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“As propostas das FARC em Havana cabem dentro do capitalismo” Imprimir E-mail
Escrito por Matheus Lobo Pismel e Rodrigo Chagas, de Bogotá para o Correio da Cidadania   
Segunda, 25 de Março de 2013
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Um cenário latino-americano que se voltou para a esquerda, a necessidade de garantir segurança para os investimentos transnacionais na agricultura e no extrativismo, um Estado atolado nas contas de uma guerra que não consegue vencer e o avanço das mobilizações de setores populares que lutam por terra e pela paz com justiça social. Esses são os quatro fatores que, para o cientista político Francisco Tolosa, professor da Universidade Nacional da Colômbia, levaram o governo de Juan Manuel Santos a buscar, pela quarta vez na história do país, uma solução negociada para o conflito interno armado que dura mais de 50 anos.


Por motivos distintos, tanto uma parte da oligarquia quanto os movimentos populares precisam do fim da guerra. Em meio às incertezas dos diálogos de paz de Havana, a violência de Estado na Colômbia segue reprimindo os movimentos populares – que resistem e se articulam na busca por outro modelo de país.


Tolosa defende que essa discussão deve começar pela reformulação do modelo agrário colombiano, que deu origem e continua alimentando o conflito armado. “Se não se toca nesse assunto, dificilmente o processo vai avançar. E só se vai tocar no assunto se houver pressão popular e pressão internacional em torno dessas propostas”.


Tolosa é membro da comissão internacional da Marcha Patriótica – movimento político e social que reúne mais de 1700 organizações colombianas de diversos setores – e, nesta entrevista exclusiva ao Correio da Cidadania, oferece uma ampla visão sobre a complexa realidade da Colômbia.

 

Correio da Cidadania: O que levou o presidente Juan Manuel Santos e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) a seguirem o caminho do diálogo?

 

Francisco Tolosa: Eu tenho uma hipótese de que existem quatro variáveis, quatro grandes forças que levam o governo de Santos, isto é, o Estado colombiano, a tomar a decisão de início dos diálogos, anos depois de implementar uma estratégia de buscar derrotar militarmente a guerrilha.

 

Uma primeira grande força tem a ver com uma mudança do contexto internacional. Quando começou a "última guerra", como chamamos a guerra interna iniciada em 2002, depois da ruptura dos diálogos de Caguán (como ficaram conhecidos os diálogos de paz entre o governo de Andrés Pastrana e a insurgência, entre 1999 e 2002), o contexto era outro. Os Estados Unidos estavam no auge do seu poder, com bonança econômica em todo o mundo capitalista, com a União Europeia pujante, com um solitário governo de esquerda na América Latina, a Venezuela do presidente Chávez recém-saída de uma tentativa de golpe de Estado – além da tradição cubana, que vivia o chamado "período especial". Nem sequer havia propostas alternativas de reforma em outros países do continente, submetidos a um poder inquestionável dos norte-americanos, que começaram a financiar com 1,6 bilhão de dólares o Plano Colômbia (criado em 2000 pelo governo dos Estados Unidos com objetivo oficial de combater a produção e o tráfico de drogas e que serviu de financiamento para a guerra anti-insurgente).

 

Hoje, deve-se reconhecer que houve uma mudança, que o contexto na América Latina virou para a esquerda, ou que, pelo menos, a direita retrocedeu. Temos um império encalhado em guerras neocoloniais no Oriente Médio, no Iraque, no Afeganistão; uma União Europeia em crise econômica e política; não há uma recuperação real do sistema capitalista desde a crise de 2008. Há um conjunto de elementos que debilitam a continuidade da guerra na Colômbia. É bom lembrar que existe também um processo de desfinanciamento do Plano Colômbia, que já não é prioridade no governo Obama.

 

Segunda grande força: com essa mudança do capitalismo na América Latina, paradoxalmente, as cidades na Colômbia deixaram de ser fundamentais dentro dos investimentos transnacionais (ninguém está negando que a Bolsa de Bogotá tem um alto nível de segurança e rentabilidade). A mudança se dá no investimento transnacional na América Latina em geral. No caso da Colômbia, está focada no setor primário, que inclui o setor agroalimentar, a extração de ouro, de hidrocarbonetos e de carvão – recursos minerais próximos do esgotamento. A aposta é construir na Colômbia uma réplica da "República da soja", como a que se estende desde o Brasil até o pampa argentino, mas com a grande vantagem de poder exportar a soja diretamente pelo Pacífico. Por isso, há muito interesse do capital brasileiro nesse investimento.

