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Novas formas de agressão dos EUA Imprimir E-mail
Escrito por Miguel Urbano Rodrigues   
Sexta, 17 de Agosto de 2012
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Os EUA surgem como pioneiros em duas formas de agressão que o Pentágono define como evolução na arte da guerra: os drones, aviões sem piloto, e os ataques cibernéticos.

 

Robôs sofisticados, as aeronaves sem piloto estão a ser utilizadas intensamente em bombardeios no Afeganistão e no Paquistão e em operações similares no Iêmen e na Somália.

 

Num brilhante ensaio, o professor português Frederico Carvalho analisa a rápida expansão desses armamentos de tecnologia avançada.

 

Em 2003, o número de veículos aéreos sem piloto (Vasp) excedia já os sete milhares. Segundo o Pentágono, esses engenhos vieram “revolucionar a arte militar”.

 

Eles apagaram na guerra a fronteira entre o soldado e o civil. Agora, algures numa pequena cidade dos EUA, um técnico, recebidas as instruções sobre o alvo a atingir, carrega nos botões de uma mesa de comando e depois vai jantar com a família de consciência tranquila. Nem sequer conhece o resultado da operação criminosa.

 

Mas o ataque pode ser também desfechado de uma base na Etiópia, em Djibuti, nas Seychelles ou na Arábia Saudita. Eventualmente, de um porta-aviões. Os drones disparam mísseis Halfire ou Scorpion.

 

Afirmam os generais do Pentágono que os danos colaterais são mínimos. Mente Dennis Blair, o ex-diretor Nacional da Espionagem - qualifica os Vasps de “arma perigosamente sedutora”, porque “é barata, não faz vítimas americanas e transmite uma imagem de dureza”.

 

Oficialmente, os alvos visados são grupos de terroristas ou personalidades cujos nomes constam de uma lista submetida à aprovação prévia do

presidente Obama.

 

O balanço dos ataques a aldeias das zonas tribais do Paquistão, planejados e controlados diretamente pela CIA, é pesado.

 

Nas aldeias bombardeadas por cada “terrorista” abatido são mortos dez camponeses.

 

De uma só vez, os mísseis de um drone mataram 26 soldados paquistaneses. A indignação naquele país foi tamanha que o governo de Islamabad proibiu, durante meses, na fronteira, o trânsito de caminhões de abastecimento às tropas americanas e da Otan que ocupam o Afeganistão.

 

O presidente Obama não somente aprova a utilização massiva dos drones, como deu o seu aval a uma alteração dos regulamentos que autoriza o recurso “a força letal” longe de zonas de guerra. Por outras palavras, o assassinato em países estrangeiros de indivíduos considerados “perigosos” para a segurança dos EUA passou a ser legal.

 

Além dos drones, os EUA contam hoje com um arsenal de robôs de reconhecimento.

 

Revistas especializadas referem à existência de pequenos robôs espiões com a aparência de insetos, que passam despercebidos. Está, aliás, em estudo a utilização de insetos reais em que seria implantado um chip eletrônico que permitiria comandar a distância o seu voo.

Cibernética a serviço da guerra

 

OS EUA são também pioneiros na utilização da cibernética como instrumento de espionagem e arma eficaz para a desativação ou destruição de equipamentos e sistemas informatizados.

 

O subsecretário de Defesa dos EUA, William Lynn, reconheceu numa declaração pública que, para o Pentágono, o ciberespaço “é um novo teatro de guerra”, como o solo, o mar ou o ar.

 

Atos de agressão cibernética confirmam essas palavras. Em setembro de 2010, a mídia estadunidense noticiou que o parque de ultracentrifugadoras de Natanz, no Irã, fora alvo de um ataque. Em Washington, sabia-se que ali se procedia ao enriquecimento de urânio natural destinado a combustível nuclear para a produção de energia.

 

Aproximadamente mil centrifugadoras foram então inutilizadas pela operação de pirataria cibernética que utilizou o vírus Stuxnet.

 

Posteriormente, soube-se que esse vírus, ate então desconhecido, resultara de um projeto estadunidense-israelense.

 

Operações como a citada são planejadas e executadas sob a direção do Ciber Comand, subunidade do Comando Estratégico das Forças Armadas.

 

É de lamentar que a mídia brasileira, com poucas exceções, preste escassa atenção à importância crescente da guerra robótica e da ciberguerra nas agressões imperiais dos EUA.

 

Essas inovações “revolucionárias” na estratégia militar do imperialismo iluminam bem a ameaça para a humanidade de um sistema de poder monstruoso que somente encontra precedente no III Reich nazi.

 

Miguel Urbano Rodrigues é jornalista e escritor português.

Artigo originalmente publicado no jornal Brasil de Fato.

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