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7 de outubro na Venezuela: a nova Batalha de Ayacucho Imprimir E-mail
Escrito por Atilio A. Boron   
Sexta, 05 de Outubro de 2012
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A batalha de Ayacucho, ocorrida em 9 de dezembro de 1924, selou o destino do império espanhol na América do Sul. O grande marechal dessa heróica batalha, Antonio José de Sucre, em sua arenga final aos soldados, pronunciou as seguintes palavras: “dos esforços de hoje depende a sorte da América do Sul; outro dia de glória vai coroar vossa admirável constância”.

 

Neste 7 de outubro, Nossa América se encaminha para uma segunda batalha de Ayacucho. As eleições que se levam a cabo na República Bolivariana da Venezuela têm, como o heróico combate empreendido em terras peruanas, uma extraordinária ressonância continental. Um triunfo do presidente Hugo Chávez Frías fortalecerá os ares de renovação política, econômica e social que percorrem a América Latina e o Caribe desde fins do século passado, e que permitiram dar importantes passos para a nossa segunda e definitiva independência. Sua derrota, no entanto, implicaria um fenomenal retrocesso não só para a Venezuela, mas para os países da ALBA e, ademais, para toda a Nossa América.

 

As chances de um desenlace tão desafortunado são muito baixas, mas não inexistentes. Quase a totalidade das pesquisas, mesmo as mais afinadas com a oposição, dão Chávez como ganhador. O dissenso vem na hora de estimar a margem de sua vitória, que dependerá de fatores circunstanciais próprios da jornada eleitoral.

 

Sobretudo, da proporção de votantes que acudirão às urnas, coisa que pode ser afetada, por vários fatores: a queda do fervor militante dos quadros médios do chavismo que mobilizam e organizam a base popular; a opressão e confusão semeadas intencionalmente pela mídia de direita que domina o espaço público; a apatia após um tenso e complexo período pré-eleitoral; o temor e a desativação política que provocam os permanentes ataques dos Estados Unidos em alguns segmentos do eleitorado, e inclusive algo bem aleatório e alheio à luta política, como a condição climática.

 

Um 7 de outubro que amanheça com um dia horrível e chuvoso pode fazer alguns chavistas preferirem ficar em suas casas, dando por certo o triunfo de Chávez; um belo dia de calor e ensolarado pode fazer com que outros tantos decidam ir desfrutar de algumas horas das belíssimas praias com que conta a Venezuela.

 

Em ambos os casos, o principal prejudicado pela deserção cidadã seria Chávez, desmotivando seu eleitorado de ir votar por conta da certeza da vitória de seu líder, proclamada temerariamente por aqueles que supostamente jogam a favor do governo. Por isso Chávez disse, com razão, que “nosso pior inimigo é o triunfalismo”.

 

Se a presença nas urnas dos chavistas suscita algumas interrogações, a direita, por outro lado, conseguiu solidificar um núcleo duro que está disposto a tudo e que irá votar sob qualquer circunstância. Os 3.200.000 que participaram da prévia que elegeu Capriles como candidato são um dado cuja importância não pode ser subestimada. Esse núcleo duro não é suficiente para ganhar, mas dá pra levar adiante uma grande batalha. Para resumir: se em 7 de outubro o massivo enxame de organizações populares do chavismo conseguir que suas bases sociais se voltem em massa às urnas, a ampla vitória de Chávez está assegurada.

 

Mas além da taxa de participação eleitoral, há outros fatores que também contam. Em seus últimos discursos, o presidente exerceu notável e valente autocrítica em relação à gestão oficial, o que poderia ter desalentado certos segmentos de seus apoiadores.

 

Mesmo assim, na hora de eleger entre avançar e aprofundar o caminho da Revolução Bolivariana – que construiu um país muitíssimo mais justo e democrático, dando esperança a setores que antes não tinham nenhuma – ou retroceder e perder todo o conquistado, coisa que obviamente ocorreria ante uma eventual vitória de Capriles, mesmo os desafetos e insatisfeitos por alguns problemas da gestão (como a inflação e a insegurança, entre outros) seguramente renovarão sua confiança no processo bolivariano.

