'Fala-se em nome dos pequenos agricultores, mas, de fato, beneficiam-se os grandes grileiros'

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Cada vez mais, os grandes debates políticos e projetos de infraestrutura são cercados pelas questões ambientais, levantando posturas apaixonadas e açodadas, mas nem sempre respaldadas por alguma profundidade argumentativa e conceitual. Tal vazio verificou-se novamente com a recém-encerrada Conferência Rio+20, promovida pela ONU em reedição da célebre Eco-92. Com a diferença de que o tema da preservação ambiental adquiriu centralidade muito maior nesses últimos 20 anos, sendo o Brasil palco de extremadas contradições na área.

 

Após aprovar uma nova versão do Código Florestal, do agrado dos ruralistas e bombardeado por todas as vertentes do ambientalismo, a presidente Dilma Rousseff fez todo o esforço possível para angariar ao país uma imagem vanguardista de responsabilidade ambiental. No entanto, na análise de José Juliano de Carvalho Filho, entrevistado pelo Correio da Cidadania, tal visão simplesmente “não se aplica à realidade dos fatos da macroeconomia brasileira”.

 

Para o professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP e membro da Associação Brasileira da Reforma Agrária (ABRA), todas as medidas do governo em questão no campo vêm no sentido de prejudicar a preservação ambiental, além de favorecer a concentração de terras. “Fala-se em nome dos pequenos agricultores, mas, de fato, beneficiam-se os grandes grileiros, abrem-se terras ao mercado e permite-se o avanço das monoculturas”, critica, deixando claro que o mesmo vale para outras decisões, como as MPs 422 e 458, também em benefício do agronegócio e em detrimento do meio ambiente e da justiça fundiária.

 

Para além das discussões nacionais, Juliano desacredita de cima a baixo os novos conceitos de responsabilidade ambiental que o capitalismo tentar erigir e dos quais já se apropria. “Não sei se defino ‘economia verde’ como camuflagem, enganação, talvez falte um termo elegante. É preciso uma ruptura com a forma capitalista, principalmente o capitalismo financeiro, e tirar tudo da mão do mercado para se almejar uma ‘economia verde’. Essas conferências servem como um espaço pra discutir, aumentar a conscientização, mas o fato é que os Brics e os países ricos não se comprometeram em nada. Não se trata de ver quem é de direita ou esquerda, a coisa é transversal, todos adotaram esse modelo macroeconômico”, resume.

 

A entrevista completa pode ser conferida a seguir.

 

Correio da Cidadania: Como o senhor avalia o novo Código Florestal aprovado no Congresso e o processo político que conduziu a este novo Código?

 

José Juliano de Carvalho Filho: Acho que segue aquilo que sempre acontece na nossa organização histórica, desde a escravidão. Um código que criou necessidades. Quem criou tais necessidades não foi o país, foram os ruralistas. O processo, em minha opinião, é uma história antiga, de duas vertentes, a do latifúndio e a ambiental. A tática foi criar um clima de insatisfação com o Código Florestal que vigorava e depois colocar o bode na sala. A partir disso, com o bode na sala (as propostas ruralistas), mal cheiroso, se discutiu o Código e suas alterações.

 

Dessa forma, foi um avanço muito grande em prol dos interesses dos chamados ruralistas – digo “chamados” porque deve ser a classe mais poderosa do país. Vai implicar em impactos muito negativos. Ainda estou tentando estudar se a MP editada pelo governo melhora ou piora a situação, mas o fato é que, comparando com o código anterior, esse é muito pior, pois permite mais derrubada de reservas, transformação legal de propriedades enormes em várias propriedades pequenas, consolidação de áreas agrícolas, além de outras contravenções do campo, como a anistia a crimes ambientais, contando também com uma justiça patrimonialista a serviço do latifúndio. São contraventores do campo, não querem recompor área, desmataram, grilaram.

 

O fato é que, no contexto geral, aumentou-se a vulnerabilidade da conservação ambiental brasileira, com claras vantagens aos ruralistas.

 

Correio da Cidadania: O que pensa dos argumentos que ressaltam que o Código supostamente protege os pequenos agricultores, o que se daria, por exemplo, pela não exigência de recomposição da reserva pra propriedades de até 4 módulos fiscais?

 

José Juliano de Carvalho Filho: É o agravante: discursar em favor dos pequenos. É idêntico ao que aconteceu no programa Terra Legal, por exemplo. Fala-se em nome dos pequenos, mas, de fato, beneficiam-se os grandes grileiros, abrem-se terras ao mercado e permite-se o avanço das monoculturas.

 

Em relação às populações tradicionais, continuarão como pobres brasileiros. Em linhas gerais é isso, com consonância muito grande com as medidas que passaram a ser editadas desde o fim do primeiro mandato de Lula, tais como as MPs que legalizaram grilagem e titulação de terras, dificultando algumas lutas indígenas pela terra, por exemplo. Não podemos esquecer de vários casos, como o dos guarani kaiowá, no Mato Grosso do Sul, em que se chegou a uma situação de barbárie total, com assassinatos, suicídios, esquartejamentos de índios, o que temos visto fartamente no noticiário.

 

É tudo muito consistente da parte deles, pois mexem com todas as regras passíveis de serem burladas. É o mesmo discurso da Transposição das águas do São Francisco, do Terra Legal etc. Faço trabalhos no campo desde os anos 70, já cansei de presenciar casos de políticas para o campo anunciadas como benéficas ao pequeno agricultor e que na verdade os prejudicava. Quando se dava crédito para pequenos em alguma área, eram as grandes empresas quem pegavam, de fato, os créditos subsidiados. A história se repete, com as mesmas relações sociais. Agora é a mesma coisa com o Código Florestal, chegando a um ótimo resultado em favor dos ruralistas. O país pagará tanto em danos sociais como ambientais.

 

Correio da Cidadania: Ou seja, têm sido, realmente, muitas e notórias as MPs que, nos últimos anos, beneficiam o latifúndio e os ruralistas, em detrimento da pequena produção e da agricultura familiar. E os governos Lula e Dilma seguem a tendência, certo?

 

José Juliano de Carvalho Filho: Sem dúvidas. Desde o final do primeiro governo Lula. A partir disso, editaram-se as MPs 422, 458 e tivemos o Terra Legal.

 

São duas questões a respeito da política agrária: se pegarmos todos os documentos de política agrária do PT, à época da primeira campanha vitoriosa, e também da segunda, tudo que define reforma agrária, ou seja, mexe com a estrutura agrária, como a revisão dos índices de produtividade, foi sumindo. Não ficou nada, de modo que não há compromisso do governo com a reforma agrária.

 

Paralelamente, podemos elencar mudanças nas políticas agrárias, com medidas que invariavelmente beneficiam o agronegócio. É uma mistura de capital fundiário de pessoas que investem no Brasil em parceria com “brasileiros” (entre aspas, porque o capital e seus agentes não têm pátria), avançando cada vez mais sobre as terras. A cana tem capital externo, o petróleo tem, e essa é a regra geral em nossas commodities. Como exemplo, no estado de São Paulo, os índices de Gini eram razoáveis, mas agora o estado é dominado pela cana, que vai crescendo sem parar, e o índice de Gini só se deteriora.

 

De um lado, uma série de medidas que favorecem o agronegócio e, por outro, uma série de medidas que dificultam a vida dos pequenos agricultores. Agora vemos projetos de políticas que visam criar obstáculos para a titulação e homologação de terras indígenas e quilombolas. De vez em quando se faz um mise en scène, mas os fatos são esses.

 

Com as alianças que fez pra governar, vemos que o governo acabou refém dessa classe ultraconservadora e nociva.

 

Correio da Cidadania: Em sua opinião, o governo Dilma já deixou clara sua política para o campo? Ela pode vir a beneficiar em algum momento a agricultura familiar e a reforma agrária?