 

A Colômbia precisa garantir esse investimento – que não está em Cali, em Medelín ou em Bogotá, onde está aquartelado o exército colombiano. Ao contrário, está em zonas extremamente expostas ao conflito interno armado. Pensemos, por exemplo, nos quilômetros e quilômetros de oleodutos; nos milhares de hectares necessários para gerar rentabilidade no cultivo de soja ou de milho. Chegamos à conclusão de que esses investimentos são presas fáceis de serem afetadas pelo conflito. Hoje, o estado de Arauca, por exemplo, tem 20 mil soldados do exército protegendo os oleodutos. Ao capital chinês foi oferecido o investimento no cultivo de soja na Colômbia, e qual foi a posição oficial do governo chinês? “Se não há segurança jurídica e não há segurança física para o investimento, não vamos investir”. Hoje, esses investimentos não são seguros, a menos que cesse o conflito armado. Aí existe uma pressão forte. Uma pressão que obriga Santos a dialogar com a insurgência.

 

Há uma terceira causa. Em dez anos de guerra, não conseguiram derrotar a insurgência. E a insurgência também não pode tomar o poder. Isso é evidente, não? A guerra colombiana é uma guerra irregular, e isso a distingue de qualquer guerra convencional. Não é uma guerra neocolonial como a do Iraque, tampouco. É uma guerra civil, nacional, mas irregular, onde as variantes tradicionais da guerra – como territórios ocupados, número de baixas, de batalhas, ainda que expressem algo – são indiferentes.

 

Correio da Cidadania: Existe uma real percepção sobre a complexidade do conflito bélico e as dificuldades administrativas que provoca para o país?

 

Francisco Tolosa: Nós, analistas, navegamos às cegas pelo conflito armado interno. Um exemplo. Aqui existem estudos famosos que se dedicam a classificar se as FARC estão fortes ou fragilizadas de acordo com o número de combates. Mas o que de fato acontece é que, se a insurgência ou os paramilitares controlam zonas, aí não haverá combates. Se você registra o número de combates, o resultado será uma frente da guerrilha inativa, quando na verdade, nessa frente, as FARC (ou os paramilitares) não combatem porque têm controlada a zona e o apoio da população.

 

Esta guerra tampouco é somente um conflito bélico, senão um conflito social armado. Não importam somente os mortos e os tiros, mas o recorte social e político. O governo colombiano apostou em uma estratégia de guerra que consistia nos denominados "objetivos de alto valor estratégico" – combater as FARC matando os seus líderes. Hoje, há um paradoxo político em que o governo e os norte-americanos tiveram grandes vitórias táticas, mas, ao que parece, uma derrota estratégica. Ou seja, ganharam as batalhas, mas não venceram a guerra. Atingiram o contingente militar das FARC, mas isso não se refletiu na desmobilização ou na divisão do movimento, senão que se mantém uma grande atividade político-militar das FARC e também do ELN (Exército de Libertação Nacional).

 

Isso implica em uma série de dificuldades militares. Entre outras, destaca-se a dificuldade do exército colombiano com seu passivo pensional – os custos com saúde e de pensão do exército que são gigantescos e tendem ao infinito. Ou seja, pensemos em um exército tão grande como o do Brasil: 450 mil homens. Mas com uma população quatro vezes menor, um território dez vezes menor e, diria eu, um orçamento público dez vezes menor. Mas, diferente do exército brasileiro, no qual o ciclo de aposentadoria é normal, aqui um jovem pode ingressar no exército colombiano aos 18 anos e prestar seu serviço por um ano e, neste ano, cair em uma mina e perder uma perna. Então, teremos um pensionado de 19 anos que vai receber pensão por 60 anos talvez.

 

E também todo o gancho para vincular os jovens à guerra passa por outro problema: as condições de trabalho especiais. Dignas, diria eu, mas excepcionalíssimas dentro do mercado de trabalho colombiano. O soldado dispõe de plano de saúde para toda a família, situação oposta à do colombiano normal. Existem casas na Colômbia onde há 15 filhos e o único que trabalha é o soldado profissional, que mantém a todos. É comum também que o soldado atenda a mais de um núcleo familiar. Nota-se porque grande parte do desespero financeiro dos neoliberais é com a contabilidade da guerra.

 

Ainda há uma quarta causalidade, que se pode acrescentar às três anteriormente citadas. Pensamos que também houve melhoras nas condições sociais e políticas, na medida em que se fortalecem os movimentos pela paz e os movimentos sociais agrários, que pressionam de uma forma ou de outra o governo para que opte por uma solução política, para a qual são indispensáveis os diálogos de Havana.

