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Tiros de aviso russos: o conflito sírio arrisca degenerar em guerra mundial Imprimir E-mail
Escrito por Thierry Meyssan   
Quarta, 22 de Agosto de 2012
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A crise síria mudou de natureza. O processo de desestabilização que devia abrir a porta a uma intervenção militar legal da aliança atlântica falhou. Tirando a máscara, os Estados Unidos evocaram publicamente a possibilidade de atacar a Síria sem o aval do Conselho de Segurança, como fizeram no Kosovo. Seria fingir ignorar que a Rússia de Vladimir Putin não é a de Boris Yeltsin. Após se ter assegurado do apoio chinês, Moscou disparou dois tiros de aviso em direção a Washington. A continuação das violações do direito internacional pela OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e pelo CCG (Conselho de Segurança do Golfo) arrisca agora abrir um conflito mundial.

 

Quando da celebração da vitória contra o nazismo, a 9 de junho último, o presidente Vladimir Putin insistiu na necessidade, para a Rússia, de estar pronta para novos sacrifícios. O presidente Vladimir Putin inaugurou o seu terceiro mandato sob o signo de afirmação da soberania do seu país face às ameaças diretamente lançadas contra a Federação Russa pelos Estados Unidos e pela OTAN. Moscou denunciou muitas vezes o alargamento da OTAN, a instalação de bases militares junto às suas fronteiras e a implantação do escudo antimíssil, a destruição da Líbia e a desestabilização da Síria.

 

Nos dias seguintes à sua entronização, o senhor Putin passou em revista a indústria militar russa, as suas forças armadas e o seu dispositivo de aliança (1). Ele manteve esta mobilização escolhendo fazer da Síria a linha vermelha a não ser cruzada. Para ele, a invasão da Líbia pela OTAN é comparável à da Tchecoslováquia pelo III Reich, e a da Síria – se viesse a ocorrer – seria comparável à da Polônia que desencadeou a 2ª Guerra Mundial.

 

Toda a interpretação do que se passa no Levante em termos de assuntos internos sírios e de revolução/repressão é não somente falso, mas irrisório em relação às verdadeiras manobras, derivando da simples comunicação política. A crise síria é, antes de mais nada, uma simples etapa da “remodelação do Oriente Médio alargado, “uma nova tentativa de destruir o ‘eixo da Resistência’, e a primeira guerra da ‘geopolítica do Gás Natural’” (2). O que se joga atualmente na Síria não é saber se Bashar el-Assad irá democratizar as instituições que recebeu de herança ou se as monarquias wahabitas do Golfo irão destruir o último regime laico da região e impor o seu sectarismo, mas que fronteiras separam os novos blocos, OTAN e OCS (Organização de Cooperação de Xangai). (3)

 

Alguns dos nossos leitores tiveram provavelmente um sobressalto à leitura do parágrafo anterior. Com efeito, há meses, que a mídia ocidental e a do Golfo martelam diariamente que o presidente el-Assad encarna uma ditadura sectária em proveito da minoria alauíta, enquanto a sua oposição armada encarna a democracia pluralista.

 

Um simples olhar sobre os acontecimentos basta para desacreditar esta apresentação mentirosa. Bashar el-Assad convocou sucessivamente eleições municipais, um referendo e eleições legislativas. Todos os observadores foram unânimes em afirmar que os escrutínios decorreram de forma limpa. A participação popular atingiu mais de 60% enquanto os ocidentais as qualificaram de “farsas”, e a oposição armada que eles apoiam impediu os cidadãos de se dirigirem às urnas nos quatro distritos que controlam. Ao mesmo tempo, a oposição armada multiplicou as ações não só contra as forças de segurança, como contra os civis e todos os símbolos de cultura e do multi-confessionalismo. Assassinaram os sunitas progressistas, depois mataram ao acaso alauítas e cristãos para obrigar as suas famílias a fugirem. Queimaram mais de mil e quinhentas escolas e igrejas. Eles proclamaram um efêmero Emirado islâmico independente em Baba Amr, onde instituíram um tribunal revolucionário que condenou à morte mais de 150 descrentes, degolados um a um em público pelo seu carrasco.

 

E não é o piedoso espetáculo de alguns políticos transviados, reunidos no seio de um Conselho Nacional Sírio no exílio, exibindo um projeto democrático de fachada desligado da realidade no terreno dos crimes do Exército “Sírio” Livre, que irá mascarar por muito tempo a verdade. De resto quem pode crer que o regime laico sírio, cuja exemplaridade era gabada ainda há pouco, teria virado uma ditadura confessional, enquanto que o Exército “Sírio” Livre, apoiado pelas ditaduras wahabitas do Golfo e obedecendo às ordens de pregadores takfiristas, seria um estandarte do pluralismo democrático?

