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Belo Monte e os protestos Imprimir E-mail
Escrito por Rodolfo Salm   
Segunda, 24 de Junho de 2013
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Por algum tempo, desde que vim morar na cidade de Altamira, na beira do rio Xingu, em 2008, eu achei que seria possível impedir a obra de Belo Monte através de mobilização e protestos que se espalhariam pelo Brasil e pelo mundo. Na época, fiquei impressionado com a participação popular em passeatas e todo o tipo de manifestações políticas nessa cidade, então com apenas cerca de 60 mil habitantes. Imaginei que os protestos cresceriam em frequência e dimensão depois das obras começadas, as mentiras do projeto seriam desmascaradas e as ilusões de enriquecimento do povo e melhoria da cidade seriam desfeitas.

 

A desilusão do povo de fato se confirmou, mas minha expectativa quanto à sua conversão em protestos nem de longe correspondeu à verdade. Hoje, praticamente todos trabalham na obra, ou têm alguém próximo que trabalha, enfim, todos dependem de alguma forma do dinheiro que Belo Monte faz girar. Quase ninguém enriqueceu, só quem já tinha dinheiro para investir. O povo da cidade mesmo está mais pobre e vivendo pior, pagando mais caro por comida e aluguel, e agora é dependente de Belo Monte para viver. E os protestos na cidade, ao invés de aumentarem, acabaram quase que completamente.

 

Quando essa situação se definiu, me achei muito ingênuo por ter chegado a acreditar no poder desses supostos protestos de afetar Belo Monte. Mas a imagem do muro de pedras, acrescido de arame farpado ao modo de barricadas de guerra, erguido na frente da entrada do principal canteiro de obras de Belo Monte, mostra que talvez eu não fosse tão ingênuo assim, ao acreditar no poder dos protestos. Afinal, ele foi erguido às pressas nos últimos dias, depois que eclodiram manifestações por todo o país.

 

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Eu soube de citações, aqui e ali, à luta contra Belo Monte entre as inúmeras motivações associadas à revolta dos 20 centavos. Faz todo sentido, porque a lógica desta obra é justamente aquela criticada pelos manifestantes. Belo Monte, com seu histórico absurdo de desrespeitos às leis e irregularidades comandadas pelo próprio governo federal (neste caso, com Dilma à frente desde sempre, seja como ministra das Minas e Energia, da Casa Civil ou na Presidência), é um ótimo exemplo desse descontrole dos poderosos, que passaram do limite por conta de sua ganância e correm o risco de perder a galinha-dos-ovos-de-ouro porque quiseram que ela botasse mais do que dava conta.

 

Se o movimento tiver tempo para amadurecer, os manifestantes perceberão que a luta pelo transporte, pela saúde e a educação envolve necessariamente a preservação do meio ambiente e uma politica energética justa. Afinal, os bilhões de dólares gastos na obra que beneficiará essencialmente os grandes consumidores de energia, trazendo mais desmatamento e miséria para o nosso povo, são drenados de recursos que poderiam ser investido nessas áreas.

 

Sem dúvida, parece ingênuo acreditar que esses protestos possam de alguma forma afetar Belo Monte. Mas, se até o “Belo Monstro”, no meio do mato nos rincões da Amazônia, parece acreditar, dada a montanha de pedras que juntou para se proteger das multidões que protestam nas capitais, por que nós não acreditaríamos?

 

Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da UFPA (Universidade Federal do Pará) em Altamira, e faz parte do Painel de Especialistas para a Avaliação Independente dos Estudos de Impacto Ambiental de Belo Monte.

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Última atualização em Terça, 25 de Junho de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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