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Carnaval e juventude Imprimir E-mail
Escrito por D. Demétrio Valentini   
Qui, 07 de Fevereiro de 2013
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O carnaval comparece cedo neste ano. Ele depende da data da páscoa. Como desta vez ela acontece ainda em março, é preciso ir recuando o calendário, para que entre o carnaval e a páscoa caiba o tempo da quaresma.

 

Assim se comprova, de novo, que o carnaval nasceu como um evento secundário, colocado em referência a outro, mais importante. No caso, o carnaval se desenhou no contexto da expectativa da quaresma, que se constitui num tempo prolongado, bem programado, com metas bem estabelecidas, e com uma cadência bem orquestrada, de apelos positivos para a vivência de valores evangélicos.

 

Era para começar bem a quaresma que o carnaval servia de marco divisório, apontando para a quaresma, com seu começo na quarta-feira de cinzas.

 

Mas o que continua tendo um valor secundário assumiu uma importância muito grande. A ponto de se tornar, para muita gente, o evento maior do ano.

 

Assim, o que era acidental, passou a central. O que era simples aperitivo se tornou o prato principal. E com frequência acontece que se exagera no aperitivo e se perde o banquete!

 

Como evento importante, é preciso reconhecer que foi agregando valores, e ao mesmo tempo suscitando riscos.

 

É inegável o valor cultural e simbólico que o carnaval assume, nas suas diversas manifestações, sobretudo em algumas regiões diferenciadas do Brasil. Mérito especialmente das escolas de samba, mas também de uma política equilibrada de promoção do carnaval, especialmente em alguns estados com mais tradição.

 

Porém, também é inegável que muitas práticas carnavalescas descambam para a irresponsabilidade moral, expondo as pessoas a graves riscos, não só de envolvimento em atitudes de devassidão, mas em frequentes perigos de vida, como consequência dos exageros, que se procuram justificar invocando para o carnaval uma permissividade ilusória, que abre caminho para atitudes equivocadas, com sérias consequências de toda ordem.

 

Se a este contexto somamos os abusos na bebida, a irresponsabilidade no trânsito, o consumo de drogas, completa-se o quadro de ambiguidades e excessos, que expõe as pessoas a sérios riscos, dos quais elas na hora não se dão conta, tornando ainda mais perigosos os ambientes resultantes destas ambiguidades do carnaval.

 

Quem mais está exposta a tais exageros é a juventude. Por sua sede de experiências fortes e liberdade total, facilmente os jovens se tornam vítimas dos seus próprios exageros.

 

Neste ano, passado o carnaval, a juventude estará no centro de nossas atenções, pela Campanha da Fraternidade. Foi muito oportuna esta opção da CNBB, de fazer da juventude o tema central deste ano. E, de novo, o confronto do carnaval com a quaresma se torna símbolo da situação da juventude.

 

Para o carnaval os jovens vão, sem precisar de convite. Para refletir sobre suas vidas, no contexto da Campanha da Fraternidade, temos de encontrar maneiras de nos aproximar dos jovens e convidá-los a participar.

 

Neste ano, o carnaval acontece sob o impacto da tragédia de Santa Maria, e com a disposição do policiamento de coibir rigorosamente os motoristas de dirigirem alcoolizados.

 

Que estes dois fatores sirvam de alerta a todos. Para que, passado o carnaval, possamos viver com intensidade o tempo da quaresma. Que ela seja bem vinda!

 

 

D. Demetrio Valentini é bispo da diocese de Jales-SP.

 

 

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