 

A evocação pelos dirigentes dos EUA duma possível intervenção internacional sem mandato da ONU, ao modo como a OTAN desmembrou a Iugoslávia, suscitou inquietação e cólera em Moscou. A Federação Russa, que até aqui se mantinha em posição defensiva, decidiu tomar a iniciativa. Esta mudança estratégica deveu-se à urgência da situação do ponto de vista russo, e à evolução favorável sobre o terreno na Síria (4).

 

Moscou propôs criar um Grupo de Contato sobre a Síria, que reuniria o conjunto dos Estados interessados, quer dizer respectivamente os Estados vizinhos, as potências regionais e internacionais. Trata-se de substituir por um fórum de diálogo o atual dispositivo belicoso posto em marcha pelos Ocidentais sob o título orwelliano de “Conferência dos Amigos da Síria”.

 

A Rússia continua a apoiar o plano Annan – que é de fato a retomada ligeiramente modificada do plano apresentado por Serguei Lavrov à Liga Árabe. Ela deplora que este plano não seja aplicado, mas atira a culpa sobre a facção da oposição que pegou em armas.

 

Segundo A.K. Lukashevich, um dos porta-vozes do ministério dos Negócios Estrangeiros, o Exército “Sírio” Livre é uma organização ilegal face ao Direito Internacional. Mesmo que ele assassine diariamente 20 a 30 soldados sírios, ele é publicamente apoiado pelos Estados da OTAN e do CCG em violação ao plano Annan (5).

 

Colocando-se como pacificador face a uma OTAN belicista, Vladimir Putin pediu à OTSC (Organização do Tratado de Segurança Coletiva) para preparar a colocação de “chapkas azuis” na Síria, tanto para separar os beligerantes sírios como para combater as forças estrangeiras. Nicolai Bordyuzha, secretário-geral da OTSC, confirmou que dispunha de 20.000 homens preparados para este tipo de missão e disponíveis no imediato (6). Seria a primeira vez que a OTSC colocaria uma força de paz fora do antigo espaço soviético. Atingido em cheio, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, tentou sabotar a iniciativa, propondo-se subitamente a organizar ele também um grupo de contato.

 

Reunindo em Washington o grupo de trabalho sobre as sanções da Conferência dos Amigos da Síria, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, ignorou a proposta russa e reforçou a ideia a favor de uma mudança de regime. (7)

 

Na Turquia, parlamentares da oposição visitaram os campos de refugiados sírios. Eles constataram a ausência de mais de um milhar de refugiados registrados pelas Nações Unidas no campo principal e, por outro lado, a presença de um arsenal no campo. Interrogaram então na Assembleia o primeiro-ministro Recep Tayyp Erdogan, exigindo que ele revele o montante de ajuda humanitária atribuída aos refugiados fantasmas.

 

Os deputados consideram que o campo de refugiados é uma cobertura para uma operação militar secreta. Ele abriga na realidade combatentes, principalmente líbios, que o utilizam como base de retaguarda. Os deputados colocaram a hipótese de que estes combatentes sejam os que se infiltraram no distrito de Houla quando o massacre foi ali perpetrado.

 

Estas informações confirmam as acusações do embaixador russo no Conselho de Segurança, Vitaly Churkin, segundo as quais o representante especial de Ban Ki-moon na Líbia, Ian Martin, utilizou os meios da ONU destinados aos refugiados para encaminhar para a Turquia combatentes da Al-Qaeda (8).

 

Na Arábia Saudita, a fratura entre o Rei Abdallah e o clã dos Sudeiris manifestou-se de novo. A convite de Abdallah 1º, o Conselho dos Ulemas publicou uma fatwa estipulando que a Síria não é uma terra de jihad. Mas, ao mesmo tempo, o príncipe Faisal, ministro dos Negócios Estrangeiros, apelava a armar a oposição contra o “usurpador Alauíta”.

 

O dia de quinta-feira, 7 de junho, foi rico em acontecimentos. Enquanto Ban Ki-moon e Navi Pillay, respectivamente secretário-geral e alto-comissário para os Direitos Humanos, apresentavam a sua acusação contra a Síria diante da Assembleia Geral da ONU, Moscou procedia a dois tiros de mísseis balísticos intercontinentais.

 

O míssil Bulava tira o nome de uma antiga arma eslava que servia de bastão de marechal dos exércitos cossacos.

