1º de Maio: dia de luta e resistência dos trabalhadores

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Celebrado mundialmente em 1º de maio, o dia dos trabalhadores marca conquistas, lutas e consolidação ao longo da história da humanidade. A data relembra os episódios acontecidos no final do século XIX, nos Estados Unidos, quando trabalhadores foram massacrados ao lutarem pela redução da jornada de trabalho.

 

De lá para cá, muito se caminhou na direção de uma condição de trabalho mais justa e igualitária. No entanto, O Conselho Regional de Serviço Social do Estado de São Paulo (CRESS-SP) entende que esse avanço está longe de atender as necessidades da classe trabalhadora frente à exploração do trabalho e condições de vida.

 

“Há muito o que fazer para nos tornarmos uma sociedade mais justa, sem a exploração do homem pelo homem e exploração do trabalho alheio. O assistente social, no seu dia a dia, se depara com o aumento da violência urbana atingindo a juventude que reside nas grandes periferias. Vemos também a tendência de  criminalização da pobreza, como, por exemplo, a tentativa de implementação de uma lei para redução da maioridade penal.  Vivenciamos não só a violação de direitos,  mas também de sonhos e desejos”, diz Andresa Lopes do CRESS-SP.

 

Cerca de dois terços da população do planeta Terra não possui uma  vida em condições dignas, segundo apontam estudiosos das bases que sustentam a sociedade capitalista mundial, o que aniquila qualquer perspectiva de crescimento e evolução dessa massa, a qual fica alijada dos seus direitos mais fundamentais. “Nós, assistentes sociais, comprometidos com os princípios do nosso Código de Ética, temos por definição a defesa  dos direitos humanos e a luta pela democratização e acesso à riqueza socialmente produzida . A construção de outra ordem societária, sem a exploração do homem pelo homem, é uma condição e tarefa contemporânea para o conjunto da classe que vive do trabalho”, afirma Tiago Barbosa  do CRESS-SP.

 

É necessário construirmos coletivamente unidade de ação junto aos setores combativos da classe trabalhadora, estabelecendo alianças com movimentos da sociedade que comunguem por transformações mais profundas. É primordial garantir a aproximação com os movimentos de luta, refletindo  os fundamentos sócio-históricos da sociedade brasileira, da vida social e da profissão. Estas alianças trazem elementos cruciais na defesa de direitos humanos.

 

A realidade social vem exigindo esforços  para construção de lutas junto aos trabalhadores com autonomia e independência de classe, calcada na análise crítica sobre os rumos que o sindicalismo tomou nas últimas décadas. Torna-se urgente uma avaliação coletiva sobre os impactos da desregulamentação de direitos impulsionados pela globalização e neoliberalismo, que causou metamorfoses no mundo do trabalho.

 

Devemos apoiar iniciativas de luta,  livre organização e independência de classe (sem pactuação ou cooptação) como princípio que deve nortear a luta do conjunto dos trabalhadores, contrapondo perspectivas atreladas à burocracia, que tendem a fragmentar e cooptar a luta social.

 

As políticas sociais que atendam às mais diversas camadas sociais, educação com qualidade, redistribuição de riqueza, moradia, sistema de saúde público e de qualidade, dentre outras, são algumas das premissas que o CRESS-SP defende na busca por uma sociedade que priorize os Direitos Humanos. Porém, tal perspectiva deve somar-se às lutas mais gerais da classe trabalhadora pela transformação radical e construção de outra ordem societária.

 

Dia do Assistente Social

 

Com o tema "Serviço Social na luta contra a exploração do trabalho", o CRESS-SP participa ativamente das comemorações do Dia do Assistente Social, que ocorre no dia 15 de maio.

 

Quando se fala em exploração do trabalho, é comum associar o termo à ausência de direitos trabalhistas e até mesmo ao trabalho análogo à escravidão. Mas na lógica do capital, a exploração da classe trabalhadora se dá na forma perniciosa, por meio de discursos e práticas que alienam e desmobilizam trabalhadores e trabalhadoras em todo o Brasil.

 

Por isso, o tom da temática do 15 de maio ultrapassa a ideia de comemoração ou de visibilidade ao serviço social no período. A data expressa o posicionamento político de uma categoria que há mais de 30 anos vem defendendo: "chega de exploração".

 

A categoria defende também o concurso público para os assistentes sociais, que garante acesso amplo às vagas no serviço público, permite realizar prova de conhecimento igual para quem se candidata, impedindo o clientelismo, possibilitando que os assistentes sociais tenham estabilidade e direitos trabalhistas garantidos, o que fortalece a autonomia profissional e a defesa por melhores condições de trabalho.

 

Fernando Galuppo é jornalista.

 

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