 

Correio da Cidadania: Considerando as novas formas de lutas e conquistas sociais na América Latina, como na Venezuela e Bolívia, você acredita que a guerrilha está readaptando suas estratégias?

 

Francisco Tolosa: Existe uma relação dialética entre continuidade e mudança na insurgência colombiana. Continuidade: são condições históricas, a luta histórica do movimento insurgente é a reforma agrária. Mas com elementos novos, como, por exemplo, uma postura profundamente aberta de reconhecimento desses governos alternativos.

 

Eu acredito que a insurgência colombiana não é uma insurgência ortodoxa em termos ideológicos, como foi, se me perdoam a comparação, o Sendero Luminoso, no Peru. São opções políticas profundamente radicais dentro do contexto latino-americano, mas que não desqualificam as outras experiências de ascensão ao poder entre os povos.

 

Creio que há elementos de renovação política expressados no discurso de Iván Márquez (líder do grupo de negociadores das FARC), na abertura destes diálogos. Esse discurso expressa muito bem como a guerrilha consegue articular a sua proposta histórica aos elementos e debates substanciais da esquerda no mundo: o tema ambiental, o tema da financeirização do capital, o pensamento latino-americano e bolivariano e o tema das liberdades sexuais.

 

Aqui, a cada dez anos a burguesia se cansa de fazer guerra e há um processo de paz. E, depois, se cansa de negociar a paz e então volta a fazer guerra. É como os ciclos de Macondo (cidade fictícia do romance Cem anos de solidão, do colombiano Gabriel García-Márquez). Esperemos que desta vez não seja assim, pois o que está na mesa de Havana não é, como dizem alguns, o programa revolucionário da guerrilha. O que está em discussão são reivindicações básicas para garantias democráticas, ou seja, um governo de reconciliação nacional.

 

Correio da Cidadania: Apesar de as eleições para a presidência serem só no ano que vem, já se desenha um possível confronto entre um candidato lançado por Álvaro Uribe contra o presidente Santos. Como você avalia a estratégia dos uribistas frente aos diálogos de paz? Existe uma tentativa de desestabilizar o processo?

 

Francisco Tolosa: Em primeiro lugar, pode sair um terceiro candidato. O oficialismo fica sempre nisso: Uribe e Santos. Pode aparecer um terceiro dentro do oficialismo, mas também fora dele.

 

Por outro lado, se me permitem fazer jogos especulativos, aqui nos encontramos frente a uma aparente contradição: tanto a Santos como a Uribe interessa que o processo de paz siga.

 

Porque, se o processo de paz se rompe, o que tem Santos para mostrar em quatro anos de governo? Ele diz à burguesia: "Olha, eu sou igual ao Uribe, mas diferente". E que tudo siga igual na manutenção das famílias tradicionais das quais Santos faz parte. A única coisa que mudou efetivamente foi o processo de paz, e há que se mostrar algum tipo de êxito. Ao mesmo tempo, se acaba o processo de paz, e Santos volta ao modo de guerra dos seus tempos de Ministro da Defesa, o que vai acontecer com o discurso virulento e furioso de Uribe contra o processo de paz? Ou de qualquer mequetrefe que ele lance, que deve ser o primo de Santos?

 

Vejam do que estamos falando aqui na Colômbia. A opção é entre dois primos da mesma família, primos de mãe e pai, ambos são Santos Calderón. O candidato contra Juan Manuel Santos Calderón será Francisco Santos Calderón, o primo-irmão do presidente e antigo vice-presidente de Uribe. Essa é a amplitude da democracia mais antiga da América.

 

E, então, que terá "Pacho" Santos, como o conhecemos carinhosamente, para propor de diferente em relação a seu primo? Nem os sobrenomes! Porque o presidente já terá passado ao modo de guerra.

 

Se Uribe propõe a guerra, Santos tem de se diferenciar eleitoralmente dele. Uribe também precisa ser diferente de Santos. Então, paradoxalmente, por razões distintas, há um entendimento comum de que sigam os diálogos.

 

Agora vem a questão: o que pensa o governo para continuar o processo de paz? É aí que está o gargalo. Santos não pode romper os diálogos porque seria dar razão a Uribe, mas não pode seguir porque, para que siga o processo de paz, deve haver pelo menos reformas em algum dos pontos.

