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Multinacionais com fortes laços com o Estado são o centro das ‘grandes’ políticas governamentais Imprimir E-mail
Escrito por Raul Zibechi   
Sexta, 03 de Maio de 2013
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Traduzido por Daniela Mouro, da Redação

 

Em certas ocasiões, fatos que não parecem relevantes têm a virtude de mostrar o fundo das coisas, para desnudar o verdadeiro caráter de uma realidade política que até então não aparecia tão claramente. Algo assim aconteceu dias atrás, quando uma reportagem investigativa revelou a relação entre um punhado de construtoras multinacionais brasileiras e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

O fato é que metade das viagens feitas por Lula após deixar o cargo foram pagas pelas construtoras, todas na América Latina e África, onde estas empresas concentram seus maiores interesses. Desde 2011, Lula visitou 30 países, dos quais 20 na África e na América Latina. As construtoras pagaram treze dessas viagens, quase todas nas contas de Odebrecht, OAS e Camargo Correa ("Folha de São Paulo", 22 de março de 2013).

 

A investigação jornalística mostra telegramas das embaixadas do Brasil no exterior em que se afirma que as viagens do ex-presidente ajudaram a defender os interesses do país. Um telegrama enviado pela Embaixada do Brasil em Moçambique, após uma das visitas de Lula, destaca o papel do presidente como um verdadeiro embaixador das multinacionais. "Ao associar seu prestígio às empresas que operam aqui, o ex-presidente Lula desenvolveu, aos olhos dos moçambicanos, seu compromisso com os resultados da atividade empresarial brasileira", escreveu a embaixadora Ligia Scherer.

 

Em agosto de 2011, Lula iniciou uma turnê latino-americana pela Bolívia, onde chegou com sua comitiva em um avião particular da OAS, a empresa que pretendia construir uma estrada para atravessar o TIPNIS (Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure), causando enorme mobilizações das comunidades indígenas, apoiadas pela população urbana. De lá, ele continuou a viajar no mesmo avião, para a Costa Rica, onde tal empresa disputava uma licitação para construir uma estrada, o que ao final conquistou, sob financiamento de 500 milhões de dólares.

 

A atuação de Lula não é ilegal. Pelo contrário, sua atitude está em sintonia com o que costumam fazer os presidentes e ex-presidentes de todo o mundo: trabalhar para favorecer as grandes empresas de seus países. No entanto, não tem nada a ver com uma atitude de esquerda, solidária com os trabalhadores e governos progressistas.

 

As empresas em questão têm uma história muito particular e são, além do mais, grandes multinacionais. Todas elas cresceram sob a ditadura militar, à qual estavam intimamente ligadas. A Odebrecht é um conglomerado de origem familiar que atua principalmente nas indústrias de construção e petroquímica. Controla a Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas. É uma das empresas brasileiras de maior presença internacional, tem 130 mil empregados (apenas em Angola 40.000) e fatura 55 bilhões de dólares. Tem presença em 17 países, principalmente na América Latina e na África, e 52% de suas receitas vêm de fora. Em 2008, foi expulsa do Equador pelo governo de Rafael Correa, por conta das falhas graves na construção da represa San Francisco, que obrigaram o seu fechamento um ano depois de ter sido inaugurada.

 

A Camargo Correa é a construtora mais diversificada, com investimentos em cimento, energia, siderurgia e calçados. Tem 61.000 empregados em onze países. Só na Argentina, possui a Loma Negra, a principal empresa de cimento, que controla 46% do mercado argentino, além da Alpargatas, uma das principais marcas de têxteis do país, com suas marcas Topper, Flecha e Pampero. O grupo OAS, por sua vez, tem obras em 22 países da América Latina e da África, além de 55 mil funcionários.

 

O poder das grandes empresas brasileiras se faz sentir particularmente nos países pequenos da região. Na Bolívia, a Petrobras controla metade dos hidrocarbonetos, é responsável por 20% do PIB boliviano e 24% das receitas fiscais do Estado. A construtora OAS, como vimos, provocou uma crise política e social que veio para desestabilizar o governo de Evo Morales, com quem mantém boas relações.

 

Quase todas as obras de infraestrutura incluídas no projeto de Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA) – mais de 500, ao custo de 100 bilhões de dólares – estão sendo construídas pelas multinacionais brasileiras. O mesmo se aplica a usinas hidrelétricas. O estatal BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) é o principal financiador das obras, mas com a condição de que o país que receba os empréstimos contrate empresas brasileiras.

 

O papel de Lula é promover "suas" empresas, contribuindo para superar as dificuldades, devido ao seu enorme prestígio e ao caixa milionário do BNDES, com mais recursos para investir na região do que a soma do FMI e do Banco Mundial. Nada ilegal, insisto, mas politicamente inconveniente para qualquer um com pretensões de ser considerado de esquerda.

 

Em 15 de março de 2011, os 20 mil operários que trabalhavam na construção da usina de Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia, protagonizaram um dos maiores levantes das últimas décadas, queimaram os escritórios da Camargo Correa (a empreiteira da usina), os dormitórios e mais de 45 ônibus. A chamada “revolta dos peões” não foi por salários, mas pela dignidade, protestando contra as condições de trabalho de semi-escravidão. As mesmas empresas estão agora mesmo engordando mais ainda com as obras para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

 

Tendo em vista as trajetórias de Lula e do Partido dos Trabalhadores, a tentação de falar de "traição" é grande. As coisas são, contudo, mais complexas. No Brasil, de forma mais intensa do que em outros países da região, estamos vendo uma profunda reconfiguração das elites. A chegada de Lula ao governo acelerou a formação de uma aliança, ou melhor, um amálgama dos grandes empresários brasileiros, quadros veteranos do aparelho de Estado (incluindo líderes militares) e um segmento pequeno, mas poderoso, do movimento sindical ligado aos fundos de pensão, que em conjunto com o BNDES fazem parte de um seleto grupo de grandes investidores.

 

Lula é o embaixador das multinacionais brasileiras, a maioria com fortes laços com o Estado, seja porque os governos lhes concedem obras gigantescas ou porque a aliança estatal-sindical tem um peso decisivo nelas. A Vale, a segunda mineradora do mundo, é controlada pelo fundo de pensão do estatal Banco do Brasil, hegemonizado pelo governo e o sindicato bancário. O mesmo se aplica a outras grandes empresas.

 

O que acaba sendo triste é ver como nobres discursos que falam sobre os direitos dos trabalhadores e a integração regional são usados ​​para lubrificar negócios que prejudicam os trabalhadores, destroem a natureza e beneficiam apenas um punhado de grandes empresas, que cresceram à sombra de uma das piores ditaduras militares deste continente.

 

Raul Zibechi, jornalista uruguaio, é docente e pesquisador na Multiversidade Franciscana da América Latina, e assessor de vários grupos.

Tradução: Daniela Mouro, Correio da Cidadania.

 

Publicado originalmente em Gara.

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Última atualização em Qui, 09 de Maio de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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