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Eleitor e eleitora: qual é o seu projeto político? Imprimir E-mail
Escrito por Frei Marcos Sassatelli   
Sexta, 05 de Outubro de 2012
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"É urgente criar estruturas que consolidem uma ordem social, econômica e política na qual
não haja iniquidade e onde haja possibilidades para todos” (Documento de Aparecida - DA 384).

 

Diante da questão política, podemos assumir fundamentalmente três posicionamentos: o de quem quer manter o projeto político vigente (conservador), o de quem quer reformá-lo (reformista) e o de quem quer transformá-lo (transformador, libertador).

 

É evidente que, por a vida ser dinâmica, esses posicionamentos não são três compartimentos estanques, sem nenhuma comunicação mútua. Entre os defensores dessas três posições, pode haver, por exemplo, “acordos pontuais” sobre alguma prática política concreta, mas nunca “aliança” (a não ser por oportunismo político), que supõe comunhão de ideais, de utopias.

 

Antes de tudo, pergunto: o que caracteriza o projeto político dominante? É o projeto capitalista neoliberal, que é um “sistema econômico iníquo” (Documento de Aparecida - DA 385) ou um “sistema nefasto”, porque considera “o lucro como o motivo essencial do progresso econômico, a concorrência como lei suprema da economia, a propriedade privada dos bens de produção como um direito absoluto, sem limites nem obrigações correspondentes” (Paulo VI. Populorum Progressio - PP 26).

 

O sistema econômico capitalista neoliberal cria profundas desigualdades sociais, oprime, marginaliza, exclui e assassina os pobres como material descartável. Para esse projeto, o importante não é a vida do povo, mas o deus-mercado e os interesses dos seus servidores e adoradores. Do ponto de vista estrutural, o projeto político neoliberal é desumano, antiético e, portanto, anticristão.

 

Os defensores desse projeto político podem até aceitar algumas mudanças, mas só se for para modernizar o sistema e torná-lo mais eficiente. Nunca pensam em mudanças de estruturas. Com as migalhas que sobram da mesa dos ricos, promovem programas chamados de distribuição de renda, que, de um lado, servem para amenizar situações de extrema pobreza (o que é positivo) e, de outro lado, para cooptar os trabalhadores e evitar que se transformem numa ameaça para a segurança e os interesses do próprio sistema.

 

Na realidade, porém, esses programas não distribuem a renda, mas simplesmente restituem ao povo uma pequena e insignificante parcela daquilo que é permanentemente roubado (roubo legalizado e institucionalizado) dos pobres na exploração da mão-de-obra e nos impostos sobre os produtos de primeira necessidade.

 

Sobretudo em época de eleições, os defensores desse projeto político fazem declarações de amor aos pobres, prometendo que irão acabar com a fome, que irão enfrentar o grave problema social das drogas e da violência, que irão cuidar da saúde, da educação, da segurança etc., mas, terminadas as eleições, nada disso acontece.

 

Pergunto também: o que caracteriza o projeto político reformista?  Como o próprio nome diz, é o projeto capitalista neoliberal reformado. As reformas, dizem os defensores desse projeto, têm por objetivo um “capitalismo com sensibilidade e responsabilidade social”, um “capitalismo de rosto humano”, um “capitalismo humanizado”, com a redução das desigualdades sociais e a busca do bem estar social. É a chamada Terceira Via, doutrina político-econômica, idealizada por Anthony Giddens, impulsionada por Tony Blair e Lionel Jospin, e que ganhou força com o chanceler Gerhard Schroeder e outros.

 

Diante desse projeto político, pergunto: se o capitalismo neoliberal é estruturalmente desumano, pode ser humanizado? Pela lógica, a resposta é não. O máximo que pode ser feito é amenizar, em determinadas situações conjunturais, seus efeitos iníquos.

 

Pergunto ainda: o que caracteriza o projeto político transformador (libertador)? É o Projeto Popular para o Brasil (e para o mundo), que como projeto alternativo visa mudar as estruturas e superar o capitalismo neoliberal, abrindo caminhos para um socialismo realmente democrático.

 

“Projeto Popular é a sociedade que queremos construir, é o objetivo a ser alcançado. Ele deverá estimular o trabalho de base, a formação militante e as ações conjuntas para a transformação de nossa sociedade. O caráter do nosso projeto não é apenas reivindicativo, mas busca construir unidade e força social para a transformação profunda das relações de produção”. Para isso, precisamos construir o Poder Popular, que consiste na “organização autônoma e independente do povo em suas lutas concretas, sejam elas locais ou regionais, de âmbito nacional ou internacional”, como “um processo permanente de busca por igualdade e justiça”, na promoção e defesa dos direitos ambientais, políticos, sociais, civis, econômicos e culturais (II Assembleia Popular Nacional. Projeto Popular para o Brasil na construção do Brasil que queremos; Luziânia, 25-28/05/10, p. 6-9).

 

Em outras palavras, o Projeto Popular é o projeto do bem viver, do bem conviver. Jesus de Nazaré, “profeta da maior utopia (‘que sejamos bons como Deus é bom, que nos amemos como Ele nos amou, que demos a vida pelas pessoas que amamos’) promulgou, com sua vida e sua morte e sua vitória sobre a morte, o bem viver do Reino de Deus. Ele é pessoalmente um paradigma, perene e universal, do bem viver, do bem conviver” (Pedro Casaldáliga; Latino-americana Mundial 2012, p. 11).

 

Eleitor e eleitora, qual o projeto que você escolhe e quer para o Brasil? Quais os partidos políticos (mesmo pequenos) que hoje (e não no passado) apóiam e lutam pelo Projeto Popular? Quais os candidatos ou candidatas que se identificam com esse projeto?

 

As situações concretas são muito diferenciadas, sobretudo em nível municipal. Precisamos ter muito espírito crítico. Existem partidos e candidatos(as) que são claramente a favor do projeto político dominante; outros que, renegando sua própria história, defendem hoje um projeto político reformista (mas, em alguns casos, ainda possibilitam pequenos espaços de atuação para quem se identifica e luta pelo Projeto Popular). Não basta o candidato ou candidata ser subjetivamente “uma pessoa boa” ou “bem intencionada”, muitas vezes por ingenuidade política ou por causa dos condicionamentos da formação recebida. O mais importante é ver com qual projeto político o candidato ou a candidata se identifica.

 

Se o candidato ou a candidata e o seu partido (ou, pelo menos, uma corrente do seu partido) se identificam com o Projeto Popular, mesmo que não ganhem as eleições, marcam presença e fazem o processo político avançar no caminho da transformação. O que é totalmente repugnante, inadmissível e imoral é ver candidatos ou candidatas que, para ganhar as eleições, a qualquer custo e com qualquer meio, vendem, como se costuma dizer, até a própria mãe. Infelizmente, sobretudo na história política recente do Brasil, isso se tornou muito comum. Uma “outra política” é possível!

 

Frei Marcos Sassatelli, frade dominicano, doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP), é professor de Filosofia da UFG (aposentado).

E-mail: mpsassatelli(0)uol.com.br

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