 

O que não pode é manter um diálogo artificial em Havana. E lá, assim como há temas quentes e complexos, como o tema da constituinte, por exemplo, há temas que não são pedido exclusivo das FARC, ou seja, são senso comum. É o caso do tema do uso da terra extensiva na pecuária. Isso até a ONU está pedindo: "presidente Santos, por favor, o que se passa no campo colombiano é uma barbaridade!".

 

Como se entende que nem sequer esse ponto – que não é o socialismo, que não tem nada a ver com a revolução, que representa apenas a mínima possibilidade de que os camponeses tenham acesso a um pedacinho de terra – seja levado adiante? Até parte do empresariado agrícola está de acordo. Santos briga com Uribe, mas são parte da mesma família – não consegue se desprender dos pecuaristas. Eles temem que, se tocarem em um centímetro de terra dos pecuaristas, esses partam, mais uma vez, para a violência. Isto é, estamos diante de um Estado que não é capaz de controlar suas forças e assim é muito difícil de avançar em um processo de paz.

 

Correio da Cidadania: No entanto, Santos sustenta o discurso de que as coisas estão caminhando, ainda que a passos lentos em Havana. Você acredita que exista uma vontade real de paz por parte do governo?

 

Francisco Tolosa: Há tensões, possibilidades, mas tudo depende das correlações de forças sociais e políticas. Eu estou certo de que a insurgência das FARC não tem na sua agenda imediata uma desmobilização. A maior mentira que difunde a opinião pública, que é a matriz midiática do governo – grandes meios de comunicação, dos quais um é propriedade do presidente –, é que o êxito no processo de paz seria as guerrilhas entregarem as armas. E se é esse o objetivo, creio que o processo de paz não vai avançar como eles querem.

 

Nós, por exemplo, como Marcha Patriótica, impulsionamos a marcha de 9 de abril (que pretende reunir 200 mil pessoas nas ruas de Bogotá), com a ideia de pressionar para que o movimento social e popular entre na mesa de diálogos. Também de pressionar por pontos básicos como a devolução de terras aos camponeses vítimas do paramilitarismo. Não é correto o que diz Humberto de La Calle, o negociador do governo, de que o que se propõe é uma reforma agrária radical com coletivização da terra a sangue e fogo – propõe-se uma redistribuição parcial de terras. Mas sejamos realistas: um proprietário que tem 40 milhões de hectares e 20 milhões de vacas vai ter de entregar algo, porque isso é improdutivo inclusive no capitalismo. Se não se toca nesse assunto, dificilmente o processo vai avançar. E só se vai tocar no assunto se houver pressão popular e pressão internacional em torno dessas propostas.

 

Correio da Cidadania: Além da participação da sociedade em geral, que não está na mesa, como fica o tema das outras guerrilhas, como o ELN?

 

Francisco Tolosa: Isso é parte da discussão. Oficialmente, na Marcha Patriótica, pensamos que a mesa deva ser a uma mesa única de diálogos e insistimos que todas as forças sociais ativas no conflito devem ser vinculadas. E se não única, pelo menos que o ELN seja integrado à mesa de diálogos. É nossa proposta. Mas o governo não demonstra vontade. Ao que parece, o governo quer negociar com as FARC e depois passar ao ELN como se tudo já estivesse resolvido. Olha com desdém o ELN.

 

Correio da Cidadania: Qual o papel de Cuba nos diálogos? Qual o interesse do governo cubano em apoiar esse processo?

 

Francisco Tolosa: Pode-se dizer que a diplomacia latino-americana retirou Cuba da lista negra de agenciadores das guerrilhas no mundo. Cuba é uma ponte entre as partes. Em minha opinião, é quem outorga garantias a cada uma das partes. E há uma aposta clara do Estado cubano por fazer avançar o acordo de paz na Colômbia.

 

Além disso, a guerrilha colombiana alcançou sua autonomia frente aos cubanos e, no geral, sua autonomia internacional. As guerrilhas podem deixar de existir em qualquer parte do mundo, mas vão continuar existindo na Colômbia, porque são muito típicas da nossa realidade atual.

 

Correio da Cidadania: Historicamente, as FARC lutam por reforma agrária integral. No diálogo atual, os pontos são menos “radicais”. Mesmo assim, como se conciliariam essas propostas mínimas das FARC para o setor campesino com o modelo de desenvolvimento extrativista e monocultor do governo Santos?

 

Francisco Tolosa: Depende da disposição do governo. Eu acredito que a proposta para o campo que as FARC fizeram em Havana é uma proposta que cabe dentro do capitalismo. Agora, imagino que a proposta deles e do movimento campesino não vai se resumir a isso. Será um pacto para mudar a frequência dos debates, o lugar onde vão acontecer as lutas. E vamos testar a disposição do governo.

