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ISSN 1983-697X

Editorial

17 de junho de 2013


Palavras de ordem como ‘Da copa abrimos mão, queremos saúde e educação’, ‘Era um país muito engraçado, não tinha escola, só tinha estádio`, dentre tantas outras, surgem como um dos elementos simbólicos que apontam para uma visão ampla da conjuntura e para o enriquecimento da pauta política. O que indica um profundo golpe nos projetos dominantes de poder de governos e partidos, aí incluídos  indistintamente PSDB e PT.  

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Riqueza e miséria do trabalho no Brasil II

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  Riqueza e miséria do trabalho no Brasil II, Ricardo Antunes, Editora Boitempo, ano 2013, págs 448    
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Pedágio metropolitano: quem vai pagar essa conta? Imprimir E-mail
Escrito por Raquel Rolnik   
Sexta, 20 de Julho de 2012

 

Até 2014, o governo do estado de São Paulo pretende instalar um sistema eletrônico de cobrança de pedágios nas rodovias privatizadas. De acordo com reportagem da Folha de São Paulo publicada nesta segunda-feira, com o novo sistema de cobrança serão pedagiados trechos urbanos como os que ligam Campinas à Unicamp e à PUC-Campinas e também a vários bairros e empreendimentos da região, como três shoppings. Serão pedagiados também trechos das rodovias que atravessam a Região Metropolitana de São Paulo, como por exemplo as ligações da capital paulista ao aeroporto de Guarulhos, a São Bernardo, Diadema e Cotia. O governo do estado, no entanto, declarou que ainda estuda quais trechos urbanos deverão serão pedagiados.

 

Os pedágios das rodovias estaduais paulistas são os mais caros do país. Dependendo da região, o pedágio de uma viagem de 300 km, ida e volta, pode custar mais de R$ 100,00. É fato também que as estradas paulistas são as melhores do país, mas, por outro lado, a equação entre custos, benefícios públicos e lucros das concessionárias é muito pouco transparente. Isso porque quase todas as concessionárias são constituídas pelas mesmas empreiteiras que constroem e reformam as rodovias. Ou seja, as rodovias privatizadas foram construídas com dinheiro público e depois passaram a ser exploradas pela iniciativa privada, que ganha duplamente: recebem os pedágios que os cidadãos pagam e com isso investem em obras, remunerando suas próprias atividades como empreiteiras.

 

Com a implantação do novo modelo proposto, mais motoristas terão que pagar pedágio, mas o governo do estado argumenta que o sistema será mais justo porque reduzirá o valor da tarifa de cada um. Atualmente, o sistema está em fase de teste na rodovia SP-75, no trecho que liga Campinas a Indaiatuba, com pórticos de cobrança a cada 8km. A cobrança eletrônica será feita através da instalação de chips nos veículos, medida que já será obrigatória a partir de 2013 por decisão do Conselho Nacional de Trânsito.

 

Além de afetar o bolso, o novo pedágio poderá impactar também a forma como as grandes cidades do estado têm sido construídas. Nas últimas décadas, nas metrópoles, mas também em redes de cidades paulistas como as do Vale do Paraíba, o modelo de desenvolvimento e expansão urbana foi se estruturando, cada vez mais, no entorno das rodovias. São fragmentos de cidade que vão espalhando a urbanização por um vasto território, sem continuidade, através de ligações basicamente rodoviárias. São bairros, mas também shoppings, condomínios industriais e centros de logística, fechados e isolados, muitas vezes cercados por muros. É o que vários pesquisadores denominam de "modelo de urbanização dispersa", no qual não existe mais claramente definida a fronteira entre o urbano e o rural, já que o "urbano", como continuidade de um tecido que agrega várias funções, desaparece para reaparecer como uma soma de empreendimentos isolados.

 

Para quem vive em cidades construídas neste modelo, pedagiar a rodovia é a mesma coisa que pedagiar as vias internas da cidade, já que, na prática, são exatamente estas rodovias que constituem as únicas possibilidades de ligação entre estes fragmentos de cidade. Ou seja: a cobrança eletrônica de pedágio nas rodovias estaduais vai obrigar quem mora ou apenas circula no interior de uma macro-metrópole a pagar para se deslocar dentro da cidade. A pergunta é: quem vai ganhar e quem vai pagar esta conta? Primeiro se construiu um modelo urbanístico carro-dependente e agora se transforma esse modelo num modelo caro e excludente que dificultará a circulação nestas cidades.

 

Raquel Rolnik, arquiteta e urbanista, é relatora da ONU no Brasil pelo Direito à Moradia.

Blog da autora: http://raquelrolnik.wordpress.com/

Texto originalmente publicado em Yahoo! Blogs.

 
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