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Reforma Agrária versus Inflação Imprimir E-mail
Escrito por Julio Cesar de Castro   
Quarta, 24 de Abril de 2013
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(...) Digam-lhe que outro dia, na rua Larga

Vi um menino em coma de fome (coma de fome soa esquisito, parece

Que havendo coma não devia haver fome: mas havia).

 

“Mensagem a Rubem Braga”, de Vinicius de Moraes.

 

 

Infelizmente, este imenso país, contrário ao vento da civilização, não encontrou o rumo para o desenvolvimento pleno e sustentável, porque perdura a política da grande propriedade rural e da especulação no atacado, da selvageria humana, e sob a cultura de senhoria à moda das Capitanias Hereditárias. São as inflexíveis oligarquias de sempre, armadas até os dentes de maus políticos e à cara-feia de juízes ímprobos, impondo poder econômico e afrontando o Estado de Direito. Ou, quando não contentados em ostentar domínio sobre terras improdutivas, invadem áreas de proteção ambiental para a devastação e exploração infrenes. E com aplausos de “comunistas”, feito Aldo Rebelo (hoje, ministro dos Esportes nas tetas da Mãe-gentil)!

 

Nosso país (cabe o pronome possessivo?!) intitulado sexta economia mundial ainda depende da exportação de produtos primários – embora notável capacidade tecnológica – para o equilíbrio da balança comercial; apesar da ineficiência logística e precária infraestrutura. Apesar de não ter extirpado a praga da corrupção e o escravismo à brasileira. Daí, devido a legislações mais rigorosas em países ditos de Primeiro Mundo, muitas empresas criminosas, produtoras de agrotóxicos, migram e acumulam lucros, envenenando um mundo de terras, cujos governantes subservientes evacuam sobre a Ética. O estrume da animália política, e de matizes partidárias diversas, que também degrada o solo. No Brasil, “bonito por natureza”, à grande vista do mercado internacional como “a bola da vez”, mais desditoso desde o nefasto (des)governo Lula, por ironia do destino de João Pedro Stédile, a Reforma Agrária tem sido tratada à mera Bolsa Família. Programa que visa tão somente amordaçar e ridicularizar os sem-terra, para o repasto de ministros (ex e atual) da Agricultura, apadrinhados pela Casa Grande.

 

Se a canalha política amaldiçoa o útero da própria terra natal, o que dirá ela a legislar em prol da sociedade? E, sobretudo, na redefinição do percentual de produtividade das fazendas e implantação da Reforma Agrária? Qualquer desatento cidadão nota que a inflação pesa é no bolso do pobre consumidor. Que os termos “cesta básica” e “xepa” têm a ver com povo. As elites não se atordoam em insônia com custo de vida, com escalada do processo inflacionário. Mesmo porque não deixarão de desperdiçar, em seus lixos domésticos, os cerca de 40% do todo que adquirem nos supermercados de shopping centers. Se, porventura, inquietam com inflação, ditam ao Banco Central aumentar a taxa de juros para “conter” o consumo das massas, e a classe A assegurar alimentos de primeira necessidade em suas mesas fartas. A imensa população de baixa renda, fervorosa e esperançosa, é que nunca perde o simplismo, implora à misericórdia divina não sofrer tanto a aridez da carestia.

 

Contudo, se a Reforma Agrária saiu do cuspido discurso da extinta esquerda brasileira, anda démodé nas análises de críticos midiáticos, cabe à consciência da ala lutadora do que restou do Movimento dos Sem Terra e dos formadores de opinião independentes trazer à flor do debate nacional as consequências de possível retorno àqueles insuportáveis tempos de inflação, de remarcação hora a hora dos preços, com desvalorização do poder de compra dos salários e engorda do capital especulativo. E, com a redução do consumo, mais desemprego!

 

Para as calendas! Quando deixaremos o berço esplêndido da comodidade, se a classe oprimida carece de lideranças autênticas, livres do oportunismo cooptante? Se o possível salve-se quem puder, produzido pela crescente inflação, não abala o bem-estar da corja que comanda partidos políticos e organizações pelegas? Se há muito nem a Igreja reza mais o Salmo de Salvação da Reforma Agrária, neste rebanho de maior população católica? Ora, se o Petróleo da Petrobrás S/A não é nosso, se a extração do minério em carie do solo (oficial e sorrateiramente consentida) só serve à exportação, se boa parte das nossas áreas cultiváveis está em posse de transnacionais da monocultura... Que sentimento verde-amarelo sustenta o orgulho dos que não têm aonde cair mortos? Quem viu o Velho Chico em rios de dinheiro público na bandalheira das empreiteiras?

 

Sem intenção de excessiva tinta impressa do texto (“Por tudo que o céu revela!/ Por tudo que a terra dá”...), poderíamos afirmar que a Reforma Agrária, obtida de sérios estudos de produção sustentável, segundo potencialidade pontual da terra em cada região do país, resolveria mais da metade de nossas mazelas. A miséria – reduzindo e transferindo recursos públicos de atuais programas sociais para áreas prioritárias da educação e da saúde –, a violência urbana por superpopulação e o congestionamento de processos judiciais. Pela ordem do dia, Reforma Agrária é que enterra o dragão da inflação e enxota o vulto da fome. Nem que, para tanto, tenha que se encurralar o infame Renan Calheiros, maldizer por cãibras na língua predatória de Lula, obrigar o Stédile a pegar em enxada para que seja útil a si e ao MST, mandar o tucano Aécio Neves grasnar nos ouvidos do Pimentel. Enfim, reaver o INCRA das mãos do Estado plutocrático para o controle social, sem os vícios de ONGs sanguessugas.

 

Para insensatos, Reforma Agrária é só como antiga sonata de queda d’água. Todavia, diz-se que gutta cavat lapidem (a gota cava a pedra). E talvez seja este o momento mais propício para desengaiolar o projeto de Reforma Agrária, enfrentar a resistência da propriedade improdutiva ou escravagista, avançar na luta por socialização do bem comum e pela produção familiar no campo. Crer no ditame da Carta Magna quanto ao uso social da terra. Afinal, crescimento econômico resulta em crescimento populacional e, consequentemente, mais boca para se alimentar, mais investimento público. Se, aqui, com menos de 200 milhões de habitantes, vê-se injustiça, barbárie e desmando, imagine o estimado leitor quando o país chegar a 2050, inclusive abraçando milhões de imigrantes vítimas da crise econômica europeia, ainda discutindo a Reforma Agrária?

 

***

 

ESTAMOS DE OLHO: Dia 15 de maio próximo, no Tribunal de Justiça de MG, em Belo Horizonte, ocorrerá o julgamento de Adriano Chafick, fazendeiro influente e réu confesso, protagonista do famigerado “Massacre de Felisburgo”. E registre-se a expressão do então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, quando de audiência a lideranças do MST no Palácio da Alvorada: “Companheiros, questão de honra, podem contar vitória, pois aquela fazenda ocupada (objeto da chacina) será considerada assentamento do INCRA”. Promessa também não cumprida, conforme previa a bancada de ruralistas no Congresso Nacional.

 

Julio Cesar de Castro presta assessoria técnica em Construção Civil.

E-mail: jota.castro(0)yahoo.com.br">jota.castro(0)yahoo.com.br

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Última atualização em Qui, 25 de Abril de 2013
 

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