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ISSN 1983-697X

Editorial

Uma decisão infeliz no Supremo


Aceitando a alegação de cerceamento de defesa, o STF anulou a decisão do Júri que condenou o mandante do assassinato da freira norte-americana Dorothy Stang, julgamento este realizado em 2.005. O advogado do réu alegou cerceamento de defesa, porque teve “apenas” doze dias para examinar os autos.  

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  Estado e forma política, de Alysson Leandro Mascaro, Editora Boitempo, Ano 2013  
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O Líbano pode ser a bola da vez Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 13 de Julho de 2012

 

Em entrevista ao jornal Haaretz, de 5 de julho, o general de Brigada Hertz Halevy, comandante da 91ª divisão do exército israelense, declarou que seu país poderia invadir o Líbano em breve. Registro que a 91ª divisão protege o norte de Israel, que faz face ao território libanês.

 

O general explicou que, com a iminente queda do regime sírio, milicianos do Hizbollah e da jihad islâmica provavelmente voltariam suas armas contra Israel a partir do território libanês. Nesse caso, a retaliação israelense seria mais aguda, mais dura e mais violenta do que na última invasão do Líbano, em 2006.

 

Explicando-se melhor, disse o general: “O relatório Goldstone será suave em comparação com o que acontecerá aqui na próxima vez”. Lembre-se que o relatório Goldstone, sobre a investigação da invasão de Gaza, considerou o exército israelense culpado de crimes de guerra e contra os direitos humanos.

 

O general reforçou sua explicação, afirmando que o exército israelense, desta vez, atacaria áreas densamente povoadas e que “os danos seriam enormes”. Isso seria inevitável, segundo o general, pois: “Não há escolha se não atacar o inimigo onde ele está, ou seja, no coração de uma área habitada”.

 

Na última invasão israelense do Líbano, em 2006, foram mortos cerca de 1200 civis do país e destruídas casas e equipamentos de infra-estrutura no valor de 3,5 bilhões de dólares.

 

Foi particularmente grave o uso freqüente pelo exército israelense de bombas de fósforo e de fragmentação. A Lei Internacional proíbe o uso de armas que causem severas queimaduras e uma morte lenta e dolorosa, exatamente o efeito das bombas de fósforo.

 

As bombas de fragmentação explodem no ar, espalhando projéteis por uma vasta área. “O que nós fizemos foi insano e monstruoso, nós cobrimos cidades inteiras com bombas de fragmentação”, foi o depoimento do chefe de uma unidade israelense na invasão do Líbano.

 

O exército israelense lançou cerca de 1.800 bombas de fragmentação, contendo cerca de 1,2 milhão de projéteis. Segundo a ONU, 40% desse tipo de bombas lançadas pelo exército de Israel não explodiram, penetrando no solo, tornando-se minas terrestres. Atualmente, ainda existem 500 mil delas no Líbano, fazendo vítimas oito anos depois de a guerra ter acabado.

 

Nos últimos anos, autoridades libanesas e da ONU acusaram Israel de ter espalhado dispositivos de espionagem no sul do Líbano, onde o Hizbollah opera.

 

Recentemente, membros do Hizbollah descobriram alguns desses dispositivos e acusaram Israel de desrespeito à soberania do Líbano.

 

A mesma acusação foi feita por autoridades do governo de Beirute, por Israel regularmente recrutar espiões no território libanês e ter penetrado no sistema de telecomunicações local. Têm sido reportado pequenos incidentes entre soldados de Israel e do Líbano nas regiões da fronteira. Nada disso tem gravidade.

 

No entanto, nos últimos meses, várias autoridades civis e militares do governo de Tel-aviv já levantaram a possibilidade de uma invasão do Líbano. Ninguém foi tão explícito e direto quanto o General Halevy.

 

Suas declarações foram surpreendentes, pois, aparentemente, a próxima guerra de Israel seria contra o Irã. Afinal, Bibi Netanyahu declarou repetidas vezes ser necessário bombardear as instalações nucleares iranianas o que, fatalmente, significaria guerra.

 

Uma invasão de Gaza também não estaria fora dos cálculos. Israel e o Hamas tem trocado tiros, ultimamente.

 

Então, por que o Líbano?

 

Segundo fontes da inteligência israelense, o Hizbollah tem cerca de 60 mil mísseis, 10 vezes mais do que na invasão do Líbano, em 2006.

 

Caso Bibi mande sua força aérea bombardear o Irã, haverá pronta retaliação. Mísseis choverão sobre o território israelense, vindos não apenas do Irã, também do Líbano, lançados pelo Hizbollah. Israel teria de encarar uma dupla frente de batalha.

 

Em princípio não precisaria se preocupar com Gaza, pois dirigentes do Hamas têm afirmado que ficariam em cima do muro numa luta Israel versus Irã. Antes de atacar o Irã, seria conveniente invadir o Líbano para anular a ameaça representada pelo Hizbollah.

 

O Irã dificilmente entraria em ação contra Israel. Se o fizesse, o governo de Teerã sabe que os EUA interviriam em defesa dos seus “aliados especiais”, e aí as coisas ficariam excessivamente pretas para os aiatolás.

 

A eles não interessa brigar com os americanos, seria desastroso. Sendo verdadeiras as previsões do General Halevy, Israel estaria se preparando uma guerra brutal e relâmpago contra o Líbano, para liquidar a fatura rapidamente, sem deixar muitos milicianos do Hizbollah para contar a história.

 

Livre da ameaça do Hizbollah, Bibi poderia então pensar a sério num bombardeio das instalações nucleares do Irã.

 

Pode ser que essa análise seja errada, que o general Halevy seja apenas mais um linha-dura ansioso para mostrar serviço, espalhando ruínas e cadáveres por todo o Líbano e acabando com os inimigos de Israel.

E que o Líbano continue, não digo tranqüilo, mas intocado.

 

Ou não. Em várias vezes Israel atacou seus inimigos quando menos se esperava.

 

Leia também:

 

“Cada criança palestina é um terrorista potencial”

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

Última atualização em Qui, 19 de Julho de 2012
 
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