Saara Ocidental, tarefa difícil de cobrir pela imprensa

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Os Repórteres Sem Fronteiras encontram muita dificuldade em cobrir acontecimentos e alguns conflitos regionais, diante da ação dos governos contra os jornalistas ligados aos diferendos do Sahil e da questão do Saara Ocidental.

 

Quando a mídia vai poder falar dos diferendos regionais e do Saara Ocidental, sem se expor à interferência tanto dos dirigentes como da oposição à Frente Polisario?

 

Acredita-se que se consegue isso conclamando todos os líderes da região do norte da África a deixarem os jornalistas tratarem de seus assuntos e trabalharem livremente, de forma espontânea, independentemente da linha editorial da sua publicação.

Lembro de dois jornalistas espanhóis que foram detidos por sete horas no aeroporto de Argel e levados aos campos do Saara Ocidental, vindo de Las Palmas (Ilhas Canárias), enquanto acompanhavam o ativista dos direitos humanos Mustapha Salma.

 

Pedro Barbadillo, produtor, e Pedro Guillen, câmera man, realizaram um documentário intitulado "O vento em seu rosto" ("Con el viento de cara") sobre a vida deste militante chamado também de "Mártir do Saara", lutador pelo respeito da dignidade humana e direitos cívicos, gritando a favor das crianças e da sua liberdade e educação nos campos.



Acusados pelas autoridades locais e da Frente Polisario de ter filmado dentro dos campos de Tindouf, sem permissão, os jornalistas tiveram suas fitas de vídeo confiscadas. Eles foram expulsos para a Espanha, após a intervenção do consulado deste país. Salma foi expulso para a Mauritânia, onde começou uma greve de fome.



Foram avisados de que isso poderia acontecer. Na verdade, o governo argelino alertou sobre a necessidade de aumento da vigilância contra os “terroristas” e o Marrocos, por sua vez, intensificou seus controles nas fronteiras para defender sua integridade territorial.

 

O repórter sem fronteira, Pedro Barbadillo, explicou que em nenhum momento foram avisados do que poderia acontecer. Eles foram presos pela autoridade de Argélia. Pedro Barbadillo já havia sido expulso de Marrocos quando produziu outro documentário de forma ilegal sobre a vida de Haidar, "Life of Sand", exibido no canal privado espanhol Antena 3.



Outros jornalistas da Al-Assahra e Ousbouiya publicaram artigos abertamente defendendo a unidade territorial de Marrocos, provocando as autoridades argelinas, hostis a tal integridade territorial de Marrocos.

 

Em 2 de novembro do ano passado, Boufous Hamid, jornalista marroquino deste semanário, foi agredido pela polícia em sua chegada ao aeroporto de Argel, antes de ter negado o acesso ao território argelino. O repórter acompanhou Lhbib Hajji (advogado em Tetouan), mandado pela Associação do Saara marroquino (ASM) para apresentar uma queixa contra o Estado argelino "pelo rapto e confinamento em condições desumanas por vinte e cinco anos" dos 41 membros da ASM, explicou.



A 29 de outubro deste ano, a repórter deste mesmo jornal, Imane El-Fadili, teve recusada a entrada logo na chegada ao aeroporto de Argel, apesar de ter sido convidada para acompanhar as atividades dos membros da ASM. O editor do jornal, e presidente da ASM, Mohamed Reda Taoujni, declarou que o jornal avisou as autoridades argelinas do assunto.



Por fim, dois jornalistas da Al-Assahra e Al Ousbouiya, Bentaher Yahiya e Mohamed Laghrouss, foram presos pelo exército argelino perto da cidade de Oujda (nordeste do Marrocos, fronteira com a Argélia), enquanto faziam uma reportagem sobre o contrabando na zona fronteiriça. Foram transferidos para interrogatório na Argélia, onde foram liberados mais tarde na fronteira em Beni Drar, mas tiveram os equipamentos confiscados.

 

Este ato de desprezar o corpo jornalístico está sendo denunciado, chamando os países signatários a respeitar os compromissos internacionais de liberdade de expressão e de imprensa, considerando os apelos dos independentistas saarauís em prol da liberdade de expressão e dos povos reprimidos e privados de seus direitos de ir e vir.

 

Lahcen El-Moutaqi é pesquisador na Universidade de Rabat V – Marrocos.

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