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Depois do golpe no Paraguai: por uma verdadeira Revolução Cultural na América do Sul Imprimir E-mail
Escrito por Fernando Marcelino   
Sábado, 30 de Junho de 2012
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Um espectro ronda novamente a América do Sul: o dos golpes de Estados. O desferido contra o governo de Fernando Lugo é um sinal de alerta para as democracias e governos da América do Sul. Não são golpes de Estado parecidos com aqueles da década de 60 e 70, pois não buscam implementar uma ditadura militar estrito senso. A novidade na região são “golpes de Estado democráticos” que, por mais que tenham um conteúdo golpista, são envoltos pelo véu retórico da democracia liberal. Honduras deu início a este novo ciclo, por mais que anteriormente tenham existido outras tentativas na região, como na Bolívia (2008), Equador (2010) e Venezuela (2002). No caso do Paraguai, são grupos conservadores que estão se aproveitando de um evento para desestabilizar o governo, uma espécie de golpe disfarçado de “legalidade democrática”. Como disse Rafael Correa, no Paraguai se quis destituir Lugo com “formalismo legais”, por mais que existam diversas evidências que estão rompendo todos os procedimentos possíveis.

 

Afinal, foi um golpe ou não?

 

O novo líder do Paraguai, Federico Franco, convocou neste sábado uma conferência de imprensa na sede do governo em Assunção para negar que houve "golpe" na mudança de poder no país. Ele disse que "no Paraguai não houve quebra da ordem institucional nem golpe, mas sim uma troca de poder ajustada pela Constituição e pelas leis". Isso é o mesmo que diz o fascista Reinaldo Azevedo da Veja. Segundo ele, Lugo “foi destituído de acordo com a Constituição democrática do país” (... ) “No Paraguai, triunfou a lei. É tão evidente a vinculação de Fernando Lugo com os ditos sem-terra, convertidos em força terrorista, que os dias a mais para a defesa não fariam diferença no mérito. No máximo, esticariam o tempo do impasse e dariam tempo para a articulação das tentações, estas sim, antidemocráticas que buscariam manter Lugo no poder na base do grito (...). O melhor que este ex-bispo fazedor de filhos tem a fazer é cair fora sem resistência. O sistema democrático pode sobreviver sem ele”. Golpista é golpista, seja no Brasil, Paraguai, Venezuela, Bolívia, Argentina, Peru, Honduras, México, Equador, Uruguai ou outro país da América.

 

Já os Estados Unidos, a exemplo de Honduras em 2010, aceitaram o novo governo paraguaio dizendo que “reconhecem o voto do senado paraguaio pelo impeachment do presidente Lugo”, além de pedir “para que todos os paraguaios ajam pacificamente com calma e responsabilidade, dentro do espírito democrático”.

 

A direita usa do cinismo para argumentar sobre o golpe no Paraguai. Ela sabe que é um golpe, mas age como se fosse um ato constitucional, legal e legítimo. Para a esquerda isso não pode ser negociável: É um golpe de Estado, completamente inconstitucional! Não foi um ato legal, não é legítimo. É um verdadeiro golpe de Estado e precisa ser combatido. O Paraguai se tornou um Estado ilegal, e assim deve ter tratado pela comunidade do Cone Sul, da América Latina e do mundo.

 

O golpe de Estado express no Paraguai é muito perigoso. É um precedente para toda a região. A direita está aprendendo a utilizar da “legalidade burocrática” para retirar os governos progressistas da região. Com esse golpe, somos obrigados a lembrar que os inimigos do povo continuam ativos e que não têm compromisso algum com a democracia na região.

 

No Equador em 2010, o que parecia um amotinamento de policiais por razões salariais, assumiu características de um golpe de Estado. Forças policiais ocuparam estações de polícia, postos fronteiriços, algumas estradas e o aeroporto de Quito. Quando Correa foi a um dos quartéis policiais para questionar o movimento, foi atingido por bombas de gás lacrimogêneo. Quando foi levado ao hospital, seu carro foi atingido por tiros e o estabelecimento foi cercado por policiais. Depois de horas de conflito, o presidente foi resgatado por forças do exército e de um batalhão de elite da polícia.

 

No Brasil, durante o primeiro ano do governo Dilma, a direita utilizou uma nova estratégia, buscando impor uma paralisia na máquina governamental através de ataques a ministros e altos funcionários, com foco na corrupção.

 

Na Bolívia, um recente motim de policiais se assemelhava a um "cenário de golpe", em declaração feita neste sábado, dia 23. O motim policial começou quando os manifestantes tomaram a sede da Polícia de Combate a Protesto do país e outras oito unidades. Posteriormente, o movimento se alastrou para várias outras unidades do país e centros de comando. Na sexta-feira, um grupo de 300 policiais em greve, vestidos com roupas civis e com os rostos cobertos, atacaram o Centro Nacional de Inteligência, destruindo janelas e atirando móveis, documentos e computadores para fora. Na seqüência, 300 manifestantes atiraram pedras e danificaram janelas na sede da polícia nacional. Lideranças de direita e setores da mídia vêm estimulando a radicalização da greve para desestabilizar o país.

 

Enfim, o golpe de Estado no Paraguai é um novo alerta para os governos da região, um momento limite em nossa história. O único modo de agir dentro do espírito democrático é lutar contra sua consolidação!

 

Talvez a principal lição seja necessidade imperiosa de uma verdadeira Revolução Cultural na América Latina, que vise eliminar os inimigos do povo: os golpistas. Eles estão concentrados nos partidos tradicionais de direita, nos monopólios privados de mídia, no Judiciário, nas milícias e outros setores sociais.

 

Contra um Estado ilegal, fruto de um golpe, é legítima a criação de milícias populares, um Movimento Latino-Americano pela eliminação dos golpistas. Nosso dever é julgar os golpistas e seus correligionários. É um momento em que toda a América deve se mobilizar na defesa do povo paraguaio. É preciso acabar com os velhos hábitos golpistas, a velha cultura golpista, as velhas idéias golpistas e os velhos costumes golpistas.

 

A direita golpista está agonizando e por isso parte para a ofensiva. Ela ainda tem muita força, mas está ficando sem saída. Os golpistas estão na UTI da história. A esquerda, entretanto, não pode ficar esperando a morte natural dessas bolas de ferro. É preciso desligar a máquina que ainda mantém viva essa corrente e preparar a ofensiva, antes que ela pratique mais insanidades e golpes de Estado.

 

Fernanado Marcelino é militante do movimento popular.

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Última atualização em Sábado, 30 de Junho de 2012
 

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