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Pressões conjunturais e estruturais sobre os preços dos alimentos Imprimir E-mail
Escrito por Guilherme C. Delgado   
Sexta, 12 de Abril de 2013
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O debate econômico sobre causas prováveis da pressão inflacionária conjuntural e das políticas necessárias à sua erradicação contamina-se por duas teses simplistas: de um lado, a explicação do choque conjuntural de oferta, banalizado na mídia televisiva pela “explosão” dos preços do tomate; de outra, a tese muito cara ao setor financeiro e seus áulicos, de que é preciso cortar a demanda interna com elevação de juros e/ou redução da despesa pública que alimenta a massa das remunerações do trabalho (salários e benefícios sociais monetários), sob pena da propagação das pressões inflacionárias.

 

Se olharmos a trajetória recente de uma década – 2003/2013 –, veremos que, em três conjunturas bem delineadas, houve pressão forte dos preços agrícolas, que em última instância promoveram tensões no nível geral de preços, provenientes de diferentes situações:

 

1) na conjuntura de 2003/2004, quando uma mini-crise cambial, pós-eleição do presidente Lula, provocou forte desvalorização cambial (o dólar chegou a 4 reais e a inflação do IPCA em 2003 atingiu 14,7%);

 

2) em 2008, com a inflação do IPCA em 5,7% puxada por pressões de preços agrícolas substancialmente mais altos;

 

3) em 2013, quando a inflação dos últimos 12 meses ficaria provavelmente acima do limite da meta inflacionária de 6,5%, enquanto os produtos alimentares da cesta básica (trigo, carnes, cereais e grãos, açúcar e derivados) crescem no mercado interno praticamente o dobro dessa meta.

 

Observe-se que há um fator comum às três conjunturas citadas, em geral desconsiderados nos diagnósticos ortodoxos do controle da inflação pela via da elevação dos juros e do corte de ‘despesas’ públicas - teses prevalecentes em 2003/2004 e 2008. O país realizava e ainda realiza uma política de ajuste externo fortemente apoiada na exportação de “commodities” agrícolas e minerais. Entre 2003 e 2008, ainda se navegava nas vias oficiais na crença do equilíbrio externo por esse caminho. Atualmente, depois de cinco anos sucessivos de déficit na Conta Corrente (2008 a 2012), com o ano de 2013 aparecendo ainda mais complicado, com déficit previsto em torno de 4% do PIB, crescem as pressões por elevar as exportações primárias ‘a qualquer custo’.

 

Diante do modelo de ajuste externo pelo setor primário que vimos perseguindo nesta primeira década do século XXI, diga-se de passagem, sem evidência de sucesso, há tensões inflacionárias intermitentes, aparentemente oriundas do setor agrícola. Essas pressões na verdade decorrem da dependência estrutural do sistema econômico de encontrar equilíbrio externo pela via das exportações primárias, em especial de alimentos relevantes na cesta básica.

 

Isto ocorre quando os preços externos das “commodities” se elevam ou mesmo quando ocorre crise cambial (conjunturas de 2003 e 2007); ou ainda mesmo quando os preços externos declinam (2013); mas não os preços internos, puxados pela pressão física por exportar e pela demanda oriunda da massa salarial interna de uma economia que se programa para crescer.

 

Em síntese, e visitando o pensamento clássico de Celso Furtado, tão combatido e pouco lido pela ortodoxia econômica, as tensões inflacionárias de tipo estrutural, como as que ora se recolocam na economia brasileira, precisam ser equacionadas. Políticas monetárias e fiscais ortodoxas afetam suas aparências porque podem até cortar conjunturalmente pressões inflacionárias à custa de desemprego, recessão, desoneração etc., mas não resolvem a questão, porque não atacam as raízes da dependência externa e da desigualdade distributiva interna, causas mais profundas do problema em discussão.

 

Diante de um diagnóstico estrutural da inflação, um pragmático puro desdenhará por não oferecer respostas imediatas. O acadêmico heterodoxo desdenhará do primeiro em face da inutilidade do pragmatismo, desprovido de explicação conceitual adequada à classe de fenômenos em consideração. Mas não estará chegando a hora de debatermos com seriedade, sem desdém, ideologizações pragmáticas e banalidades, o fenômeno inflacionário real?

Leia também:

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Guilherme Costa Delgado é doutor em economia pela UNICAMP e consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz.

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Última atualização em Quarta, 17 de Abril de 2013
 

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