Petralhas versus Tucanalhas

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A que nível chegamos. Dizem que há duas correntes políticas. A do PT, chamada pelos seus adversários de Petralhas, numa analogia aos “irmãos metralhas”. É verdade que esse partido deu as costas ao moralismo e passou a liderar episódios de corrupção. Tivemos a prefeitura de Ribeirão Preto, com Antonio Palocci, e as prefeituras de Santo André e de Campinas, cujos desfechos foram os homicídios de Celso Daniel e de Toninho do PT, respectivamente. Somam-se a essas tristes ocorrências, os escândalos do “mensalão”, o caso dos “sanguessugas”, o dossiê dos “aloprados”, o enriquecimento astronômico do senhor Antonio Palocci e do Lulinha, este filho do ex-presidente, além de outros, inclusive do BNB, que vem sendo abafado.

 

Enquanto a Petralha é acusada dessas imoralidades, a Tucanalha enfrenta graves inculpações. A compra de votos para a reeleição de FHC, a prática da “Privataria” e a existência de um personagem bastante suspeito, o senhor Paulo Preto, que estaria envolvido em falcatruas para beneficiar o PSDB, segundo denúncias.

 

Temos, portanto, Petralhas e Tucanalhas. Querem nos induzir à tese de que tal confronto entre bandidos tem por trás duas posições políticas: esquerda e direita. A esquerda, representada pelos Petralhas, defenderia um projeto nacional-desenvolvimentista inspirado no economista Celso Furtado. É interessante observar que, muito mais do que um projeto de esquerda, a Petralha aglutina partidos e figuras claramente fisiológicas, do tipo Antonio Palocci, os mensaleiros, Sarney, Calheiros, Maluf, Barbalho, Jucá, Temer e outros notórios larápios, que se mantêm longe das garras da “justiça”.

 

Representando a direita, estariam o PSDB, o DEM e o PPS. De fato, trata-se de agremiações claramente comprometidas com a manutenção do capitalismo, e os seus projetos são denunciados como neoliberais. Isso revela o caráter direitista dessa composição política. Mas é preciso ter bem claro que tanto uma quanto outra vertente da politicagem burguesa representa, apenas, versões de direita, uma vez que nenhuma delas se opõe ao sistema socioeconômico vigente, o capitalismo.

 

Não podemos nos sujeitar à imposição desse falso dilema, pois, no caso exposto, não temos direita versus esquerda, mas, sim, direita versus direita, e devemos repudiar essa manobra que só gera confusão política no seio do povo. Petralhas versus Tucanalhas não passa de uma cínica manobra para esconder a verdade. É nosso dever, enquanto verdadeiros socialistas, repudiar essa infame armadilha.

 

Gilvan Rocha é militante socialista e membro do Centro de Atividades e Estudos Políticos.

Blog: www.gilvanrocha.blogspot.com

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