 

José Juliano de Carvalho Filho: Acho que ainda não está claro. Mas, novamente, pegando os documentos da campanha presidencial, em determinado trecho vemos que tanto Serra, candidato do PSBD, quanto Dilma, candidata do PT, com suas coligações e tal, ao apresentarem seus programas no TSE mostraram as semelhanças na “política” agrária. Assim como na Carta aos Brasileiros, do Lula, neste caso os dois programas deixaram claro, além dos discursos e convenções, que ninguém tinha compromisso com a reforma agrária. O documento do programa petista terminou apenas com generalidades.

 

No máximo, a Dilma poderia fazer algo como o Lula, ou seja, algumas pequenas medidas em favor dos pequenos, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Entretanto, fazendo políticas que beneficiam acima de tudo o agronegócio em termos estruturais. O problema é que não se coloca a questão da propriedade como origem da pobreza e desigualdade social, o que é uma “aparente” contradição do programa petista.

 

Os ministérios da Agricultura e o do Desenvolvimento Agrário fazem política à parte um do outro. Aquilo que se entende como pequena política ficou subalterna; negros, pobres, índios, sem terras, podem fazer o que quiserem desde que não incomodem. Se começam a incomodar a grande política, isto é, aquilo que gira em torno da macroeconomia...

 

Não tenho esperança de grandes mudanças no mandato da Dilma. Os programas do PT têm a tendência de superconcentrar as terras e deixar avançar as grandes monoculturas de exportação. Já as MPs de benefício ao agronegócio tornam o governo refém de suas contradições políticas, o que redunda em políticas pífias para a reforma agrária. O que funciona mesmo é essa sustentação macroeconômica encampada pelo governo e suas metas. Temos uma especialização e reprimarização retrógradas, como diz o professor Reinaldo Gonçalves, opinião da qual compartilho.

 

Correio da Cidadania: Como o senhor situa as intervenções de Dilma, que não seguiu a campanha maciça de setores mais progressistas pelo veto ao novo projeto de Código Florestal, sancionando-o com 12 vetos e 32 emendas?

 

José Juliano de Carvalho Filho: É difícil responder com convicção, porque o melhor seria ter em mãos todas as versões: o Código Florestal anterior, de 1965, o novo, e aquelas versões que passaram e foram alteradas pela Câmara e Senado, comparando-as ponto a ponto e tendo uma avaliação mais concreta. É preciso ter cuidado com as matas ciliares, propriedades familiares, as águas... Tudo isso tem sido feito em prejuízo do meio ambiente, a exemplo também da questão das áreas consolidadas. É preciso ver tudo detalhadamente pra saber o que pode depois ser revertido na justiça. Mais que isso, não posso dizer ainda.

 

Correio da Cidadania: Como o senhor tem visto a atuação dos movimentos sociais, aqueles ligados ao campo em particular, bem como sua relação com o atual governo?

 

José Juliano de Carvalho Filho: Sou a favor dos movimentos, de modo que toda crítica que faço é no sentido construtivo, pois é neles que vejo esperança de mudanças reais na sociedade. Mas estão tímidos frente ao governo. Claro que fazem suas reivindicações por aí, mas estão tímidos. Reforma agrária e justiça no campo sempre foram conquistas, não concessões, mas as pressões por cooptação são muito fortes. E os movimentos deveriam estar mais agressivos.

 

Correio da Cidadania: O que pensa do papel jogado pelo Brasil, e da imagem que o país tentou vender de si, na conferência Rio+20? A propaganda oficial de desenvolvimento sustentável, com a exploração de “energia limpa”, condiz com nossa realidade?

 

José Juliano de Carvalho Filho: O papel do Brasil é uma grande contradição. Falando do documento final, de acordo com o próprio secretário da ONU, podemos falar que foi fraco. Não há medidas imediatas, de modo que é um fracasso maior ainda que a Eco-92, que pelo menos tinha propostas. O conceito de sustentabilidade não se aplica à realidade do nosso país e, na verdade, desde o documento que o criou, em 1987, não existiu de fato. Os povos do campo estão sendo prejudicados por essas medidas de dita sustentabilidade. Foi uma conferência muito fraca, do G-7 só a França esteve realmente presente, de modo que não saiu nada de muito importante desse encontro. Fica uma mistura de posições, ninguém sabe direito o que é isso (desenvolvimento sustentável), e todo mundo usa o conceito.

 

Correio da Cidadania: Falando em conceito, o que o senhor teria a dizer sobre a “economia verde”, a grande novidade no vocabulário do capitalismo global?

 

José Juliano de Carvalho Filho: O mercado se apropriou dessa história e começou a falar em “verde”. Um exemplo de agora, pequeno, mas emblemático do que acontece, é essa história das sacolinhas de supermercado. São eles, os supermercados, que vão mudar a cultura nacional sobre preservação ambiental? Na verdade, apenas defendem seu interesse econômico, que também está envolvido, uma vez que forneciam as sacolinhas gratuitamente aos seus clientes. A imagem que o Brasil deixou foi um pouco superior pela falta de representação dos outros países. Mas os resultados são fracos. Quais são os resultados e compromissos? Nenhuns.

 

Não sei se defino “economia verde” como camuflagem, enganação, talvez falte um termo elegante. Cada um entende de um jeito e passa a imagem de estar fazendo algo pela preservação. É o capitalismo buscando novas formas de se reproduzir. Com o atual momento, a Europa em sua crise não resolvida, além da concentração de renda de alguns países, é uma roupagem nova.

 

Não vejo esperanças de economia realmente verde, não vejo compromissos realmente sérios e um freio na acumulação capitalista. São questões políticas importantes e diretamente relacionadas. É preciso uma ruptura com a forma capitalista, principalmente o capitalismo financeiro, e tirar tudo da mão do mercado para se almejar uma “economia verde”.

 

Outro exemplo é esse mercado de carbono, que não faz sentido, seria muito melhor taxar as empresas poluidoras. Uma empresa poluidora compra créditos de Moçambique, polui por lá, contamina grande parte do meio ambiente local, das águas, e ficamos assim. Acontece aqui no Brasil também.

 

Essas farsas de mercado não vão deixar de seguir a lógica do capital. Daqui a pouco vão comercializar o ar que o teu neto vai respirar no futuro, vai tudo pro mercado. Dessa forma, tal como já vemos acontecer, teremos a monopolização das águas e bens naturais mais essenciais. Empresas como Nestlé e Coca Cola estão adquirindo territórios que lhes garantem abastecimento de água, o que na verdade é uma apropriação da natureza. A Monsanto é outro exemplo dessa monopolização, como se vê com as sementes, enquanto as propostas e denúncias da Via Campesina, ainda que sendo as melhores para os povos, são ignoradas.

 

Lendo os cientistas (aqueles que merecem consideração), vemos que podemos atingir um desequilíbrio mundial sem retorno, com falta de bens naturais, aumentando ainda mais a pobreza, a barbárie, as disputas, impedindo os agricultores de terem sementes, tendo que se suprir de Monsantos e afins... Tais conferências e governos beneficiam esse modelo, dando pouca esperança para a humanidade.

 

Servem como um espaço pra discutir, aumentar a conscientização, mas o fato é que os Brics e os países ricos não se comprometeram em nada. Não se trata de ver quem é de direita ou esquerda, a coisa é transversal, todos adotaram esse modelo. Usam seus argumentos de sustentabilidade e o mundo se encaminha para mais desastres, prejudicando as populações mais pobres, um dos resultados mais diretos desse “desenvolvimento sustentável”. Os resultados pífios, mornos, da reunião não mudarão isso. E o modelo macroeconômico do país beneficia tal lógica destrutiva. Elogiei algumas medidas do governo Lula, mas elas vêm acompanhadas dessas histórias, do aumento da força da monocultura e da concentração de terras. Os camponeses saem do campo, vão pra cidade e vemos se agravarem as questões agrárias, sociais e ambientais.

 

Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania; Valéria Nader, economista e jornalista, é editora do Correio da Cidadania.

Comentários   

0 #2 RE: 'Fala-se em nome dos pequenos agricultores, mas, de fato, beneficiam-se os grandes grileiros'Daniel 13-09-2012 16:22
Meu caro, já existe um termo elegante para designar tal esquema, em fase de popularização.
Em inglês, Greenwash, geralmente traduzido como Ecobranqueamento.

Adequando-se ao tema: Brasil, um Greewash Estatal.
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0 #1 Direção do MST se Vende para o Pão de Açúcar-CasinoRaymundo Araujo Filh 11-07-2012 14:30
Por entender a importância trágica da notícia sobre a comercialização pela direção do MST de 15 Toneladas de arroz orgânico com a rede de supermercados oligopolizada Pão de Açúcar, agora sob controle acionário de franceses do conglomerado Casino (já se perderam pelo nome...), que mencionei em meu artigo Rio + 20 e cúpula dos Povos: Fracassos em Palco Iluminado, volto ao assunto para esmiuçar melhor e fazer ciência, mais uma vez, que esta direção do outrora aguerrido movimento de massas pela terra, ao meu juízo de valor e baseado em fatos, está mesmo totalmente corrompida e não só ideologicamente, mas também fazendo qualquer negociata, desde que envolva dinheiro para as burras obscuras dos que controlam as receitas do MST e, como aprenderam rápido com o pior do Brasil, inventam desculpas esfarrapadas que, caso fossem verdadeiras, apenas atestariam insanidade ou uma mescla de idiotice político com infantilismo político generalizado.

Justamente no epopéico e fracassado evento midiático mundial, para o desfile de vaidades e safadezas de políticos e de seus capatazes da sociedade civil, a direção MST anunciou, colocando o governo da Grande Mãe Dilma Roussef como articuladora do “negócio”, a venda da quantidade anunciada de arroz sem venenos produzido nos Assentamentos e possibilidade de 10 Ton / mês para a “doce” rede de supermercados com cerca de 150 lojas pelo país, sob várias bandeiras (Extra, Sendas, etc..), sendo uma das redes mais caras em preços abusivos ao consumidor.

Sob os olhares e sorrisos (de que tanto ri, esta gente?) do coordenador do Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar Renato Maluf (prá mim, há muito já se perdeu pelo nome...) e do ministro do MDA Pepe “Legal” Vargas (idem), sob argumento falacioso do membro da direção hegemonicamente pelega do MST e presidente da Confederação Nacional das Cooperativas de Reforma Agrária no Brasil (Concrab) Milton Formazieri, um inconteste atestado do fracasso político da colaboração classes, afinal levada a cabo pelas direções do MST e Via Campesina, dizendo que “precisamos ter apoios na classe média que vão consumir estes produtos”, portanto consciente que colocam o MST para produzir alimentos para quem já está remediado, ao menos, além de não terem pudor algum em desviar esta produção orgânica (sem venenos) para que uma corporação capitalista asquerosa como é este conglomerado erigido pelo patriomonialista, o abelhudo Abílio Diniz, agora sob comando de Casino estrangeiro, que certamente levará o sangue, suor e lágrimas dos Assentados, transformados em remessas de lucros, para a sua matrix na França, bem longe daqui.
Ora! O capitalista presidente da CONCRAB, o Formazieri (aposto que o gajo é petista), mesmo admitindo de soslaio e “em passant” que “pode parecer uma contradição este acordo...”, mas justificando o atentado ao pudor moral, ético e político desta iniciativa, na busca de tão almeijado apoio, não exatamente popular (a classe que média que compra no Pão de Açúcar não é a do Lula, pois esta ganha, em média R$1200,00 para o sustento de quatro pessoas de uma família, e não vai ao caro Pão de Açúcar).