 

Há tensões. As tensões entre Santos e Uribe têm a ver com isso, com a posse da terra e com a disposição em ceder em certos assuntos que estão relacionados com a contradição que há na Colômbia, relações intrínsecas, mas também distantes, entre o latifúndio e a banca. Entre o latifúndio tradicional do século XIX, que é Uribe, e o campo ao estilo brasileiro, ao estilo argentino, articulado à banca mundial, à especulação de alimentos, que é representado por Santos.

 

Correio da Cidadania: AS FARC são comumente minimizadas como narco-guerrilhas. Como você enxerga a relação entre a guerrilha e o narcotráfico?

 

Francisco Tolosa: Eu diria que na Colômbia reina uma narco-economia, o narcotráfico como pedra angular. Agora, qual é a relação das FARC com o tráfico de drogas? Já explicaram publicamente. Nas zonas de presença das FARC estão campesinos que cultivam folha de coca, como estão campesinos que cultivam arroz, café ou banana. E não falam de café-guerrilha, nem de uma banana-guerrilha, mas sim de narco-guerrilha, porque, em termos midiáticos, soa melhor para desprestigiar o movimento insurgente.

 

As FARC cobram um imposto às atividades econômicas em suas zonas, cultive o camponês coca, banana ou mandioca, e nem todos têm que pagar. Isso é o que oficialmente se conhece. Mais além começam as especulações – que não foram comprovadas.

 

A guerrilha fez duas propostas muito claras desde a época de Caguán, que agora ratifica em Havana. Primeira: legalização do consumo da droga na Colômbia e com perspectiva de legalização internacional, com a ideia de baixar os lucros extraordinários que também atraem os camponeses. Segunda: comprometem-se a substituir os cultivos de coca em suas zonas com base em uma nova política agrícola. É bom ressaltar que a coca não é um cultivo ancestral na Colômbia, como o é no Peru ou na Bolívia, a não ser em uma pequena região do Cauca, onde a tradição inca é sentida de alguma forma.

 

Tecnicamente, a coca colombiana é de baixa qualidade, porque não é cultivada nos Andes, mas na selva. Agora, o que faz um campesino colombiano abandonar estas lindas terras das savanas de Bogotá, com bom clima, para ir plantar coca na selva amazônica? Qual é a razão? Não haver terras nas savanas de Bogotá – estão controladas pela máfia dos floricultores, por exemplo. Ou pelo fato de as únicas terras tipo 1, equivalentes ao pampa argentino em termos agrícolas, estarem sob domínio de Carlos Castaño ou de Antonio Mancuso – zonas de controle paramilitar.

 

Sem repartição de terras, sem circuito de comercialização de alimentos e sem política de segurança alimentar, não se pode erradicar a coca na Colômbia. O que propõe o governo? Gostaríamos de saber.

 

Agora, quando as FARC propõem a legalização das drogas, o procurador sai dizendo que são narcotraficantes. Quando propõem a mesma coisa Vicente Fox (ex-presidente do México) e Cesar Gaviria (ex-presidente colombiano), não dizem o mesmo. Eu diria que não existe uma relação comprovada entre cartéis e guerrilha. O que existe é uma relação fluida entre campesinato cocaleiro e FARC. O que se comprovou, sim, foi uma relação muitíssimo fluida entre DEA (Administração de Combate às Drogas, dos EUA), Polícia Nacional e grandes cartéis da droga.

 

Correio da Cidadania: E os interesses desses grandes cartéis nos diálogos? Como se posicionam?

 

Francisco Tolosa: São assuntos um pouco difíceis. Fica mais no terreno da informalidade. Mas tenho a hipótese de que a política antidrogas da DEA e da Polícia Nacional seja orientada para dividir os cartéis da droga. Na década de 1980 havia dois grandes cartéis: Medelín e Cali – com um time de futebol cada, e com força concentrada em figuras de muito poder, como Pablo Escobar e os irmãos Rodriguez. Hoje, passamos a ter cem “carteizinhos”. É mais fácil negociar ou combater com cem pequenos do que com um muito grande. Os grandes cartéis eram atores políticos. Aqui, quando Pablo Escobar falava, o país opinava. Hoje, Fritanga ou Cutillo, ou qualquer grande líder – que cai a cada dois meses –, não têm projeção política, pois são micro-empresários do narcotráfico tentando sobreviver. “Divide e reinarás”. Parece uma política muito efetiva do DEA e da Polícia colombiana – a mesma replicada no México, por exemplo.

