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Um ano de ebulição, apesar da velha baderna Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito, da Redação   
Sexta, 21 de Dezembro de 2012
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O ano de 2012 chega ao final e, mais uma vez, o balanço a ser feito não destoa muito das temporadas anteriores. Tanto na prática quanto na gestão, o país se manteve fiel às velhas tradições e longe de qualquer evolução, ao mesmo tempo em que sente o sabor da ascensão econômica.

 

A torcida brasileira sentiu um leve sopro de mudanças quando da renúncia de Ricardo Teixeira da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), anunciada em março através de carta lida por José Maria Marin, um de seus vices e histórico agente da ditadura.

 

Seguida do burburinho de articulações de grupos regionais de cartolas, a fim de tomar a frente de uma renovação da CBF, vimos tal movimento rapidamente refluir, permitindo a Marin repetir uma de suas façanhas dos anos de chumbo e chegar ao cargo de mandatário de forma indireta – ou biônica.

 

A octogenária raposa tomou uma ou outra medida política no sentido de contentar presidentes de clubes e federações, obviamente sem qualquer sentido estrutural. Ao mesmo tempo, começou a arquitetar a escalada de Marco Polo del Nero, presidente da Federação Paulista atualmente sob investigação da Polícia Federal, rumo ao topo de dirigente máximo do futebol nacional, um verdadeiro descalabro, dada sua inépcia na matéria.

 

O governo federal, apesar de demonstrar nenhum apreço pelos personagens em questão, nada faz no sentido de promover uma moralização da próxima sede da Copa do Mundo, preocupando-se apenas em inaugurar as novas praças esportivas, erguidas a preços indecentes, e capitalizar em torno disso.

 

Ademais, Dilma Rousseff sancionou em junho a Lei Geral da Copa, que regulamenta diversas questões de direitos comerciais em torno do mundial de futebol, atendendo todas as exigências da FIFA no sentido de blindar seus parceiros e riscar do mapa qualquer concorrência, inclusive com normas de exceção fiscais e penais.

 

Tal como esperávamos...

 

Dessa forma, como já falado, o governo (ou a sociedade) que financiará a grande farra trazida por Ricardo Teixeira e Lula se coloca de joelhos ante uma federação mundialmente desmoralizada pelos diversos escândalos de corrupção que promoveu, e não garante a preservação de nenhum interesse público, inclusive comercial, em torno do tão esperado e festejado evento.

 

Chega-se a um ponto em que, por exemplo, a venda de acarajé se encontra sob risco na Bahia durante certo período de 2014, para que assim o McDonalds tenha uma enorme reserva de mercado e venda mais à vontade seus “alimentos”.

 

Outros atos de hipocrisia chamam a atenção também, como a “luta” pela meia-entrada a estudantes, idosos e indígenas ou a liberação momentânea da cerveja. Quanto às obras estruturais, o PAC da Copa promete turbiná-las, mas já está claro que várias delas não estarão prontas na época do mundial, ficando uma grande incógnita a respeito de serem mesmo concretizadas – e nelas residiria o tal legado, lembremos.

 

Já as remoções, especialmente em torno dos novos estádios, seguirão ocorrendo, e possivelmente veremos até a privatização das ‘arenas’. É o caso do Maracanã, cuja reforma de 1 bilhão de reais é bancada com o nosso dinheiro, o que não impediu o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, de anunciar sua intenção de abrir licitação para concessão do estádio. Como se não bastasse, clubes de futebol estariam proibidos de concorrer, o que escancara que, acima de tudo, estamos diante de mais um projeto capitalista de acumulação, desta vez incluindo antigos patrimônios públicos esportivos.

 

E pra completar, foi até anunciado um mirabolante plano de demolição de todo o complexo esportivo que ronda o estádio, a escola Arthur Friedenreich e o Museu do Índio, em nome de um enorme estacionamento. Assim, é de se perguntar que tipo de potência esportiva se pretende ser. Ao menos a sociedade carioca se pôs de manifesto contra tamanha falcatrua e agora aguardamos o desenrolar da contenda.

 

Em outros locais, o escárnio não é menor. No último dia 14, toda a mídia nacional anunciou o recurso impetrado no STF pelo prefeito reeleito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, a fim de desviar 30% do orçamento da educação para 2013 e garantir que nada saia errado com os projetos relativos à Copa na cidade.

 

Já em Natal, cujo estádio é o mais atrasado de todos, o ano letivo foi precocemente encerrado por conta da falta de verbas para a merenda escolar, entre outros gastos com as escolas, o que dispensa qualquer comentário a respeito de gestão da coisa pública em nosso país.

 

Completando os exemplos de humilhação imposta aos cidadãos do país inteiro, a inauguração do novo Castelão, em Fortaleza, com show e discurso ufanista de Dilma, não esconde outro fato noticiado, o da prostituição, inclusive infantil, logo nas cercanias do estádio. Dissimuladas, as autoridades locais disseram-se preocupadas com a questão quando desembarcarem os turistas em grande número. Nota-se.