Desta forma, a Via Campesina e o MST, em nome dos Assentados e Acampados sob as suas bandeiras, traem o que era consenso entre todos os apoiadores da Reforma Agrária que dizia que os produtos, advindos deste sistema deveria chegar nas bocas e estômagos da população, notadamente as crianças, da classe pobre e, notadamente pela Merenda Escolar, pois TODOS os gêneros alimentícios foram produzidos a partir do dinheiro público, via PRONAF, esmolas governamentais e pontuais, assim como advindas de outros Programas ou verbas de indivíduos das sociedades civis progresistas de outros países que, certamente não concordam (ao menos a grande maioria) que se venda para a rede Casino, digo, Pão de Açúcar ou para qualquer oligopólio corporativo, do atacado ou do varejo, seja onde for.

Lembrei-me de imediato de um fato que relato a seguir, para demonstrar cabalmente que vem de longe esta prática autoritária e sectária das direções do MST, praticamente escravizando os assentados (quem anda pelos assentamentos sabem muito bem de que maneira eles se impões aos que lá estão).

Como bolsista do CNPq, eu fazia uma série de intervenções de Capacitação e Aprendizagem Rural nos Assentamentos do Mato Grosso do Sul, quando me deparei no Assentamento Geraldo Garcia, com um plantio de melancia orgânica, cuja semente fora dada aos Assentados pela direção do MST, ficando TODA a mão de obra, riscos na produção, colheita no encargo dos Agricultores, e dividindo 60% para a direção estadual do MST no MS e apenas 40% para as famíias agricultores, em uma relação mais injusta ainda para quem trabalha na terra, do que o sistema tradicional de MEEIROS, tão comum no Brasil, entre proprietários e agricultores sem terra.

Quando as melancias amadureceram, a direção do MST foi lá “coordenar a colheita”, tendo eles levados para a capital Campo Grande 60% das melhores melancias plantadas, deixando no canteiro os 40% do assentamento, sendo que destes, talvez estivessem próprias para aproveitamento apenas cerca de metade do ficara por lá, pois as boas, como já escrevi mas repito, “foi passear na cidade”. Naquela época, 2002-2003, o pior das tradições das elites brasileiras já estavam instaladas dentro do MST...

O que acontece hoje, nada mais é do que a (de)generalização do que já acontecia há dez anos, dentro do MST, enquanto a sua direção praticava abertamente a colaboração de classes, defensores ferrenhos e agressivos do Lula e sua tropa, mas criticando “de leve” a sua poliitittica, mas sem largar o osso, digo, o apoio ao governo, que sempre renderam caraminguás pontuais, em troca do abandono da Reforma Agrária “e não se fala mais nisso”.

O mesmo eu poderia dizer sobre o péssimo e morto (esterelizado e sem lacto bacilos) “leite de caixinha” vendido em supermercados de São Paulo e Curitiba (nestas capitais já vi pessoalmente) Cooperativa de Assentamentos de São Gabriel do Oeste, mostrando que o que alguns no MST dizem em suas entrevistas amaldiçoando o “leite de caixinha”, em puro proselitismo político, pois arealidade é outra, aliás, oposta aio que dizem.

Não é possível que todos enendamos que por ser TODA ela financiada pelo erário, composto pelo nosso impostos pagos, a produção advinda dos Assentamentos deve ser obrigatoriamente endereçada para o Povo Brasileiro que mais necessita de bons alimentos, como são as crianças em idade escolar que frequentam as escolas públicas brasileiras, e não os membros da classe média para cima que, afinal, têm recursos para se abastecerem em supermercados nada populares que, por sua vez, têm onde comprar os mesmos produtos, mas que não foram produzidos com dinheiro público.