 

Correio da Cidadania: Como você avalia a publicidade dos diálogos? Mais transparência ajudaria na mobilização social e na velocidade dos acordos?

 

Francisco Tolosa: Se você pergunta a um colombiano na rua, ele tem mais claro a intriga do Vaticano que os debates dos diálogos de paz. Aparecem nos jornais quando os temas transcendem, como é o caso da questão agrária, ou também quando um comandante aparece numa moto. Se acreditássemos em conspiração, diríamos que os meios querem que as FARC se comportem mal, porque, quando há guerra, as FARC aparecem na TV, mas, quando apresentam propostas de paz, propostas políticas, não aparecem. As dificuldades para que o povo comum possa se inteirar do que acontece são enormes. Não existem espaços institucionais de difusão do que acontece nos diálogos.

 

Correio da Cidadania: Para as FARC, seria mais interessante que as pessoas conhecessem suas propostas?

 

Francisco Tolosa: As FARC propõem oficialmente. Sugerem que sejam conhecidas ambas as propostas. Querem que haja participação direta da sociedade civil e que exista publicidade para ambas as propostas em igualdade de condições.

 

Correio da Cidadania: Ainda em relação à participação civil, as Constituintes pela Paz com Justiça Social, impulsionadas pela Marcha Patriótica, podem ser, além de espaços para acúmulo político, um processo que realmente influencie os diálogos de Havana?

 

Francisco Tolosa: É nossa meta. Não só os diálogos de Havana, mas também os diálogos que não foram anunciados com o ELN e as transformações que infelizmente não estão incluídas nos diálogos.

 

Correio da Cidadania: A marcha pela paz convocada para 9 de abril pela Marcha Patriótica conta com o apoio do prefeito de Bogotá, Gustavo Petro, do Movimento Progressistas. Como está se configurando um possível cenário de unidade de esquerda?

 

Francisco Tolosa: Aqui havia um ditado famoso que dizia que “a esquerda unida jamais será esquerda”. Mas nossa geração tem a meta de superar esse entrave histórico na Colômbia, que não é maior nem menor do que é no Brasil ou na Argentina. Em resumo, pensamos como Marcha Patriótica que a solução política ao conflito é um ponto de unidade fundamental.

 

Isso é a democratização do país, que faz parte da solução política. O ponto de unidade passa por aqui. Não entendemos por que algum setor de esquerda possa rechaçar essa possibilidade. Esperamos nos encontrar todos no dia 9 de abril e que a marcha seja um primeiro passo em direção à unidade geral da esquerda em 2014 (ano eleitoral), ou em cenários futuros, com grandes apostas políticas.

 

Correio da Cidadania: O presidente Santos também anunciou que vai apoiar a marcha de 9 de abril.

 

Francisco Tolosa: Pensamos que o governo teme uma manifestação pública a favor de uma paz que não é assexuada, mas que tem uma marca clara: paz com justiça social, com participação dos movimentos sociais em Havana e com cessar fogo bilateral. Esses são eixos que definimos como Marcha Patriótica e que, por exemplo, o Movimento Progressista apoia.

 

E agora o governo se vincula... Você sabe que Santos é o melhor jogador de pôquer do país... Aprendeu na sua época de estudante de Economia em Harvard e aplicava as grandes equações da Teoria dos Jogos ao pôquer. Agora nos coloca uma carta envenenada que é a seguinte: se a Marcha Patriótica o recebe, a marcha se descafeína, perde sua essência, porque poderia se tornar uma marcha pelo amor ou pela felicidade, e aí todos estaríamos de acordo. Querem tirar o sobrenome que o movimento popular, que é quem realmente vai marchar, coloca à paz: paz com justiça social.

 

Mas, ao mesmo tempo, o que Santos diria? “Aí está o sectarismo da esquerda colombiana, que fecha as portas para a paz que este humilde filho do patriciado de Santa Fé está oferecendo”. Ele vai dizer: “Se vocês nos rejeitam, não é uma proposta de paz, é uma proposta da guerrilha”. Essa é a jogada de Santos e te digo que nos coloca em condições difíceis.

 

Correio da Cidadania: E ele não entra em uma contradição muito clara impedindo a participação popular nos diálogos de Havana e apoiando essa manifestação?

