Obsessão anticapitalista

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Somos, frequentemente, acusados de obsessivamente anticapitalistas. Confessamos ser dotados dessa obsessão. Não se trata, entretanto, de um sentimento gratuito, infundado. Essa nossa obsessão anticapitalista deve-se ao nosso irremediável amor à vida. Quando tomamos consciência de que a existência da humanidade, e não só dela, está ameaçada pela caminhada desse sistema socioeconômico que, na sua busca desvairada pelo lucro para uns poucos, destrói, sistematicamente, vidas e ameaça pô-la em total colapso, caso a sua caminhada sinistra não seja interrompida.

 

Vemos com bastante apreensão os diversos discursos correntes, que tentam combater os efeitos maléficos do capitalismo sem se centrarem em sua causa. Mazelas sociais, como a fome, o desemprego, a violência crescente, as drogas e tantas outras, não podem ser tratadas com a necessária eficácia, caso persistamos em desconhecer que essas mazelas são expressão do esgotamento de uma ordem econômica social que, se um dia foi progressista, tornou-se retrógrada e anti-humana.

 

Essa postura em se negar a fazer o combate cerrado e sistemático ao fato gerador das desgraças sociais presta um grande desserviço à causa da humanidade. Em razão desse modo de encarar os fatos é que levantamos bem alto a bandeira do anticapitalismo, entendendo que a superação desse sistema não se dará pela vontade de um punhado de pessoas, mas pela possível tomada de consciência e da vontade política das massas trabalhadoras.

 

É oportuno dizer que as massas populares não haverão de se pôr de pé na luta pela emancipação da humanidade dos grilhões desse sistema exaurido e assassino, caso não tomem a imprescindível consciência de quem realmente é o verdadeiro inimigo dos seus interesses. Daí a necessidade urgente de se promover um amplo trabalho de conscientização das massas populares, de forma que elas se deem conta da verdadeira causa de seus infortúnios e, dessa maneira, se erga na luta consequente por uma nova ordem econômica e social, que nos permita um mundo de justiça e paz.

 

Essa devia ser a tarefa central dos partidos que se reivindicam de esquerda, mas não é isso o que presenciamos, e o processo eleitoral revela muito bem a inadmissível ausência de um claro discurso anticapitalista. Esse quadro leva-nos a redobrar a nossa obsessão anticapitalista, esperando que ela seja um dia, não tão distante, transformada em verdadeira pandemia.

 

Gilvan Rocha é militante socialista e membro do Centro de Atividades e Estudos Políticos.

Blog: www.gilvanrocha.blogspot.com

Comentários   

0 #1 RE: Obsessão anticapitalistaLeirton Leite 01-11-2012 21:55
Publicado em 31/10/2012

Psol dá adeus à 'era da inocência'


Por: Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual







O primeiro prefeito eleito pelo PSOL de uma capital, Clécio Luís, em Macapá, declarou querer diálogo com o senador de seu estado José Sarney (PMDB).

"Não é o militante Clécio que está procurando o cacique José Sarney. É o prefeito que vai procurar a base parlamentar eleita pelo povo de Macapá para pedir ajuda. Para que eles cumpram seu papel institucional. Não podemos abrir mão da ajuda de ninguém. Então é necessário que a gente abra esse diálogo institucional republicano", disse, em nota amplamente divulgada pela imprensa. Clécio também elogiou o apoio recebido do DEM e do PSDB à sua candidatura no segundo turno.

O gesto, porém, conflita com o discurso passado de críticas ao que o PSOL chamava de "alianças espúrias", sobretudo dirigido ao partido que lhe deu origem, o PT, quando passou a aliar-se a ex-oponentes para compor maiorias e conseguir a governabilidade.

Um dos primeiros atos de dissidência que deram origem ao PSOL foi da ex-senadora Heloísa Helena, em 2003, quando discordou de votar em Sarney para a presidência do Senado, em respeito à regra adotada na casa do partido com maior bancada indicar o presidente. Na época, a ex-deputada federal Luciana Genro, então petista e hoje no PSOL, teceu duras críticas.

Hoje, Luciana Genro e outros 33 dirigentes do partido manifestaram-se em nota mirando sua artilharia ao companheiro de Macapá. “Se esta aliança se mantiver, representará uma mancha que envergonhará e indignará todo o PSOL”, declararam.

Ivan Valente (SP), presidente nacional da legenda, procura minimizar a polêmica alegando que "adesão não é aliança". Clécio, por ora, afirma que não foram negociados espaços em seu governo. Mas dos 23 vereadores de Macapá, a base governista de Clécio elegeu apenas três, sendo dois do PSOL e um do PCB – o que pode fazer com que a negociação política venha a ser inevitável.

O deputado federal Chico Alencar (RJ) justifica que a discussão se deve às "dores do crescimento", e diz que o partido "tem que escrever uma nova gramática no exercício do poder", sem cometer o que ele chama de "erros do PT", mas não explica como, nem o que significa essa tal nova gramática do poder.

Sem querer aqui duvidar da ética dos militantes psolistas, muito menos negar que a ética é imprescindível em qualquer aspecto da vida. Mas daqui em diante será interessante observar como se comporta a legenda, agora que passará a se ver às voltas com o, digamos, assim, mundo real da política, que costuma ser impiedoso com os que se fingem inocentes.
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