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Brasil precisa de políticas sociais de amplitude para sair da mediocridade esportiva Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito, da Redação   
Sexta, 17 de Agosto de 2012
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Encerrada mais uma Olimpíada, voltamos nossas atenções para dentro e passamos a fazer o balanço geral da participação brasileira nos jogos. Rapidamente, constata-se que apenas repetimos a mediocridade das últimas três ou quatro edições, agora com a diferença de o Rio de Janeiro sediar a próxima, sendo hábito de todo país dono da casa a consecução de uma campanha acima de seu patamar histórico.

 

Tal como um Ricardo Teixeira dos esportes olímpicos, Carlos Arthur Nuzman, ex-jogador de vôlei, se perpetua à frente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) sem a menor justificativa e legitimidade, haja vista que até eleição às escuras já realizou.

 

Aliás, assim como seu par refugiado em Miami, abusa da arrogância e do cinismo ao analisar fatos e resultados. “Daqui a pouco, vão dizer que os técnicos não podem ficar muito tempo no comando das equipes. E está aí o voleibol, com os dois melhores técnicos do mundo e que entraram na minha administração”, disse, sobre sua longevidade no cargo, antes do embarque a Londres.

 

Ao final, vimos uma postura diametralmente oposta à ofensividade que esbanjou ao passar anos gastando a sola nos bastidores da República para reivindicar, e conseguir, maiores financiamentos governamentais ao esporte.

 

Foram 2 bilhões de reais de dinheiro público destinados ao esporte neste ciclo 2009-2012, por meio do bolsa-atleta, lei Agnelo-Piva ou patrocínios das empresas estatais, que investiram no esporte como nunca desde a chegada de Lula ao poder. Fora o dinheiro privado que também regou diversas modalidades esportivas.

 

Cara de pau a toda prova

 

“Dinheiro não compra medalhas”, explicou, em sua intempestiva coletiva de imprensa após a cerimônia de encerramento dos jogos, quando foi pressionado pela imprensa brasileira com seguidos questionamentos a respeito das decepções e dos objetivos não alcançados.

 

Antes ávido por verbas, agora relativiza a influência dos investimentos diretos, e constata uma miséria contra a qual jamais lutou seriamente: a falta de espaços adequados para a prática e o desenvolvimento esportivo, desde as escolas, citando o próprio Rio de Janeiro (onde tanto tempo passa...) e sua ausência de um centro olímpico de alto nível.

 

“Os dirigentes do COB estão satisfeitos. Parecem viver num universo paralelo. No reino da ‘Nuzmanlândia’, onde R$ 1 bilhão (em termos de incremento em comparação com o ciclo anterior) não deve significar tanto assim”, ironizou o jornalista da ESPN Mauro Cezar Pereira. “O Brasil é uma ‘prepotência olímpica’”, atacou o editor do diário esportivo Lance!, Mateus Benato.

 

Corretamente, o governo já anunciou construções ou reformas em 10 mil quadras. Muito pouco, pois no máximo 15% das escolas brasileiras possuem espaço poliesportivo, o que certamente já evidencia as limitações das aspirações verde-amarelas em melhorar no quadro geral de medalhas. O objetivo de ficar entre os 10 melhores é, de fato, o mais sensato.

 

Mas, desta vez, a desfaçatez de Nuzman não está descendo goela abaixo do governo Dilma. Alguns de seus porta-vozes, como o ministro dos Esportes Aldo Rebelo, já transmitiram sutis, porém certeiros, recados de que alguns parâmetros de formação e gastos serão mudados. Na verdade, apenas um esboço da necessária “ingerência” estatal, visando a construção de política esportiva nacional.

 

Frases como “não tem ninguém no Brasil que entenda mais de esportes que o COB e suas confederações”, proferida pelo diretor da entidade Marcus Vinicius Freire, serão contestadas e provavelmente desmascaradas.

 

Isso porque são de causar espanto se compararmos com o pensamento do chefe do Comitê Chinês, Liu Peng, insatisfeito de ver seu país superado pelos EUA no quadro geral. “Precisamos olhar para os problemas que tivemos e atuar com calma. Temos muito a fazer e trabalhar ainda. Precisamos aprender com os outros, principalmente treinadores de ponta, e fazer melhor uso da tecnologia”, analisou o responsável pela delegação que conquistou 38 medalhas de ouro, 27 de prata e 22 de bronze.

 

Pra dar o recado, o Ministério dos Esportes fez questão de divulgar que das 17 medalhas conquistadas pelo país (duas a mais que Pequim-2008), pelo menos 10 foram de atletas que receberam investimentos diretos do governo ou estatais. Há ainda o caso de atletas-militares, como a medalhista de bronze Iane Marques, do pentatlo moderno – modalidade que, na opinião de Nuzman, servia para desperdiçar dinheiro.

 

Velhas e repetidas histórias

 

A judoca Sarah Menezes, primeira medalha de ouro do país nos jogos, teve de investir 90 mil reais do próprio bolso para que pudesse se tornar atleta profissional sem deixar sua terra natal, o Piauí. Montou uma academia em Teresina, bancou toda a sua estrutura e equipe de profissionais. Depois, o COB reembolsou parte do investido (70 mil).

 

Já o ginasta Arthur Zanetti, nascido na cidade dona de uma das maiores rendas per capita do país e de propalada qualidade de vida, São Caetano do Sul, também teve em sua medalha de ouro nas argolas o fruto de seu autoinvestimento, isto é, apoio familiar acima de qualquer outra estrutura.

 

Em outros casos repetem-se as histórias de atletas ‘self-made’, que, só após terem dado sinais mais visíveis de talento e potencial competitivo, receberam investimentos, seja do governo ou das confederações. Essas, via de regra, são balaios de gatos, ao igual que a CBF e suas espúrias federações estaduais, sempre mancomunadas em prol da manutenção conjunta de seus poderes e jogos de interesse.

 

Para acelerar a evolução do país em variadas modalidades, os investimentos serão ainda mais turbinados, pois todos sabem como o esporte também serve de máquina de propaganda de governos e grupos políticos que buscam hegemonia. A esperança é que o olho no quadro de medalhas faça o COB finalmente andar na linha e ter seus poderes limitados, prestando contas de suas políticas e projetos, que, por sua vez, deveriam ser subordinados a um planejamento de Estado, sob responsabilidade do Ministério dos Esportes.

 

“Mesmo com investimentos bilionários, o governo não fez o elementar entrosamento entre as pastas da Educação, Esporte e Saúde; não dotou as escolas de quadras esportivas nem aparelhou as instalações existentes; ignorou a valorização dos professores, ponto de partida para a elementar prática da educação física escolar. Os tradicionais Jogos Escolares e Universitários, que em outros tempos eram fonte de identificação de talentos, saíram da área federal e passaram à competência do COB. Sem vínculo pedagógico ou compromisso de governo, tornaram-se eventos de calendário, apenas”, analisou o jornalista e especialista olímpico José Cruz, em sua coluna no Correio Braziliense, evidenciando que ainda engatinhamos na criação de uma cultura esportiva em nossa população - isto é, que os esportes não sejam praticados e acessados apenas por quem pode um dia se tornar campeão olímpico.

 

“Mostrar que o país saltou de 17 para 25, 30, 40 medalhas só terá valor se for consequência da mudança de postura, se sinalizar uma tendência, e não se for apenas fenômeno pontual. Isso será enganação. Fazer bonito é pensar em medalhas para 2020, 24, 28 como desdobramento de plano para sermos uma nação saudável, instruída”, endossou Antero Greco, editor de esportes do Estadão.

 

Só assim para evitar que atletas de talento, como Diogo Silva, do taekwondo, lamentem sua derrota afirmando que “sem medalha olímpica a gente volta para o buraco de novo. Vou voltar para o meu buraco”.

 

Questão de vontade política

 

Não podemos entrar na onda ufanista que certamente ganhará o país nos próximos anos do calendário esportivo. O fato é que, para brilhar tão intensamente quanto nossos resultados econômicos, não se faz um trabalho da noite para o dia.

 

O Brasil falha completamente em prover uma estrutura que ofereça qualidade de vida e acesso ao esporte para sua população, que em terras tão vastas e biodiversas já poderiam ter desenvolvido talentos de ponta em praticamente todos os esportes.

 

Realmente planejado com antecedência, foi o boom de negócios (das mais diversas esferas, como a imobiliária ou infraestrutural), não a formação de atletas. Prova cabal é a ausência de legado dos jogos Pan-Americanos de 2007 e as anunciadas reconstruções de instalações esportivas inaptas para Olimpíadas, um escárnio completo.

 

Trata-se de algo plenamente alcançável, mas o Brasil terá de fazer o que jamais se propôs nos esportes se em 2016, ou logo adiante, quiser se descolar do patamar olímpico de Irã, Bielorrússia, Coreia do Norte, Cazaquistão, Etiópia, Nova Zelândia, Jamaica, Ucrânia, Holanda, Quênia, República Tcheca, Azerbeijão, e abandonar a marca de um dos países com pior relação de medalhas por habitante do mundo inteiro.

 

Leia também:

 

Olimpíadas mostram um mundo esportivo próspero e alheio à crise financeira mundial

 

Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Segunda, 08 de Agosto de 2016
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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