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Síria: Obama repetirá Bush? Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Terça, 11 de Dezembro de 2012
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Em agosto, Barack Obama avisou que os EUA não permitiriam que o presidente Assad usasse armas químicas ou bacteriológicas contra seu povo ou que elas caíssem nas mãos de “pessoas erradas”.

 

Isso ultrapassaria uma linha vermelha, obrigando os EUA a intervir. Em outubro, Hillary Clinton declarou: “nossa preocupação é que um crescentemente desesperado regime Assad pudesse voltar-se para armas químicas ou perdesse o controle sobre elas para um dos muitos grupos que estão operando na Síria”.

 

Há indícios de que as coisas estariam a caminho de evoluir no sentido temido pelos estadunidenses.

 

Segundo a NBC, informantes anônimos, citando fontes da inteligência dos EUA, afirmam que o governo Assad já carregava bombas aéreas com agentes químicos: “os militares carregaram as bombas com sarin, um gás nervoso, as quais poderiam ser jogadas no povo por dezenas de caças-bombardeiros”.

 

É verdade que, logo em seguida, oficiais dos EUA asseguraram que não havia evidências de que esse processo tivesse se iniciado.

 

Assad apressou-se a desmentir tudo, reiterando que não era suicida para fazer uma loucura dessas.

 

Seja como for, a marinha dos EUA enviou à região o porta-aviões Eisenhower, transportando oito esquadrões de caças-bombardeiros e 8.000 militares, para reforçar a esquadra que já está nas costas sírias com 2.500 fuzileiros navais.

 

Assim, se resolver invadir a Síria, os EUA contam na região com 10.000 soldados, 17 vasos de guerra, 70 caças-bombardeiros e 10 destroiers e fragatas. Alguns dos navios estão equipados com interceptores de mísseis Aegis, capazes de derrubar quaisquer mísseis que os sírios lancem.

 

“Temos forças de operações especiais nas posições certas”, um oficial anônimo contou ao jornal The Australian, deixando claro que já há tropas desse grupo de elite localizadas perto da Síria e prontas para entrar em ação.

 

Aparentemente, tal hora está próxima, pois Assad estaria perto de ser derrotado. Uma série de fatos aponta nessa direção.

 

Fontes da América do Sul revelaram que emissários do ditador percorreram vários países da região, negociando condições para o ditador obter asilo.

 

A Rússia retirou todos os seus 11 navios de guerra fundeados na base de Tartus no Mediterrâneo e parou de enviar armamentos para o exército de Assad, passando a apoiá-lo apenas na esfera política.

 

Os rebeldes conseguiram consideráveis ganhos territoriais e já estão cercando Damasco.

 

A OTAN instalou sistemas antimísseis na fronteira com a Turquia, declaradamente para proteger esse país contra ataques sírios, mas cuja ação se estende à área ocupada pelas tropas rebeldes da região.

 

Embora as notícias da aviação de Assad se preparando para bombardear com bombas químicas sejam possivelmente um pretexto para uma intervenção, a difícil situação militar do governo é um fato e suas consequências são mesmo preocupantes.

 

É de se crer que a perspectiva do bombardeio de civis não é o principal fator que justificaria a ação dos EUA.

 

Assad não usaria armas químicas. Como ele mesmo disse, não é suicida, se as usasse, seria considerado um criminoso de guerra. Teria o mundo inteiro contra ele e uma sentença de morte certa, caso fosse capturado pelos rebeldes, ou de prisão perpétua, se julgado pelo Tribunal Criminal Internacional de Haia.

 

De outro lado, embora o poder de destruição das armas químicas seja terrível, a verdade é que seria estranho Obama preocupar-se com isso, depois de permanecer praticamente indiferente diante da morte de 40 mil pessoas, que é o saldo atual da guerra civil.

 

Pode-se pensar que o verdadeiro motivo que levaria os EUA à intervenção é a possibilidade das armas químicas caírem em mãos de movimentos terroristas inimigos.

 

Já foi aventada a hipótese de Assad transferir suas armas químicas para seu aliado Hizbollah.

 

Não deixa de ser uma possibilidade. Mas, se isso acontecesse, o Hizbollah provavelmente as usaria com o mesmo objetivo do ditador sírio: dissuasão, numa eventual guerra contra Israel, intimidar o governo de Tel-aviv para que evitasse bombardeios nucleares. Do contrário, seus civis poderiam ser atingidos por contra-ataque com armas químicas.

 

Não é crível que elas sejam lançadas contra alvos nos EUA. Historicamente, o Hizbollah tem centrado suas ações em ataques a Israel.

