Renan e a qualidade da política brasileira

 

 

Durante as décadas de 70 e 80, um dos trabalhos básicos das Comunidades Eclesiais de Base era a educação política. No contexto dessa reflexão, um dos temas mais recorrentes era “ética e política”. Gastamos muito cérebro, muito papel, muito tempo na tentativa de construir uma outra qualidade na política brasileira.

 

Naquele momento da história, diante da receptividade de certos partidos e lideranças ao tema, nos parecia que realmente estávamos avançando. Quando hoje vemos “velhos companheiros” perdidos nas velhas práticas da corrupção, a tentação é dizer que novamente fracassamos. Para falar a verdade, em grande parte realmente fracassamos.

 

Por que Renan? Um assessor parlamentar nos dizia que o caso era obscuro, mas que realmente o objeto da destruição não era Renan, mas a empreiteira que o financiava. Portanto, na guerra das empreiteiras disputando o PAC, alguém resolveu combater sua concorrente expondo suas maracutaias. Sobrou para Renan.

 

É provável que haja outros motivos, mas não é possível visualizar nesse fato nenhuma intenção real de melhorar a ética da política brasileira. Em que ele é diferente de tantos outros? Talvez no corte do cabelo. E, por hora, escapou, embora politicamente ferido de morte.

 

A questão fundamental é que se tornou conveniente atacar os corruptos. Os corruptores, aqueles que detêm o poder da grana, que almoçam e jantam a nação brasileira, apenas aguardam o desfecho para ver quem será o próximo subornável. Será facilmente encontrável.

 

 

Roberto Malvezzi, o Gogó, é coordenador da CPT.

 

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