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Marcha dos Povos, Democracia e Educação Imprimir E-mail
Escrito por Rogério Lustosa Bastos   
Sexta, 06 de Julho de 2012
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O capitalismo global, como diz-nos Zizek, mina a democracia? Esta indagação me acompanhou durante toda a Marcha dos Povos, que participei no Rio de Janeiro (20/06/2012) na ala dos professores das universidades federais em greve. Ela foi um dos maiores protestos frente à visão exclusivamente capitalista na Rio+20, que se encerrou no dia 22 de junho. A cada passo que dava com aquela multidão (avaliada em 80 mil pessoas pelos líderes do evento e em 20 mil pela polícia), quanto mais ela ocupava o espaço ao longo da Avenida Rio Branco, mais relação eu fazia com o movimento das Diretas-Já.

 

Tal movimento ocorreu contra a ditadura militar brasileira em 1984 e, a partir dele, abriu-se brecha para a democracia. Mas, agora, havia um detalhe: marchávamos ali contra o autoritarismo do mercado em todo o mundo, que quer submeter tudo e todos ao processo de mercantilização, levando o planeta ao risco de destruição. Assim como a ditadura brasileira de outrora, que apesar dos milhões nas ruas caminhando contra ela nos ignorou (mesmo após a manifestação das diretas-já, a emenda favorável a tal fato foi derrotada no Congresso Nacional), os “senhores do mundo” desse autoritarismo do mercado fizeram o mesmo.

 

O que dizem os ‘senhores’

 

Estes “senhores”, nas entrelinhas, agora nos dizem: “Há dinheiro para salvar os bancos, mas não o planeta...”; “a questão é a economia, estúpido!” (economia que beneficia apenas 1% da população em detrimento de 99%). Para entender esse autoritarismo do mercado que mina a democracia, Marcuse, da Escola de Frankfurt, argumenta:

 

1º) no seu livro “A ideologia da sociedade industrial: o homem unidimensional”, já desde os anos 60, ele previu o seguinte: o socialismo soviético não era socialista e também fazia um jogo que beneficiava o grande capital. Este, afora sair vitorioso no contexto bipolar (URSS x EUA), dominaria o mundo e o submeteria ao consenso mercadológico atual. A partir disto, viveríamos sob uma ordem que nos comandaria em prol de lucros, e aqueles que não se submetessem a tais pressupostos viveriam à margem;

 

2º) o curioso é que a vida desse consenso total, influindo no cotidiano material e subjetivo de todos, para Marcuse é sinônimo de se existir submetido ao “homem unidimensional”. Esta “unidimensionalidade” não nos impedirá de falar, de votar etc., mas imporá sutilmente uma única maneira de falar, de votar, enfim, de nos conduzir, como se, subjugados a esse procedimento, disséssemos: “Fora do mercado, não há salvação!”;

 

3º) deste prisma, diante de uma vida de consenso que tem a pretensão de se impor sob todas as hipóteses, esse tipo de capitalismo global pode pôr em risco a democracia. Mas como resistir a essa unidimensionalidade?

 

Movimentos

 

Ora, atualmente, há várias formas de se opor ao modelo de vida do capital imperial: há o movimento Occupy, que a partir de Nova York, tomou ruas e praças pelo mundo; há o movimento dos indignados na Espanha; o dos “sem terra” no Brasil, mas também há o movimento pela educação universitária, pública, 100% gratuita e de qualidade, o qual, agora, é liderado pelas universidades federais. Nós, professores, estamos em greve não só por melhores salários, mas também por um plano de carreira e por melhores condições de trabalho, que garantam tal resistência.

 

Assim, se desde a Antiguidade Grega, que foi o berço de nossa civilização, sabemos que a democracia não se separa da educação, daí que ali foi instituído a Paideia (a ideia de que esses dois fatores caminham sempre juntos, pois, considerando que os homens são antropoplásticos, podemos formá-los para uma vida contra si ou para uma vida a favor de si: na primeira, eles só pensarão exclusivamente neles próprios e se mostrarão por forte individualismo, fato que poderá escravizá-los, destruí-los; na segunda, eles serão formados para a vida comunitária e democrática, procedimento que poderá engrandecê-los na vida pessoal e coletiva, bem como torná-los livres). Daí que o homem grego é sempre político.

 

Direito Universal

 

Até que ponto isso também não se aplica a nossa democracia? Uma das grandes colaborações, entre outras, da educação pública se apoia no fato de que ela é um direito universal, aplicado gratuitamente para todos. A educação, como a cidadania, não deve ser algo focalizado, ou seja, assim como você não é cidadão apenas se for um consumidor, cada um de nós tem o direito universal ao ensino de qualidade em todos os níveis. Isto é bem diferente da posição que diz: só há educação de qualidade para quem tem poder aquisitivo. Obviamente não somos contra o dinheiro, somos contra submeter alguns bens da cidadania e da natureza (a água, os mares, a educação, a saúde e assim por diante) única e exclusivamente a uma ordem que só dá acesso a quem pode pagar.

 

Sujeito Político

 

Desta maneira, a educação e a democracia atual também fazem do homem um sujeito político. Política entendida aqui, sobretudo, como a construção dos direitos da parte que não tem parte no autoritarismo do capitalismo contemporâneo. Para os que se opõem a um mundo em que a democracia é boicotada em nome do interesse do mercado, impondo-se acima de tudo e de todos, como infelizmente foi na Rio +20, citamos Keynes, que logo após a II Guerra Mundial ajudou na reconstrução do mundo, argumentando que “o capitalismo, quando levado a extremos, é capaz de apagar o sol e as estrelas, se isto não lhe render lucros”.

 

Rogério Lustosa Bastos é Professor Associado da UFRJ; pós-doutor em psicanálise pela UERJ.

Publicado originalmente no site da revista Caros Amigos.

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