Atento como cidadão e profissional que sou na área da produção de alimentos ecológicos e na Agricultura Familiar e Reforma Agrária, não posso deixar de relacionar este “negócio da China” entre capitalistas do varejo de alimentos e pelegos do MST, como parte da estratégia do governo federal fazer chegar aos supermercados os produtos ecológicos, “como política de baratear os preços finais aos consumidores”, como está exposto no recente anúncio de mais um cala boca, digo, pacote de medidas “em auxílio à produção orgânica”, prometido pelo governo federal às vésperas da Rio + 20 que, a meu ver e com toda a certeza vai é depreciar mais ainda o preço pago ao produtor que devia, a meu ver, estar sendo aquinhoado com compras de Estado e a bom preço de seus produtos ecológicos, e processados em moinhos dos próprios produtores familiares e não quase que doados aos moinhos tradicionais, estes sim sempre aquinhoados com verbas federais para seus equipamentos (bens de produção) para os seus meios de produção e agregação de valores (agroindúsrias).
Assim, creio que, ao menos em fatos e argumentos, não pode haver dúvida sobre o caráter duvidoso e iniquidade políitica destes que fazem parte da direção do MST, ao fazer negócios com produtos alheios, produzidos com dinheiro de terceiros. Desta forma, estou no firme propósito de colocar esles e quem os apóia (os argumentos são vários, nenhum deles fundamentados ou siustentáveis em minutos de debates.

Determinado estou em apoiar mais ainda que se forge uma Reforma Agrária justa e efetiva ao Povo Brasileiro e para isso, lanço as seguintes premissas:

1) Não conferr nenhum tipo de apoio à direção do MST, ao contrário denunciá-la com todos os meios, sobre a promiscuidade, agora não só política, mas também financeira com o governo e o capital.

2) Instigar para que a Base aguerrida do MST dê uma passa fora nesta pelegada que dirige institucionalmente o MST, e denuncie os métodos nada razoáveis para a manutenção Da “ordem” (= obediência) nos Assentamentos e Acampamentos, com brigadas agindo com o verdadeiros milicianos, dentro e fora dos Assentamentos.

3) Desconsiderar como “politicamente aceitável” aqueles que querem continuar apoiando quem agora vende o sangue, suor e lágrimas dos assentados para o lucro empresarial corporativo oligopololizado e internacionalizado

4) Organizar manifestações para exigir compostura destes falsos líderes, de forma presencial (“na lata”), seja em que evento for, os denunciando como traidores do povo brasileiro, os comparando com agentes da ditadura militar, pois aos objetivos dela ela servem, em outros tempos e de outras formas.

5) Alertar a esta classe média que o MST quer conquistar que o arroz e leite que compram “da Reforma Agrária”, teria outra destinação mais justa, e já esperando que este leite traga um tremendo piriri nos pequenos banheiros (como agora é moda) destas corporações ou casa de remediados.

6) Conversar com parceiros e amigos sobre a necessidade de BOICOTARMOS a compra destes produtos da Reforma Agrária nos supermercados, assim como a de qualquer produtos orgânicos, pois esta é uma armadilha que visa desconstruir as feiras orgânicas que se espalham no país, possibilitando que o produtor dialogue diretamente com o consumidor, inclusive para a formulação de seus preços, co o deve ser em uma sociedade livre de corporações capitalistas a comprar barato e vender caro.

7) Continuar denunciando a forma cruel e frívola com que a direção do MST e Via Campesina trata dos interesses dos assentados, os colocando a serviço das questiúnculas eleitoreiras do PT, Partido ao qual estão umbilical e covardemente ligados, apesar do proselitismo crítico que fazem, sempre que querem mais verbas.

8) Estimular a revolta e reação dos assentados e acampados contra as amarras e os grilhões que lhes são impostos pelos embusteiros coordenadores do MST e Via Campesina (coloquem aí também MLST de Bruno Maranhão, FETAG, CUT Rural, FETRAF), pois não é por acaso que após a sociedade, em 2002 ter consensuado a necessecidade e justeza da reforma agrária, passados 10 anos de “governos populares” estarmos em pleno retrocesso.

Leiam também diversos artigos escritos por mim, e há tempos, anunciando com antecedência enorme o que aconteceria com o MST, dirigido por Stédile e sua claque. Clique aqui.

• Raymundo araujo filho é médico veterinário Homeopata e grita sem temer parecer do lado de lá: Fora Stédile, Direção do MST e da Via Campesina, pelegos incontestáveis que causam o descrédito e o fim das reivindicações pela Reforma Agrária!. E, do lado de lá é a vovozinha!
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