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Expressão ideocultural de uma independência manipulada: Abraham Lincoln, o caçador de vampiros Imprimir E-mail
Escrito por Lucas Alecrim   
Sexta, 21 de Setembro de 2012
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Que tipo de sugestão é oferecida ao se estrear um filme com o título de Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros, em plena comemoração da independência brasileira? Lembre-se que para acessá-lo é necessário dar uma passadinha nos santuários burgueses (shoppings) e dedicar-se à arte do cinema como um espaço ocupado pelas expressões ideoculturais do sistema capitalista. Com o filme em questão não seria diferente, mas vejamos as intenções e os sentidos que sugerem seu enredo.

 

O cinema como fetiche do consenso quer globalizar o jeito capitalista e estadunidense de viver e não pensar, naturalizar a vida burguesa e as desigualdades pujantes. Quer universalizar alienação e consentir sua política agressiva do ódio contra a diversidade.

 

Abraham Lincoln, como um personagem que não questiona o racismo, mas tem amizade com um “negro” que não é escravo (não se sabe se a amizade existe subjetivamente, ou simplesmente porque ele não é escravo), acaba por demonstrar a intempestiva personalidade que lhe fará caminhar pelas diversas áreas do conhecimento e do espírito.

 

O racismo eufemizado, para o filme, não tem nada a ver com a hierarquia natural de homens brancos e negros que lembram nos discursos de Lincoln o nazismo (o poder de uma raça, de um povo, justificando qualquer extermínio para os que pensam diferentemente).

 

Ao longo do enredo, “Ab” passa a representar o “novo mundo”, um país em pleno desenvolvimento industrial, expansão urbano-capitalista e crescimento do operariado e um cisma com o antigo modo de produção, por isso, sem ressalvas, acredita que o país é livre, que “todos são homens livres” (com a mesma lógica de liberdade que sustenta a venda da força de trabalho pelo próprio sustento e questiona os pilares do feudalismo).

 

Nesse contexto, vampiros passam de antagonistas principais para coadjuvantes que representam as trevas, a escuridão do velho mundo, da aristocracia e seus privilégios. Os vampiros representam o parasitismo que a burguesia não quer sustentar e a escravidão como tropeço ao “avanço” representa também a fonte de preservação dos vampiros. Não seria também o escravismo a fonte de preservação da aristocracia que os vampiros representam?

 

Todo o filme se passa sob uma aparência aventureira que esconde os sugestionismos que reforçam o sonho americano, o fascismo estadunidense que se vê superior aos outros povos, pois predestinado a salvar o mundo das trevas, da escuridão e, como dito no próprio filme, um país de vivos que prevalece sobre povos mortos e que “o novo mundo será a nação que nunca irá acabar”.

 

Na conjuntura atual, o filme quer explicar e legitimar a lógica da guerra, como uma guerra pela liberdade (que liberdade pode trazer a guerra? Abraham Lincoln pensava como Bush?). Os mortos e as trevas hoje representam, para o pretenso povo escolhido, o terrorismo, o islamismo, o comunismo, os protestos e os movimentos contra o capital. Uma lógica perversa e contraditória que justifica agir igualmente aos que lhe atacam, ou pior, demonstrando o quanto acusar outros de terrorismo, por exemplo, é não analisar suas próprias atuações em outras partes do mundo, obedecendo a uma lógica linear e reducionista.

 

(Que tipo de legitimidade dá a uma nação o direito e o dever de intervir em outras soberanias? Como esta acha que seu poder soberano não pode ser questionado, quando questiona e subverte as decisões das outras nações? Somente um país que cria uma ordem controlada por decisões de organismos internacionais representantes do capital, que se dizem “neutros”, mas defendem piamente a hegemonia estadunidense. Não seria tão parasitário quanto os vampiros, os burgueses que sobrevivem da exploração do trabalho vivo?)

 

A crise atual na qual os EUA estão inseridos faz repensar o seu papel no mundo e reforçar o seu poderio, requerendo elementos ideológicos que internalizem em nações em desenvolvimento, como o Brasil, o seu papel fundamental para manter a ordem econômica em pleno vigor.

 

O perigo de outras nações em crescimento e os olhares voltados para a China amedrontam os administradores do capital, que espalham com sua falsa liberdade de expressão olhares obscuros de uma ordem de privilégios.

 

Lembrar da independência estadunidense na independência brasileira vem ao encontro da falsidade de nossa liberdade, comemorando um grito falso (entre independência ou morte, acho que escolheram a morte da independência) e silenciando o grito dos excluídos que todos os anos sai às ruas para gritar mais alto e demonstrar quantos equívocos se perpetuam.

 

Uma frase marcante no início do filme diz que “o poder provém da verdade e não do ódio”. E se torna visível que a verdade o tempo inteiro é manipulada no filme, tanto quanto na realidade, mascarando o que sugere ser real e repassando mensagens subliminares de que o papel dos estadunidenses no mundo é preponderante para a harmonia do próprio ou, se quiser, entre as classes (o que não deixa de ser coerente, mas é isso que queremos?).

 

Eles sabem que a verdade como conhecimento e informação tem um poder, sendo natural que alguém a domine, mas nós acreditamos que não deve ficar nas mãos de poucos, devendo ser de todos, do povo; democracia deveria ser isso, e não o que pretendem demonstrar.

 

Enquanto o Brasil comemora a independência demonstrando o seu poder bélico sucateado - já que os EUA não criariam guerras para aliados ou pelegos e também não há mal algum em vender a soberania, pois tudo se transforma em mercadoria e a qualquer momento podemos pegar emprestados alguns paramilitares (leia-se mercenários) -, a população fica à mercê da lógica e das expressões ideoculturais dos planos globais e, por que não dizer, estadunidenses. Para esses dominantes, pensar por si mesmo, pensar regionalmente, é subverter a ordem não só nacional, mas mundial, e a resposta repressiva tratará de relegar às trevas, à escuridão e à caça, como vampiros que querem o retrocesso do suposto avanço humanitário ditado pelo capital.

 

Lucas Alecrim é assistente social.

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