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Energia nuclear: por que tanta insistência? Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Scalambrini Costa   
Sexta, 19 de Outubro de 2012
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Após o desastre nuclear de Fukushima, ocorrido em 11 de março de 2011 no Japão, o mundo é surpreendido por revelações que mostram o quanto a questão nuclear é um tema no qual a indústria do setor e governantes omitem e escondem informações da população.

 

A última revelação em relação ao desastre na central nuclear japonesa operada pela empresa Tokyo Eletric Power Company (Tepco) foi o relatório tornado público recentemente (depois de um ano e meio do ocorrido), intitulado “Política fundamental para a reforma da organização da energia nuclear da Tepco” (tradução livre). É relatado nas 32 páginas deste documento que, mesmo antes do terremoto seguido de tsunami que provocou a inundação dos reatores nucleares com a liberação para o meio ambiente de produtos radioativos, a empresa já sabia que os sistemas de proteção dos reatores existentes eram insuficientes para um evento da magnitude do ocorrido. Como declarado pelos dirigentes da empresa, eles negaram fechar a central para implantar as medidas apontadas como necessárias para garantir a segurança, meramente por razões econômicas. Houve uma clara omissão dos dirigentes da Tepco, numa tentativa de minimizar o risco da ocorrência de um tsunami na região e suas consequências. Demonstrando, assim, o quanto amam o dinheiro e odeiam a vida. O que nos parece ser uma visão predominante no setor nuclear mundial.

 

Depois da descoberta das inúmeras “trapaças” realizadas pela Tepco, a população japonesa tem pressionado o governo, realizando várias manifestações públicas e mostrando ser contrária à continuidade e à expansão desta fonte de energia no país. Toda a pressão popular acabou surtindo efeito e, em setembro último, foi anunciada pelo governo a decisão do país de se afastar progressivamente do modelo nuclear, substituindo-o pelas fontes renováveis de energia.

 

Além do Japão, anteriormente, a Alemanha, Itália, Bélgica, Áustria, entre outros países, já haviam decidido abandonarem a construção de novas usinas nucleares e fecharem as existentes. Até mesmo a França, ícone do uso da nucleoeletricade no mundo, também decidiu iniciar um processo de redução da participação do nuclear em sua matriz energética.

 

O que surpreende é o Brasil, onde autoridades do Ministério de Minas e Energia, “lobistas” da área nuclear e membros da academia continuam insistindo no Programa Nuclear, que prevê a construção de Angra III e mais quatro usinas nucleares até 2030. Sendo duas delas no Nordeste brasileiro.

 

Mesmo a ampla maioria da população (79%) se posicionando contra o uso da energia nuclear no país, segundo uma pesquisa de opinião realizada pela BBC, não é suficiente para convencer o governo federal de rever sua decisão autoritária. No caso da instalação de usinas no Nordeste, um dos locais pré-selecionados foi o município de Itacuruba (481 km de Recife), sob amplo apoio do governo de Pernambuco, que se posicionou publicamente favorável à instalação em seu território desta central. Mas, após a catástrofe de Fukushima, tergiversa sobre o assunto.

 

Os movimentos antinucleares (http://www.brasilcontrausinanuclear.com.br/, http://www.greenpeace.org/brasil/pt/ e http://antinuclearbr.blogspot.com.br/) têm realizado inúmeras atividades e campanhas de esclarecimento e informações junto à população sobre os riscos intrínsecos da energia nuclear e os perigos de um acidente. A receptividade desta mensagem demonstra o quanto é rejeitada a decisão governamental de incluir na expansão da oferta de energia elétrica as usinas nucleares em nosso país.

 

Na Rio+20, houve um espaço, a “Tenda Antinuclear”, onde ocorreram várias atividades, desde palestras, depoimentos e relatos de atingidos por desastres nucleares a debates e filmes mostrando os riscos da tecnologia nuclear, além da mineração do urânio. Foi enfatizado e demonstrado que, pela riqueza da biodiversidade e da disponibilidade das fontes renováveis, o Brasil não precisa da eletricidade nuclear para atender suas necessidades de energia, nem no presente e nem para o futuro.

 

Em razão de todos os argumentos e das ações contrárias ao uso da energia nuclear em todo o mundo, alertamos a população brasileira que, mesmo este assunto não estando na pauta da mídia empresarial de nosso país, o governo federal continua com o firme intento de construir novas usinas nucleares e investe hoje mais de 10 bilhões de reais na construção de Angra 3. Portanto, não devemos esmorecer nesta luta, exigindo das autoridades que interrompam imediatamente o programa nuclear em andamento e que seja afastada definitivamente a ameaça que ronda o povo brasileiro.

 

Heitor Scalambrini Costa é professor da Universidade Federal de Pernambuco.

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