 

Sabem, e se não sabem intuem, que com o triunfo de Capriles se voltará uma página atrás na história venezuelana, que se converteria em novo protetorado dos Estados Unidos. E sabem que suas imensas riquezas petroleiras seriam saqueadas sem pausa pelo imperialismo estadunidense, obcecado pela recuperação do controle absoluto de um elemento como o petróleo, do qual depende enormemente o modo americano de vida e sua própria segurança nacional.

 

Essa e não outra é a verdadeira missão das 14 bases militares estadunidenses que construíram um intimidante cordão sanitário, rodeando todo o território da República Bolivariana e perturbando o normal funcionamento de suas instituições democráticas. (Cabe perguntar: como seria o processo eleitoral estadunidense se o país estivesse rodeado por 14 bases militares de um país hostil, que caracterizasse ano após ano os Estados Unidos como santuário de terroristas?)

 

Sabem também que acabarão todos os programas sociais que deram cidadania a milhões de pessoas, que universalizaram o acesso à saúde e à educação como nunca; sabem que se reinstalará a corrupta partidocracia que governou ao longo de quase todo o século 20, submetendo à pobreza milhões de pessoas, em um país potencialmente dos mais ricos do mundo, cujos fatores que deram origem ao Caracazo de 1989 serão mais uma vez colocados em funcionamento.

 

No plano internacional, a derrota de Chávez alimentará a contraofensiva do imperialismo para esmagar o espírito rebelde e ímpetos contestatórios que se apoderaram de muitos países da região e que causaram a derrota da ALCA, em Mar del Plata, em 2005. Diante disso, tempos obscuros desabariam sobre Nossa América. Por todas essas razões, dissemos que as eleições do próximo domingo têm um significado histórico análogo ao que, em seu momento, teve a Batalha de Ayacucho: de seu resultado depende o futuro da América Latina e do Caribe.

 

Se o campo popular não é consciente de sua enorme importância, a direita e o inimigo imperialista o são, e plenamente. Por isso há meses vêm apregoando que “haverá fraude”, ainda que o Centro Carter e o próprio presidente Jimmy Carter tenham declarado à exaustão que o sistema eleitoral da Venezuela bolivariana é um dos melhores e mais transparentes do mundo, superior, ressaltava Carter, ao dos Estados Unidos.

 

Isso não é casual: o coro desafinado de tais críticos – onipresentes em toda a imprensa hegemônica das Américas, em seus diários, assim como em rádios e canais de televisão, todos repetindo o mesmo roteiro – não faz outra coisa a não ser preparar o clima ideológico que justifique a rejeição do resultado eleitoral, a desestabilização política e eventual sedição de alguns grupos e regiões logo que o veredicto das urnas ratifique a vitória do Comandante Chávez.

 

A oposição anti-chavista não está composta de competidores leais que comungam com o jogo democrático. O próprio Capriles foi um dos energúmenos que tentou tomar de assalto a embaixada de Cuba em Caracas, quando do golpe de Estado de 2002, para justiçar os chavistas ali refugiados, algo que nem Videla e nem Pinochet se atreveram a fazer durante duas respectivas ditaduras. É difícil que uma coalizão cujo líder possui tais qualidades aceite com fidalguia a previsível derrota eleitoral. Por isso, haverá de se estar muito preparados, dentro e fora da Venezuela, para defender as ruas, praças e de imediato o triunfo obtido por Chávez no cenário institucional.

 

Em nível internacional, será necessário manifestar sem demoras alguma solidariedade dos movimentos sociais e forças políticas de esquerda a Hugo Chávez, exigindo aos governos da Unasul que comuniquem aos derrotados que qualquer tentativa de desestabilização ou golpe de Estado condenará os golpistas ao ostracismo, e que a Venezuela, neste caso, se converterá em pária internacional. Não acreditamos que seja necessário, pois insistimos que a vitória de Chávez é um fato. Mas seria bom adotar uma atitude de permanente vigilância e mobilização. Porque, como lembrava sabiamente Che, “nos imperialistas (e seus lacaios vernáculos) não se pode acreditar nem um tantinho assim”.

 

Atilio Borón é doutor em Ciência Política pela Harvard University, professor titular de Filosofia da Política da Universidade de Buenos Aires e ex-secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO).

 

Website: www.atilioboron.com.ar

Tradução: Gabriel Brito, Correio da Cidadania.

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Última atualização em Qui, 11 de Outubro de 2012
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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