topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Walker Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

Relatos de Guernica, 75 anos depois Imprimir E-mail
Escrito por Amy Goodman   
Sábado, 28 de Julho de 2012
Recomendar

 

Há 75 anos, a cidade basca de Guernica foi bombardeada e ficou reduzida a escombros. Esse ato brutal inspirou um dos maiores artistas do mundo a realizar uma pintura para a qual dedicou três semanas de trabalho frenético. Em um óleo de 3,50 x 7,80 metros, “Guernica”, de Pablo Picasso, mostra de maneira crua os horrores da guerra, refletidos nos rostos das pessoas e dos animais. Não foi o pior ataque da Guerra Civil Espanhola, porém, converteu-se no mais famoso graças ao poder da arte. O impacto de milhares de bombas lançadas sobre Guernica, do fogo das metralhadoras disparadas das aeronaves contra os civis que tentavam fugir do inferno podem ser sentidos até hoje através dos sobreviventes que partilham com entusiasmo suas recordações e também nos jovens de Guernica, que lutam para forjar um futuro para sua cidade, algo distante de sua dolorosa história.

 

A Legião Condor da Luftwaffe (a Força Aérea Alemã durante a Alemanha nazista) realizou o bombardeio a pedido do General Francisco Franco, que encabeçava uma rebelião militar contra o governo democraticamente eleito da Espanha. Franco procurou a ajuda de Adolf Hitler e de Benito Mussolini, que estavam muito entusiasmados em pôr em prática as modernas técnicas de guerra contra os indefesos cidadãos espanhóis. O ataque contra Guernica foi a primeira vez na história europeia que uma cidade civil foi completamente destruída por um bombardeio aéreo. Apesar de que as casas e as lojas foram destruídas, várias fábricas de armas, uma ponte de importância-chave e as linhas férreas ficaram intactas.

 

Ativo e lúcido aos 89 anos de idade, Luis Iriondo Aurtenetxea sentou-se junto a mim no escritório da organização Gernika Gogoratuz, que, em basco, significa “Recordar a Guernica”. O basco é um idioma antigo e um elemento fundamental da férrea independência do povo basco, que vive há milhares de anos na região fronteiriça entre a Espanha e a França.

 

Quando Guernica foi bombardeada, Luís tinha 14 anos e trabalhava como assistente em um banco local. Era dia de mercado, pelo que todo mundo estava na cidade; a praça do mercado estava repleta de gente e de animais. O bombardeio começou às 16h:30m do dia 26 de abril de 1937. Luís recorda: “Não terminava nunca. O bombardeio continuava e continuava. Umas três horas e meia de bombardeio. Quando terminou, saí do refúgio e todo o povoado estava ardendo; tudo em chamas”.

 

Luis e outras pessoas fugiram para o povoado vizinho, Lumo, em cima da colina, de onde, ao cair da noite, viram como sua cidade natal queimava e suas casas eram destruídas pelas chamas. Alguém deixou que dormissem em um celeiro. Luís continuou: “À meia-noite, mas não sei bem que horas eram, pois não tinha relógio, algo me despertou. Ouvi que me chamavam. E fui até a porta que dava para a praça e vi a silhueta de minha mãe. Ao fundo, se via Guernica ardendo. Vi minha mãe, que havia encontrado os outros três filhos (éramos quaro irmãos) e agora me encontrava”. Luís e sua família foram refugiados de guerra durante muitos anos e, finalmente, regressaram a Guernica onde, da mesma forma que Pablo Picasso em Paris, Luis vive e trabalha como pintor.

 

Luís me levou ao seu estúdio, cujas paredes estão cobertas por pinturas. A que mais se destaca é a que fez sobre aquele momento em Lumo, quando sua mãe o encontrou. Perguntei-lhe como tinha se sentido naquele momento. Seus olhos encheram-se de lágrimas. Pediu desculpas e disse que não podia falar sobre isso. A umas quadras do estúdio de Luís, encontra-se uma das fábricas de armas que ficou intacta após a destruição: uma planta denominada edifício Astra, onde armas químicas e pistolas eram fabricadas. A Astra se mudou, mas a empresa de armas continua tendo vínculos com a cidade, já que várias de suas armas automáticas levam o nome de “Guernica” e, segundo indica a empresa, são “desenhadas por guerreiros, para guerreiros”.

 

Há alguns anos, um grupo de jovens ocupou a planta abandonada para exigir que fosse transformada em centro cultural. Oier Plaza é um jovem artista de Guernica. De pé, junto à planta, me disse: “Em princípio, a polícia nos expulsou; porém, voltamos a ocupá-la. Finalmente, a prefeitura comprou o edifício, em seguida começamos esse processo de recuperá-lo para criar o projeto Astra”.

 

O objetivo do projeto Astra é converter essa fábrica de armas em um centro cultural onde sejam ministrados cursos de arte, vídeo e meios audiovisuais em geral. “Creio que devemos olhar o passado para poder compreender o presente e, se entendemos o presente, poderemos criar um futuro melhor. E creio que Astra é parte desse processo: faz parte do passado, do presente e do futuro dessa cidade”.

 

A partir do “Guernica” de Picasso, o autorretrato de Luís Iriondo Aurtenetxa junto à sua mãe, passando pela iniciativa de Oier Plaza e seus jovens amigos, o poder da arte de converter espadas em arados e de resistir à guerra renova-se constantemente.

 

Amy Goodman é editora do Portal Democracy Now.

Tradução de Diário Liberdade.

Recomendar
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates