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Código Florestal: o que restou? Imprimir E-mail
Escrito por Roberto Malvezzi (Gogó)   
Sexta, 19 de Outubro de 2012
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O Código Florestal brasileiro nasceu em 1934. Ali está seu nervo central. Mas já nasceu pela preocupação de tantos naturalistas que, já naquela época, sabiam perfeitamente da interface das florestas com o ciclo das águas, inclusive de sua agressividade a terrenos e territórios desprovidos de vegetação, provocando enchentes e erosões. Era também a manifestação do cuidado com as florestas, já em processo de dizimação.

 

Mas, quando os militares chegaram ao poder, eles fizeram uma nova e profunda modificação no Código (Lei No 4.771, de 15 de setembro de 1965), estabelecendo uma série de referenciais agora derrubados pela Ditadura Ruralista. Foi a lei que demarcou a proteção das matas ciliares, nascentes, encostas etc.

 

Essa lei não veio por acaso. Os militares queriam implantar a ferro e fogo o capitalismo no campo, através de grandes empresas, entrando pela Amazônia – depois o Cerrado –, e sabiam que alguma proteção aos mananciais e às florestas tinha que ser implementada.

 

Então, o capital devorou o Cerrado e as franjas da Amazônia. Pior, entrou pelas áreas de proteção que garantem a água e a biodiversidade necessárias à natureza e ao povo brasileiro para plantar cana, soja e pôr as patas do gado. Com o avanço da consciência ambiental, veio a cobrança dos crimes ambientais. E para não pagar, os ruralistas mudaram a lei.

 

O que restou dessa batalha? Não muito, se formos olhar em termos efetivos de preservação de nascentes, rios, água de qualidade, biodiversidade para as gerações futuras. O grande pulo do gato foi estabelecer uma nova gradação, particularmente nos rios maiores, onde a necessidade de proteção caiu de 500 metros para rios com mais de 600 metros de largura para apenas 100 metros. Vejam com um exemplo.

 

O São Francisco tem 2700 km de comprimento. Hoje não tem mais que 5% de matas ciliares. Se fosse para ser recomposto em sua totalidade, com uma extensão de 500 metros em cada margem, seria necessária a recomposição de 2700 km² de matas ciliares. Com a nova lei, cai em 80% essa exigência, ficando legalmente em apenas 540 km².  O problema não é somente a vegetação: aí estão chácaras, mansões, clubes, tudo que faz a vida da burguesia. Aí cada um pode tirar as suas conclusões.

 

Os tais vetos de Dilma, no apagar das luzes, têm sua importância para os rios menores, também para os pequenos agricultores, mas estão longe de sustentar uma visão científica e moderna do que seja riqueza natural e sua importância para um povo. Depois de torturarem o Código, o veto funciona como uma espécie de salmora. Aquele sorriso amarelo de quem levou uma goleada de 10 x 1, mas ficou feliz por fazer um gol de honra ao final do jogo.

 

Para evitar novamente falsas interpretações, reafirmo que estou fazendo a comparação com o regime militar no que toca ao Código Florestal. Então, repito a frase que causou polêmica no texto anterior: “nem no Regime Militar sofremos uma derrota tão humilhante”.

 

Leia também:

Código Florestal: derrota humilhante

 

Roberto Malvezzi (Gogó) possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

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Última atualização em Sábado, 20 de Outubro de 2012
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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