 

Nas outras sedes, o ritmo não é muito diferente e, na verdade, praticamente todos os projetos de mobilidade urbana estão largados ou estagnados. Claramente, a preocupação dos políticos, municipais, estaduais e federais, é garantir estádios suntuosos e uma melhoria nos aeroportos, para que o “caos aéreo” não seja uma das marcas do mundial. O pacotaço da alegria (privada, claro) nos aeroportos, a ser lançado em breve, vem a calhar nesse sentido.

 

Sobre o ópio

 

Dentro das quatro linhas, pode-se dizer que o futebol nacional vive um grande boom econômico, que se reflete em folhas salariais mais elevadas e uma capacidade maior de reter jovens talentos cobiçados pelo estrangeiro. São reflexos iniciais de uma nova fase, com grandes contratos firmados com a Rede Globo e um despertar geral para o mundo do marketing, o que fez as receitas dos clubes crescerem exponencialmente nos últimos dois, três anos.

 

No entanto, claro que nos mesmos moldes de nossa sociedade, com os de cima acumulando em excesso e os de baixo quase passando o pires. Assim, muitos analistas e torcedores já começam a vislumbrar um futuro de grande desequilíbrio técnico entre os clubes, criando uma superelite de meia dúzia a monopolizar taças, audiência e fãs.

 

De toda forma, o futebol brasileiro começa a abandonar sua centenária era de amadorismo e passa a entrar de sola no “futebol-negócio”, com departamentos e profissionais de marketing cada vez mais sofisticados e contundentes.

 

Apontado como “primeiro da turma” nessa nova fase, o Corinthians foi o time do ano, de forma incontestável, conquistando pela primeira vez a Libertadores da América e encerrando o ano “redimindo” o futebol sul-americano, ao bater os ingleses do Chelsea por 1-0 na final do Mundial de Clubes, que há seis anos não saía de braços europeus.

 

Mérito esportivo à parte, não houve quem não relacionasse a façanha com a entrada triunfal do alvinegro da zona leste de São Paulo nesses novos tempos, inclusive e inegavelmente como “queridinho” da mídia, que não se cansa de cobrir e propagar incessantemente tudo que gira em torno do clube. Isso pra não falar da articulação de seu anterior mandatário com ninguém menos que Lula, na consecução do Itaquerão, a futura casa do clube e sede da abertura da Copa do Mundo. Claro que os “índices de rejeição” do Timão, pelos rivais, estão nas alturas.

 

Falando em Andrés Sanchez, o citado ex-presidente, trata-se de outro personagem recém-surgido no futebol nacional, que, após o sucesso em seu clube, foi galgado por Ricardo Teixeira a diretor de seleções na CBF. Porém, como dito acima, a “nova” CBF tinha outros planos, e Sanchez sofreu lento processo de fritura, por conta de sua identidade com Tricky Ricky.

 

Sempre desconfiado de Mano Menezes no cargo de técnico da seleção, Marin apenas esperou a brecha para demiti-lo, dada após a derrota para o México na final olímpica – título que segue faltando no currículo canarinho. Em novembro, a dupla Marin-Del Nero finalmente fez seu primeiro grande movimento político e, numa decisão francamente populista, resgatou os desacreditados, porém campeões do mundo, Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira para os postos de técnico e diretor de seleções, respectivamente.

 

Assim, o futuro da seleção, com vistas à Copa que sediará, fica mais nebuloso do que nunca, pois, bem ou mal, Mano esboçava encontrar um time definitivo. Agora, ainda não sabemos dos planos e opiniões de Felipão. A Copa das Confederações, também em solo brasileiro, no meio do ano que vem, terá caráter de prova de fogo.

 

Internamente, não saímos da mediocridade. Lamentavelmente, nossos campeonatos estaduais continuam ocupando absurdos quatro meses de calendário, quase com exclusividade, o que será especialmente grave em 2013.

 

Seguimos a manter um calendário completamente desconectado da realidade internacional e sequer fomos capazes de até agora evitar que jogos da seleção brasileira desfalquem os clubes que cedem jogadores - uma vez que, ao contrário do resto do mundo, nossos torneios não param quando a seleção joga.

 

Claro que Marin não apresentou qualquer plano de mudança dessa patética realidade. E fica mais claro ainda que, dessa maneira, não conseguimos realizar o melhor Campeonato Brasileiro possível, sempre desfalcando os times de seus destaques e encavalando as rodadas iniciais com fases derradeiras de outros importantes torneios, o que faz os times deixarem de lado os jogos da principal competição do país.

 

Apesar da alegria corintiana, 2012 foi mais do mesmo no futebol brasileiro. Dirigentes espúrios e medíocres em disputas de poder, governo leniente com incontáveis desmandos e preocupado com o uso político da Copa (de modo que o deputado Romário deveria economizar esforços e “desencanar” de – outra – CPI da CBF) e nenhum sinal de recuperação de nosso saudoso “melhor futebol do mundo”.

 

Leia também:


Brasil precisa de políticas sociais de amplitude para sair da mediocridade esportiva

 

Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Sexta, 21 de Dezembro de 2012
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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