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“Quase estouramos nossas duas carótidas de tanta indignação...” Imprimir E-mail
Escrito por Daniel Chutorianscy   
Qui, 22 de Novembro de 2012
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Quase estouramos nossas duas carótidas, indignados pela forma como somos tratados, ou destratados, quando pensamos em Saúde neste país. Aliás, o que desejam na verdade é que tenhamos um Acidente Vascular Cerebral, o conhecido AVC, que também pode ser entendido por Acidente Vascular Coletivo, doença em que o sofrimento, a dor, as graves sequelas e finalmente a paralisia se instalam definitivamente no grande corpo sobrevivente que se chama Brasil, podendo levá-lo até mesmo à morte.

 

Não há ventrículo esquerdo ou direito que consiga bombear com força suficiente o sangue para irrigar todos os vasos, em deterioração progressiva, diante de um quadro calamitoso em que somente, e muito somente, menos de quatro por cento do nosso produto interno bruto são destinados à área da Saúde.

 

Repetindo: 4% apenas. Com a Educação, menos recursos ainda... Cinqüenta por cento do nosso PIB são destinados a banqueiros e multinacionais, em uma dívida interna-externa que se eterniza e se multiplica, gerando um processo em que ficamos cada vez mais com uma anemia grave, uma fraqueza óssea congênita.

 

Dois bilhões de reais são pagos diariamente somente para resgatar os juros dessa maldita dívida, que nunca tem fim, de forma semelhante ao crescimento celular, em que duas células se transformam em quatro, quatro se transformam em oito, e assim sucessivamente...

 

Infarto do miocárdio quando vemos a total desregulação, onde se embaralham o federal, o estadual, o municipal por entendimentos cada vez mais sórdidos, cruéis, perversos e onde a privatização age como um processo neoplásico, cancerizando todas as células que vê pela frente, destruindo o que foi construído com muita luta pela população durante dezenas de anos.

 

A sífilis se instala numa paralisia geral progressiva, com as elites e seus privilégios assumindo cada vez mais o controle do desmoronamento das instituições públicas, apoiadas pelo clamor de uma mídia adoecida e dócil, que decide quando quer transformar “o gordo boi” num “bife” ou, ao inverso, “um bife” num “gordo boi”... Ou seja, transformar a doença em saúde.

 

A Saúde passa por um processo de esquizofrenização. Mas que Saúde? O que é isso?, pergunta a população, que parece viver uma alteração formal do pensamento, um delírio, uma alucinação. O que conhecemos é doença, que fazem passar por saúde; o que conhecemos é o lucro, imposto pelo modelo capitalista, cujo patrono é “São Lucros” (não confundir com São Lucas, padroeiro dos médicos).

 

A doença de Alzheimer com que o neoliberalismo tenta contaminar o país faz com que o esquecimento tome conta de tudo: um país que desconhece a sua própria história corre o risco de reproduzir fatos que conduzem ao autoritarismo, à injustiça e ao retrocesso.

 

A doença de Parkinson, também imposta pelo mesmo modelo, desequilibra as vias nervosas, tornando a população trêmula, frágil e sem forças, desqualificando-a e tornando-a cada vez mais dependente dos outros. Até o golpe final, um triste final...

 

A depressão congênita que querem implantar para exterminar o serviço público viabiliza, cada vez mais, a ganância e o lucro, visando à doença, à doença do lucro.

 

A instituição pública pertence à população e o seu objetivo é o investimento na questão social, na saúde coletiva.

 

A tuberculose vem enfraquecendo lentamente o país, essa doença com que as elites nacional e estrangeira desejam colonizar o país e vem se propagando: “o que é público é ruim, deficiente, incompetente, temos de acabar com isso”. Lentamente, o bacilo de Koch foi crescendo, em um meio de cultura neoliberal apropriada.

 

O vírus da Aids, que destrói as resistências imunológicas paulatinamente, é semelhante ao modelo neoliberal capitalista, em que o aparelho do Estado é substituído pelas elites e suas instituições que, por sua vez, passam a substituir os pensamentos e instituições da população.

 

Quase estouramos nossas duas carótidas de indignação, quando vemos os nossos hospitais públicos contaminados pelas bactérias da desqualificação, da falta de recursos, desmanchados por uma gangrena, por total falta de cuidados a eles prestados.

 

Qualquer pessoa que queira conhecer bem o Brasil deve viver a realidade de um dia dentro de um hospital público, do atendimento à sala de cirurgia.

 

A lista de doenças do nosso corpo é infinita. Poderíamos citar as inúmeras patologias dos rins, do baço, do fígado, da suprarrenal, além das doenças causadas pela contaminação alimentar – transgênicos e agrotóxicos em excesso.

 

A lista de patologias que o Brasil sofre também é infinita: entreguismo, corrupção, autoritarismo, injustiça social, investimentos mínimos nas áreas de saúde, educação, cultura, reforma agrária, habitação, uma disritmia de investimentos sociais etc. etc. etc. Ou seja, a colonização do país através da doença.

 

Ou revertemos isso ou ficaremos sendo colonizados pelas patologias que nos impõem. Um sonho impossível?

 

Os medicamentos adequados para combater essas patologias são as drágeas diárias de coragem e determinação, os comprimidos de justiça social e cidadania a cada minuto e as vacinas da democracia e afeto. Sempre.

 

Daniel Chutorianscy é médico psiquiatra.

E-mail: trenzinhocaipira(0)vnet.com.br

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Última atualização em Sexta, 23 de Novembro de 2012
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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