 

O coronel Vadim Koval, porta-voz do RSVN (Forças Russas Espaciais Estratégicas), admitiu o teste de um Topol – lançado de um silo perto do Cáspio –, mas não confirmou o de um Boulava a partir de um submarino no Mediterrâneo.

 

No entanto, o disparo foi observado em todo o Oriente próximo, de Israel à Armênia, e não existe nenhuma outra arma conhecida que possa deixar tais rastros no céu (9).

 

A mensagem é clara: Moscou está pronto para a guerra mundial, se a OTAN e o CCG não se conformarem às obrigações internacionais, como as definidas pelo plano Annan, e persistirem em alimentar o terrorismo.

 

Segundo as nossas informações, este tiro de advertência foi coordenado com as autoridades sírias. Da mesma forma que Moscou tinha encorajado Damasco a liquidar o Emirado islâmico de Bab Amr assim que a autoridade do presidente el-Assad foi confirmada pelo referendo constitucional, encorajou o presidente a liquidar os grupos de mercenários presentes no país assim que o novo Parlamento e o novo primeiro-ministro tomassem posse. Foi dada a ordem de passar de uma posição defensiva à ação ofensiva para proteger a população do terrorismo. O exército nacional passou, pois, ao ataque aos bastiões do Exército “Sírio” Livre. Os combates dos próximos dias anunciam-se difíceis, tanto mais que os mercenários dispõem de morteiros, mísseis antitanque e agora de mísseis terra-ar.

 

Para fazer baixar a tensão, a França aceitou de imediato a proposta russa de participação num Grupo de Contato ad-hoc. Washington despachou com urgência Frederic C. Hof para Moscou. Contradizendo as declarações da véspera da secretária de Estado, Hillary Clinton, o senhor Hof aceitou o convite russo.

 

Basta de lamentos sobre a extensão dos combates ao Líbano, ou de mentir sobre uma possível regionalização do conflito. Depois de 16 meses em que desestabilizam a Síria, a OTAN e o CCG criaram uma situação sem saída que pode agora degenerar em guerra mundial.

 

 

Cronologia de fatos:

 

7 de maio: investidura do presidente Vladimir Putin

8 de maio: nomeação de Dmitry Medvedev como primeiro-ministro.

9 de maio: celebração da vitória contra a Alemanha nazista.

10 de maio: visita ao complexo militar-industrial russo.

11 de maio: recepção do presidente Abkhaze

12 de maio: recepção do presidente Ossétia do Sul.

14-15 de maio: encontro informal com os chefes de Estado da OTSC.

18 de maio: visita do Instituto de pesquisa de defesa Cyclone.

25 de maio: revista dos submarinos atômicos.

30 de maio: reunião com os principais responsáveis da Defesa.

31 de maio: reunião do Conselho de Segurança russo.

4-7 de junho: visita à China, cúpula da OCS .

7 de junho: visita ao Cazaquistão durante o tiro de míssil Topol .

 

Notas:

 

1) Agenda do presidente Putin.

2) “ La Syrie, centre de la guerre du gaz au Proche-Orient “, par Imad Fawzi Shueibi, Réseau Voltaire, 8 mai 2012.

3) “ Moscou et la formation du Nouveau Système Mondial “, par Imad Fawzi Shueibi, Traduction Marie-Ange Patrizio, Réseau Voltaire, 13 mars 2012.

4) “ L’affaire de Houla illustre le retard du renseignement occidental en Syrie “, par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 2 juin 2012.

5) “ Comment of Official Representative of the Ministry of Foreign Affairs of Russia A.K. Lukashevich on the Question of Interfax related to the statement made by Representative of so-called Free Syrian Army S.Al-Kurdi “, Ministère russe des Affaires étrangères, 5 juin 2012.

6) “Syrie: Vladimir Poutine propose une Force de paix de l’OTSC”, Réseau Voltaire, 3 juin 2012.

7) “Friends of the Syrian People Sanctions Working Group”, déclaration à la presse d’Hillary Clinton, Département d’État, 6 juin 2012.

8) “ La Libye, les bandits-révolutionnaires et l’ONU “, par Alexander Mezyaev, Traduction Julia, Strategic Culture Foundation (Russia), Réseau Voltaire, 17 avril 2012.

9) “ 7 juin 2012 : la Russie manifeste sa supériorité balistique nucléaire intercontinentale “, Réseau Voltaire, 8 juin 2012.

 

Thierry Meyssan, francês, é jornalista, ativista político, fundador da Rede Voltaire e da Conferência Axis for Peace (Eixo para a Paz).

 

Fonte: Rede Voltaire.

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Última atualização em Sexta, 24 de Agosto de 2012
 

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