Relatório aponta corrupção em recursos de programas sociais da prefeitura carioca

 

No último dia 6, estivemos reunidos com o subprocurador geral do estado do Rio de Janeiro, senhor Leonardo Chaves, o desembargador Siro Darlan, a vereadora Andrea Gouvêa Viera e representantes da Defensoria Pública, quando lhes apresentamos o relatório do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro, que aponta sérios indícios de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA por parte da prefeitura na aplicação de recursos que deveriam ser destinados a programas de atendimento a nossa população mais carente, dentre eles o programa de acolhimento compulsório de crianças e adolescentes supostamente usuárias de crack, no valor aproximado de R$ 70 milhões.

 

Ao somarmos essa denúncia às inúmeras outras por TORTURA, SUPRESSÃO DE DIREITOS, FALTA DE ATENDIMENTO ADEQUADO etc., feitas diretamente aos poderes constituintes da República (Executivo, Judiciário, Legislativo e Ministério Público) e através de nossas mídias, fica, mais uma vez, evidente que a prefeitura nunca teve, e nem tem, intenção alguma de cuidar dessas CRIANÇAS E ADOLESCENTES que habitam nossas ruas e avenidas – atendimento que constitui sua obrigação legal.

 

O descaso com essa população é tamanho que os bandidos de colarinho branco não se dão nem ao trabalho de tentar maquiar seus desmandos com os recursos públicos, operando todas as suas arbitrariedades através dos meios oficiais, publicadas no Diário Oficial Municipal, tal a certeza de sua impunidade.

 

Quanto àqueles que têm a obrigação de impedir que tais absurdos ocorram, mais uma vez só nos resta optar: eles são mesmo incompetentes e, portanto, incapazes de identificar fraudes e crimes praticados a céu aberto em plena luz do dia, ou são cúmplices de tais barbáries, mesmo que não materialmente, mas, pelo menos, ideologicamente?

 

Quanto a essas CRIANÇAS E ADOLESCENTES, quem se importa? Afinal não são brancas, não têm famílias, ocupam nossas ruas estampando toda a incoerência de nosso sistema sócio-econômico, mal-cheirosas, famintas, ora, quem se importa...

 

“Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista.

Quando eles prenderam os social-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata.

Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista.

Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu.

Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse”.

Martin Niemöller (1892-1984).

 

Paulo Silveira é membro do movimento “respeito é BOM e eu gosto!”.

Website: www.reBOMeg.com.br

Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.

Relacionados