 

Francisco Tolosa: Claro, existe uma contradição de fundo. Mas o que ele sustenta é que a sociedade colombiana está representada pelo Estado colombiano. Nós dissemos que sim e que não, porque existe uma parte da sociedade que não é representada. Os militares, os empresários e os partidos tradicionais têm porta-vozes diretos entre os quatro negociadores em Cuba, mas lá não está nenhum sindicalista e nenhum campesino.

 

Santos vai dizer: “Vocês podem participar, mas pelas vias institucionais”. Então, em uma cena de teatro do absurdo, o governo cria um site para que o campesino colombiano que não tem acesso à eletricidade opine sobre o tema na internet, mas impede uma senadora da República, Ana Maria Robledo, de ir a Havana com um grupo de mulheres para falar com as FARC. É uma grande contradição.

 

Esperemos o desenrolar dos fatos. Até porque a burguesia tem contradições fortes e os uribistas já começaram a latir alto e dizer que Santos entregou o país às FARC, “porque vai marchar com o braço político da guerrilha e com Piedad Córdoba (ex-senadora do Partido Liberal e porta-voz da Marcha Patriótica), que é o demônio vermelho encarnado em uma negra de turbante”.

 

Correio da Cidadania: Outro ponto muito sensível nos diálogos são as garantias para a participação política dos possíveis ex-guerrilheiros. Ou seja, qual é a perspectiva para que se garanta a oposição política na democracia colombiana, tendo em conta o caso da União Patriótica (plataforma eleitoral das FARC nos anos 80; mais de seis mil militantes foram assassinados)?

 

Francisco Tolosa: Se não existem garantias nem para nós, que não temos nem um cortador de unha, que não somos e nem fomos guerrilheiros, imagine para as FARC. Iván Márquez, chefe negociador da guerrilha nos diálogos, foi deputado nacional pela União Patriótica e já passou por isso. Se não tivesse fugido para a montanha, estaria morto.

 

Voltamos à questão das palavras. O que é garantia política para o governo? A proposta é esquálida: que os guerrilheiros tenham uma cota para que tenham um ou dois representantes na Câmara ou no Senado.

 

Eu penso que o tema das garantias é mais complexo. Passa, inevitavelmente, por uma reforma das Forças Armadas. Não se pode ter um exército com crimes de lesa-humanidade e vinculado à Escola das Américas (mantida pelos EUA, formou mais de 60.000 militares estrangeiros desde 1946). Muito menos pode existir uma política anti-insurgente para custodiar uma democracia em que o movimento insurgente pretende participar.

 

Em segundo lugar, as estruturas paramilitares têm que ser desmontadas efetivamente, e isso requer verificação internacional. Terceiro: uma reforma do sistema eleitoral que garanta que as pequenas regiões possam ter peso político no Parlamento e que acabe com o voto de cabresto. Hoje as urnas ficam nos centros municipais e não chegam aos pequenos povoados.

 

E deveria haver, para que existam garantias democráticas, uma reforma dos meios de comunicação. Não se pode criar uma cultura para a democracia quando os inimigos da democracia – que favoreceram sistematicamente os massacres políticos – seguem tendo o monopólio e o oligopólio dos meios de comunicação.

 

Pelo menos esses quatro aspectos devem ser considerados para garantir a democracia. E depois os guerrilheiros que vejam com o governo se requerem uma situação eleitoral à parte ou não.

 

Correio da Cidadania: Neste sentido, quanto à possível volta das FARC à vida institucional, surgem especulações na opinião pública de que a Marcha Patriótica pode ser a nova plataforma política das FARC. O que você pensa sobre isso?

 

Francisco Tolosa: A primeira questão é que onde vai participar as FARC decidem as FARC. A pergunta deve ser feita a eles. O segundo ponto é que a Marcha Patriótica define os eixos políticos, uma plataforma. Se eles estão de acordo... Nós partimos da ideia de querer unir o povo colombiano. Se o ELN, as FARC e o Partido Verde apoiam os pontos de nossa plataforma, que sejam bem vindos para construir uma alternativa de governo. Mas essa é uma opinião pessoal. Em algum momento teremos de discutir como Marcha Patriótica.

 

Correio da Cidadania: Nos países latino-americanos, as consequências da crise do capital são bastante visíveis, mas, na Colômbia, ainda mais, devido ao sistema de mercado aberto. Hoje, vários setores da economia estão em greve, como os cafeicultores e caminhoneiros. Como fazer para que as lutas – que às vezes estão isoladas – se convertam em unidade articulada por reformas estruturais?

