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A crise e o governo. As montadoras e o PIB. Os bancos e a dívida pública Imprimir E-mail
Escrito por Edson Carneiro Índio   
Segunda, 06 de Agosto de 2012
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Em fevereiro de 2012, diante do recrudescimento da crise internacional, o governo Dilma anunciou cortes de R$ 55 bilhões dos investimentos públicos, inclusive da saúde, o que acabou por contribuir para o desaquecimento da economia. Em abril, Medida Provisória do governo amplia os setores empresariais beneficiados com a desoneração da folha de pagamentos. Em maio, concedeu isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados, (IPI), aos fabricantes de automóveis, sob o argumento de estimular a atividade econômica, diante da desaceleração do produto.

 

Após a medida, dados da Associação Nacional dos fabricantes de Veículos Automotores apontam para um expressivo aumento das vendas de carros. Segundo a Anfavea, no mês de junho foram vendidos cerca de 353 mil veículos, 73 mil a mais que no mês anterior.

 

A medida do governo federal, além de ser lesiva aos cofres públicos e contrariar uma necessária política de incentivo ao transporte coletivo e público para o bem das pessoas e do planeta - apesar de conter a desaceleração da economia - sequer garante o emprego dos trabalhadores do setor automobilístico.

 

Neste contexto de aumento de vendas e de lucratividade, a General Motors anunciou a demissão de mais 1.500 metalúrgicos apenas na planta instalada em São José dos Campos. Cabe lembrar que a mesma GM já havia demitido nos últimos meses, apenas em SJC, mais de mil operários.

 

Na semana passada, a multinacional chegou a realizar um locaute (greve patronal), buscando com isso fazer terrorismo sobre os trabalhadores da empresa. Além disso, a GM ameaça fechar parte da unidade de São José dos Campos, numa clara tentativa de chantagear os trabalhadores e o sindicato da categoria, a aceitar redução de direitos.

 

A ameaça da empresa merece o repúdio dos trabalhadores e dos setores populares. Inaceitável, também, é a posição expressa pelo Ministro Mantega, de que as demissões fazem parte da política interna da empresa e, por isso, o governo não deve intervir no processo de redução dos postos de trabalho. Cabe perguntar ao governo: sua política de isentar as empresas do pagamento de impostos, altamente questionável, não deveria, como mínimo, exigir contrapartidas reais à manutenção dos empregos¿

 

É claro que não se combate o desemprego com desonerações fiscais. É necessário, entre outras medidas, reduzir a jornada de trabalho, aprovar a Convenção 158 da OIT, acabar com a precarização do trabalho e alterar, globalmente, a política econômica.

 

A rigor, a principal preocupação do governo é com a garantia de um ambiente econômico favorável ao crescimento dos lucros dos empresários e banqueiros. Basta analisar a política econômica orientada ao favorecimento do grande capital, particularmente com o perverso pagamento de juros e amortizações da dívida pública. A CPI da dívida, de iniciativa do Deputado Federal Ivan Valente, do PSOL-SP, já demonstrou o ralo de recursos públicos que significa esse modelo. A consequência disso é um aumento espetacular do lucro dos bancos, que seguem sendo recordes, apesar de os banqueiros esconderem parte da sua lucratividade, com manobras contábeis como o aumento da provisão de “possíveis não pagamento de dívidas”, o PDD.

 

Em 2011, os cinco maiores bancos que operam no País amealharam um lucro líquido de R$ 51 bilhões, ranqueando-os como os mais lucrativos do mundo.

 

E de onde vem tanto lucro?

 

Metade do lucro dos bancos vem da intermediação financeira garantida, também, com o maior spread do mundo. O spread bancário - diferença entre o que o banco paga para captar e o que cobra para emprestar – que foi objeto de discurso da presidenta por ocasião do 1º de Maio, segue elevadíssima, com o beneplácito do Banco Central, que age como um sindicato dos banqueiros.

 

Outro quarto desse lucro advém da remuneração dos títulos da dívida pública, que sangra os cofres e as políticas públicas, como demonstra o próprio orçamento da União de 2012, que prevê que 47% dos recursos arrecadados sigam para pagar juros e amortizações da dívida ilegítima que alimenta a banqueirada sanguessuga.

 

E os outros 25% do lucro dos bancos vêm da cobrança das tarifas bancárias, que espoliam os clientes e a população brasileira.

 

Apesar dessa lucratividade exorbitante e inaceitável, os bancos demitem os bancários e colocam os clientes na fila. Apenas o Itaú, que recentemente adquiriu o Unibanco, demitiu nos últimos quinze meses, cerca de 11.500 bancários, em nível nacional.

 

Essa situação levou os mais de 700 bancários e bancárias presentes na 14ª Conferencia Nacional da categoria, representando mais de 90% dos trabalhadores do ramo em nível nacional, aprovarem, por unanimidade, a proposta há muito tempo defendida por nós, bancários e bancários da Intersindical, de estatização do sistema financeiro, colocando-o sobre o controle público e a serviço do crédito e da economia popular, da distribuição da renda, invertendo a lógica da concentração da riqueza e poder que marcam a formação social brasileira.

 

Toda essa situação impõe às classes trabalhadoras, aos setores populares e suas organizações sindicais e partidárias, lutarem, nas ruas e nas urnas, para mudar, de fato, a realidade brasileira.

 

Edson Carneiro Índio é bancário, professor, militante do PSOL e membro da Coordenação Nacional da INTERSINDICAL.

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Última atualização em Qui, 09 de Agosto de 2012
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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