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Escrito por Léo Lince   
Sexta, 03 de Maio de 2013
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Deu no “The New York Times”, o mais prestigioso jornal da potência imperial do norte.  O relato espantoso está na edição internacional em português, encartada na “Folha de São Paulo” do dia 15 de abril de 2013.  Assinada por Mark Mazzetti, a matéria fala de acontecimentos localizados no coração das trevas, fora do alcance do entendimento razoável e muito além dos limites do que se pode aceitar.

 

Os fatos são antigos e de localização longínqua, mas chegam aos quatro cantos do mundo como brutal atualidade. Em junho de 2004, no Waziristão do Sul, região rebelada do Paquistão, Nek Muhammad, líder da tribo pashtun, conversava por telefone via satélite com jornalistas sobre suas façanhas no confronto com as forças do exército paquistanês.  No curso da conversa, segundo está no relato, perguntou a um de seus seguidores sobre o estranho pássaro metálico que pairava acima dele. Ato contínuo, um míssil destruiu o casebre de onde falava, matou Muhammad e várias outras pessoas que estavam ao seu lado, inclusive duas crianças.

 

Os militares paquistaneses, prontamente, assumiram a autoria do ataque, registrado nos anais da “normalidade” dos conflitos que assolam a região. Segundo afirma a matéria em foco, uma mentira deslavada. Na realidade, Muhammad e seus companheiros foram mortos pela CIA, que usava pela primeira vez no Paquistão um “Drone Predator”, o avião teleguiado e portador de licença para matar os “inimigos” condenados sem julgamento pelo aparato repressivo norte-americano.  Foi o ato inaugural, fora das áreas de guerra declarada, do conceito macabro e da prática aterrorizante dos chamados “assassinatos seletivos”.  Que já começou exibindo o seu cortejo de “danos colaterais”.

 

O pobre Muhammad, fato sabido antes do ataque, não estava no rol dos marcados para morrer. Deu azar. Ele incomodava o exército paquistanês no exato período em que o serviço secreto americano precisava de carta branca para executar os que, naquela região, constavam da sua lista letal. A CIA concordou em matá-lo (e quem mais estivesse por perto) em troca do livre acesso ao espaço aéreo.  Foi, portanto, uma barganha sinistra entre serviços secretos: se a CIA matasse Muhammad, a ISI autorizaria voos de “drones” sobre seu território. Uma malha de cumplicidades típica da lógica do terrorismo de Estado.

 

A chamada “guerra preventiva”, os relatórios que dão conta do uso sistemático da tortura nas prisões secretas da CIA, tipo Guantánamo, espalhadas mundo afora, são feições distintas do mesmo absurdo.  Diante do impacto negativo e no debate sobre a eficácia de tais procedimentos, o aparato repressivo do império resolveu “evoluir” de opinião.  Ao invés de capturar, melhor matar. Com a adoção do “assassinato seletivo” como política de Estado, a eficácia da força bruta foi elevada ao seu ponto culminante.

 

O episódio ocorrido no Wasiristão, entre outras coisas, revela a impossibilidade de quantificar o número dos mortos pelos aviõezinhos da CIA. Calcula-se em centenas de ataques e milhares de seres humanos liminarmente condenados e executados como ameaçadores terroristas. Sem contar os mortos (nem sempre) registrados como danos colaterais: as vítimas de barganhas como o infeliz Muhammad, ou qualquer um que tiver o azar de estar nas proximidades dos marcados para morrer.

 

Os aviõezinhos do “assassinato seletivo”, tudo indica, são a nova forma americana de combate. A mais avançada tecnologia está posta a serviço do mais primitivo dos instintos. A máquina militar de poder inigualável opera as agências de inteligência como força paramilitar em manobras típicas do pior tipo de terrorismo, aquele a partir do qual todo o ciclo do terror se retroalimenta: o terrorismo de Estado. Ancorado na força bruta e fora do alcance de qualquer controle imaginado pelo processo civilizatório, o império em decadência se sustenta na barbárie tecnicizada.

 

Léo Lince é sociólogo.

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Última atualização em Sexta, 03 de Maio de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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