 

Francisco Tolosa: Temos que criar bases entre os cafeicultores, estudantes, levar a proposta da Marcha a eles da mesma forma que levamos aos grandes políticos e intelectuais. “Esta é a nossa plataforma. Estão de acordo? Vinculem-se”. É uma forma de ir articulando e, para isso, temos uma secretaria especial de movimentos sociais, que é onde começamos a coordenar uma política de unidade. Ano passado fizemos um primeiro movimento que foi a greve nacional de 12 de outubro. Participamos como Marcha em um espaço de unidade que se chama Coordenação de Movimentos Sociais e Políticos, onde estão outras organizações como o Congreso de los Pueblos, por exemplo. Esta é a aposta agora. Pensamos que a unidade tem mais a ver com política, depois com termos organizativos. Não vamos criar aparatos para nos unir. Vamos criar consciência e claridade política.

 

Correio da Cidadania: Gostaríamos que você falasse, como membro da Comissão Internacional da Marcha Patriótica, sobre o cenário da América Latina e, em especial, sobre as relações com o Brasil, com os movimentos e partidos políticos de esquerda. Como está esse cenário para a construção da Marcha?

 

Francisco Tolosa: Temos alguns princípios – práticos e políticos – de trabalho internacional. Os princípios políticos se podem imaginar: internacionalismo, caráter democrático de nossos amigos. Outro muito importante é a dupla autonomia. Nenhum partido pode condicionar a Marcha. “Eu te apoio se vocês forem às eleições”. Não. Se você quer se solidarizar com o povo colombiano, é pela solidariedade. Mas, se vamos ou não às eleições, é a Marcha Patriótica que decide. E vice-versa. Nós, de Bogotá, não pretendemos dirigir a política latino-americana. Somos profundamente respeitosos, e essa não é uma posição sincrética nem ambígua. É uma posição de respeito à autodeterminação dos povos. Mas, claro, há limites. Não vamos nos reunir com a Ação Democrática na Venezuela e nem com os tucanos no Brasil.

 

Além disso, temos relações tanto em nível de movimentos sociais como políticos. Na primeira esfera, os sindicatos são vinculados à Federação Sindical Mundial e, por aí, temos uma grande empatia e proximidade com a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). O movimento estudantil, com a OCLAE (Organização Continental Latino-americana e Caribenha de Estudantes). E no movimento camponês, através da Via Campesina, da árvore dos movimentos sociais do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

 

Mas não paramos aí, porque, como somos também movimento político, participamos do Foro de São Paulo e temos relações bilaterais com diferentes organizações políticas da América Latina. No Brasil, especificamente, com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e com o Partido Comunista do Brasil (PC do B). Também acabamos nos aproximando de outras expressões que têm algum tipo de relacionamento com eles. Agora começamos a ter contato oficial com o PT (Partido dos Trabalhadores).

 

Também temos a tarefa internacional de organizar os colombianos que vivem no exterior. Dizemos que existe uma diáspora colombiana. Diáspora pela guerra, mas também pela economia e educação. Temos milhares de exilados na Europa. Na Venezuela são pelo menos três milhões. Também temos exilados que foram estudar na Argentina, no Brasil, no México e em Cuba.

 

Temos nossos capítulos (de solidariedade com a Colômbia). No Brasil, temos presença em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. Agora, com o Fórum pela Paz da Colômbia em Porto Alegre, em maio, vão chegar companheiros da CUT (Central Única dos Trabalhadores), do PT, além de outras expressões e de muitos coletivos de base. Acho que vão confluir em nossa proposta de apoio à paz da Colômbia.

 

Nisso também existem níveis diferentes. Queremos a solidariedade com o movimento social colombiano, com a Marcha Patriótica, mas antes de tudo queremos que exista vontade dos governos latino-americanos e das entidades internacionais de apoiar o processo de diálogos e a garantia democrática. Um exemplo: com certeza, com o governo chileno, temos pouco que falar como partido irmão, mas, sim, pensamos que o governo chileno, ou o governo argentino, ou a Unasur (União de Nações Sul-americanas), como entidade, têm muito que fazer em termos de garantias mínimas democráticas na Colômbia e apoio ao processo de paz. Aí aparece um terceiro nível de trabalho internacional: relações diplomáticas de Estado, pelas garantias democráticas para a Marcha Patriótica e a oposição na Colômbia, e apoio ao processo de paz.

 

Francisco Tolosa é cientista político e mestre em estudos políticos. É professor da Universidade Nacional da Colômbia há dez anos. Atua em movimentos sociais há quase vinte anos e hoje está na direção da Comissão Internacional do movimento político e social Marcha Patriótica.

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Última atualização em Terça, 09 de Abril de 2013
 

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