Para onde vai o mundo? Para onde queremos ir?

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O canto do Uirapuru

De como Simplício resolveu

entender tudo de economia

para poder mudar o mundo

 

 

Simplício era o cara mais distraído do mundo. Só se deu conta de que estava no meio da grande manifestação política em São Paulo quando uma multidão, na Avenida Paulista, começou a empurrá-lo de um lado para o outro, levantando cartazes contra aumento de ônibus e a corrupção, a favor de investimentos em saúde e educação, contra os investimentos da Copa e outras coisas mais. Simplício achou tudo muito confuso. “Política e economia é uma coisa para poucos”, pensou. “Como poderei entender disso?”.

 

É claro que, partindo do zero, Simplício reconheceu modestamente que deveria procurar alguma ajuda. Ouvira falar que os economistas se dividiam em duas grandes seitas, uma delas chefiada pelos neoliberais ortodoxos, que ensinavam sua doutrina como sendo o décimo primeiro mandamento, e a dos heterodoxos, mais divertidos por não se subordinarem a dogmas. Então procurou na universidade o professor Galileu, conhecido por sua infinita paciência, para que ele o ajudasse a listar algumas entrevistas esclarecedoras.

 

De saída, Simplício tinha um problema: ele queria aprender o máximo de economia antes das eleições para poder fazer uma boa escolha no voto. Isso significava que não haveria tempo para aprender teoria. Tinha que ser um entendimento prático. O professor Galileu, pacientemente, o tranquilizou: “boa parte da teoria econômica, e em especial aquela que se baseia em modelos matemáticos, é puro lixo. Servem apenas para justificar comportamentos ideológicos que mascaram o interesse financeiro dos poderosos. Portanto, vá em frente”.

 

Com a ajuda do professor Galileu, Simplício pôs na agenda vermelha alguns nomes: uma dona de casa, um capitalista produtivo, um banqueiro, um capitalista selvagem, um tecnocrata, uma artista, um trabalhador de fábrica, uma recepcionista de hotel, um especulador, um agricultor, um dono de agronegócio, um construtor; e juntou quatro conceitos: oferta, demanda, política monetária e política fiscal. “Ouvindo essas pessoas, aprendendo os quatro conceitos e fazendo uma interação entre eles, você compreenderá tudo o que é útil na economia. E isso o ajudará na escolha política”, disse Galileu.

 

E foi assim que Simplício começou a percorrer o Brasil em busca dos segredos da economia política mediante entrevistas com os que a fazem, ou que pensam fazê-la, ou que a fazem sem pensar.

 

José Carlos de Assis é economista, engenheiro e professor da Universidade Federal da Paraíba.

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