 

O perigo maior é que as temidas armas sejam apropriadas pelos grupos jihadistas (islamitas radicais) que fazem parte das forças revolucionárias. Eles são em número considerável.

 

Somente a Al Qaeda conta com cerca de 10 mil combatentes. Além dela, há outras tropas de milicianos islâmicos, também virulentamente antiamericanos.

 

Eles já proclamaram que não aceitam a liderança do conselho revolucionário que os EUA, a muito custo, conseguiram formar para coordenar as ações, distribuir as armas (evitando que a Al Qaeda as receba) e ser a base do futuro governo de transição.

 

Falaram inclusive em criar o Emirado de Alepo, que seria uma república islâmica, independente da Síria.

 

Não importa que o perigo esteja no Hizbollah ou na Al Qaeda e jihadistas rebeldes. Bombardear os locais onde os agentes químicos estão estocados causaria um número imenso de mortes civis.

 

Usar as forças especiais para ataques estratégicos parece complicado. Os sítios de armazenagem estão muito bem defendidos, o resultado da luta seria incerto e haveria certamente muitas baixas estadunidenses.

 

O caminho mais correto, segundo os especialistas, seria uma invasão por terra, com o devido apoio aéreo, é claro.

 

Mas aí... estaria Obama repetindo Bush?

 

Depois do 11 de setembro, o governo Bush criou a doutrina da guerra preventiva: uma nação teria o direito de, em autodefesa, atacar Estados que dessem abrigo a movimentos terroristas ou lhes fornecessem armas.

 

No caso do Iraque, isso não acontecia, pois Saddam Hussein sempre foi inimigo de morte da Al Qaeda e similares.

 

Nem poderia ameaçar os EUA com armas de destruição em massa que não possuía. Invadindo o Iraque, com base em provas falsas, Bush cometeu um crime de guerra. Se Obama invadisse a Síria seria diferente?

 

O argumento de que Assad apoia o Hizbollah é falho, pois esse movimento só é considerado terrorista pelos EUA, Israel e Holanda. No resto do mundo, inclusive na França, Inglaterra e Alemanha, não é.

 

No Líbano, ele é um movimento político, com participação no governo e intensa ação social. No passado, praticou alguns ataques contra os exércitos de Israel e dos EUA.

 

Mas eram invasores do seu país e jogar bomba no invasor é até louvável, universalmente. Ninguém pensaria em chamar de terrorista os maquis franceses. A não ser os nazistas, é claro.

 

Há acusações de participação em atentado contra um centro judeu na Argentina e do assassinato do líder direitista Hariri, no Líbano. Mas o Hizbollah nega e ainda não há provas definitivas sobre a autoria dessas ações.

 

E não faria sentido os EUA invadirem a Síria para atacar os jihadistas, que integram o próprio exército rebelde apoiado por Washington.

 

A invasão da Síria não seria certamente aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, nem está de acordo com a legislação internacional.

 

Seria uma atitude unilateral, típica dos governos Bush, coisa duramente condenada por Obama.

 

E não traria grandes vantagens para os EUA, além de ganharem aplausos de Israel e de sua linha auxiliar no Congresso americano.

 

Certo que o Irã perderia um dos seus principais aliados. Seria uma vantagem que custaria um preço demasiadamente alto aos EUA.

 

Os especialistas falam que seriam necessários 75 mil soldados para assenhorear-se dos estoques de agentes químicos, além de mais algumas dezenas de milhares para garantir a paz e a amizade da Síria.

 

Claro que Obama certamente procuraria entregar logo o poder a um governo de transição e retirar-se rapidamente.


Permanecer custaria muitas vidas de seus compatriotas e muitas centenas de bilhões de dólares. Mas, querer não é poder.

 

A Al Qaeda e os jihadistas não aceitariam facilmente esse governo de transição. Por mais que Obama não quisesse, teria forçosamente de atacar os antigos aliados contra Assad, para reduzi-los à obediência ou destruí-los.

 

Não se vê como isso seria feito sem conquistar e ocupar todo o país, repetindo Bush. Como fez o ex-presidente republicano, precisaria, temporariamente, manter a hegemonia através de um governador estadunidense.

 

Ou, como no Afeganistão, criar um governo local, subordinado às forças dos EUA. Há ainda o perigo de a intervenção mexer com os brios nacionalistas do povo sírio e surgir uma oposição democrática, até mesmo armada, que complicaria ainda mais a situação.

 

Claro, estamos no reino arriscado das conjecturas. Por enquanto, Assad ainda não está derrotado, os aviões sírios não estão carregados com bombas químicas.

 

E Obama vacila. Ser ou não ser Bush? Eis a questão.

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

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Última atualização em Sexta, 14 de Dezembro de 2012
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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