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Pense, reflita e diga não à energia nuclear Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Scalambrini Costa   
Quarta, 06 de Fevereiro de 2013
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As decisões tomadas pelos governos da França, Alemanha, Japão, Bélgica, Itália, entre outros, de reverem seus programas de instalação de novas usinas nucleares, e desativarem as existentes, são mais do que um indicativo de que esta fonte de energia perdeu espaço considerável no século XXI. Por trás (e à frente) das decisões governamentais, está a pressão popular. A conscientização sobre os reais riscos desta tecnologia tem levado milhares de pessoas a se manifestarem publicamente contrárias ao uso da energia nuclear. Dificilmente por vontade de novos governos haverá mudanças na política não nuclear destes países. Nem mesmo no Japão, onde o atual primeiro-ministro tem insinuado que não só reativará as 50 usinas fechadas pós-Fukushima como construirá novas centrais núcleo-elétricas. A razão da oposição popular é simples: as populações não querem conviver com o perigo constante de uma catástrofe nuclear.

 

A China, utilizada como exemplo na rota pró-nuclear, não deve ser imitada. Suas situações política, social e ambiental não servem como exemplo. O país, o mais populoso do mundo (com mais de 1,3 bilhão de habitantes), tolhe a liberdade de expressão e impede pela força a participação popular. Por outro lado, os Estados Unidos da América, citados como exemplo de modelo nuclear, vivem um grande dilema com relação a sua economia, ao seu modo de vida e às suas posições nos fóruns internacionais referentes às mudanças climáticas. As contradições são enormes, em um país que já foi a locomotiva do mundo ocidental capitalista. Hoje, ao mesmo tempo, propõe a produção e a utilização do gás do xisto betuminoso (verdadeiro crime ambiental) e acena para o fortalecimento de políticas na área de energias renováveis.

 

O Brasil é que deveria servir de exemplo e modelo para outros países na área energética. Com recursos naturais abundantes como o Sol, o vento, as águas, a biomassa, deveríamos estar à frente e propor novos caminhos para a sociedade mundial na utilização destes recursos, de maneira eficiente, sem desperdício, sem impacto ambiental e agressão social, levando em conta para quê e para quem os recursos energéticos são destinados. Complementando a rede elétrica nacional com geração de energia descentralizada, substituindo os chuveiros elétricos, a iluminação e motores ineficientes por novas tecnologias disponíveis. Enfim, priorizando o uso das novas fontes renováveis e políticas de conservação.

 

Mas, infelizmente, estamos andando para trás no que concerne à matriz elétrica. Cada vez mais se instalam termelétricas a combustíveis fósseis, menosprezando os recursos naturais disponíveis. O planejamento tecnocrático indica o aumento das termelétricas nos próximos anos, desenhando para o futuro uma matriz hidrotérmica. Verdadeiro crime lesa-pátria que está sendo cometido com as gerações futuras, e com o planeta, ao desprezar as novas fontes renováveis.

 

Ademais, o que chama a atenção são as posições dos eternos lobistas da energia nuclear, uns mais belicistas que outros. Aquele mesmo ex-ministro de Ciência e Tecnologia, que defendeu e defende que o país se insira no “clube da bomba”, volta nestes tempos de crise elétrica a propor que a energia nuclear seja “tratada com mais carinho” pelo governo federal. Empregados ilustres da Eletronuclear utilizam velhos argumentos, os mesmos que respaldaram a assinatura do acordo Brasil-Alemanha em plena ditadura militar. Defendem que o Brasil necessita da energia nuclear para atender as necessidades elétricas de agora e futura, daí não poder abrir mão nem de suas reservas de urânio (para os negócios) e nem da construção de novos reatores nucleares. Propõem não só Angra III em construção, como mais quatro outras usinas até 2030, sendo dois destes complexos nucleares no Nordeste brasileiro, ao lado do Rio São Francisco. Verdadeiro descalabro ao povo sertanejo.

 

No próximo mês, no dia 11 de março, lembraremos os dois anos da catástrofe de Fukushima. Não se pode esquecer a gravidade e as repercussões para a vida promovidas por tal acidente, que vêm sendo abafadas pelas agências de notícia. A população brasileira não se deixará enganar, e mais uma vez continuará afirmando: “não queremos energia nuclear, nem em Pernambuco, nem no Nordeste e nem no Brasil”.

 

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Heitor Scalambrini Costa é professor da Universidade Federal de Pernambuco.

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Última atualização em Qui, 07 de Fevereiro de 2013
 

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