordem. Acossa os planos laboriosamente tramados, anula calendários, prioridades, alianças. Caminha rumo ao coração da política do capital, o parlamento federal, aquele onde se aninham as maiorias burguesas assentadas sobre a negação histórica dessas mesmas questões democráticas. Alastra-se feito fogo em campo seco, e pode chegar ao cerrado.

 

Até lá pode o movimento descobrir que suas mais sentidas carências não poderão jamais ser atendidas dentro desta ordem específica do capitalismo da miséria. Então, abrir-se-á diante dele a boca de todos os infernos, aquela de onde saem periódica e inexoravelmente os eternos salvadores da pátria, os mesmos que nos jogaram e mantêm nas malhas da contrarrevolução permanente, da qual ainda não saímos.

 

Paulo Lima é professor da Fatec de Mococa.

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