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Brasil e Paraguai: a diferença é a capacidade de se vender Imprimir E-mail
Escrito por Raphael Tsavkko   
Quarta, 27 de Junho de 2012
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Dilma ligando para Lugo: "Tá vendo? Eu disse que não bastava se aliar com a direita, é preciso governar para a direita".

 

Esse diálogo, obviamente hipotético, não me parece distante da realidade, das possibilidades. Dilma e Lugo se sustentam sob uma base de centro-direita. Lugo se sustentava em base composta pelo Partido Liberal e por setores do Partido Colorado. Dilma ainda tem o PT e mais um ou outro partido que se declara de esquerda - por mais que não sejam - em sua base, mas ainda assim é dominada pela direita. Ou melhor, deixou-se dominar através de alianças com a direita, desde a liberal até a abertamente fascista. De PMDB a PP, com passagem pelos evangélicos do PSC e os pastores do PR. Lugo, por outro lado, não tinha nenhum parlamentar de seu partido/coalizão eleito, dependia inteiramente do partido de seu vice e algoz, Frederico Franco, cujo sobrenome é de causar calafrios.

 

E Dilma, assim como Lula, logo aprendeu que para se manter no poder o caminho mais fácil era fingir que colocava em prática bandeiras dos movimentos sociais e que transformava a sociedade através de imensa propaganda, com uma militância fanatizada e cega, e programas e projetos que, na verdade, tinham e têm o objetivo apenas de criar um mercado consumidor mais amplo.

 

Educação? “Coloquem os pobres em ‘UniEsquinas’ que lá não terão educação de verdade - mas pensarão que têm - e garantimos os lucros imensos aos empresários do setor. Vamos dizer que todo o país é de classe média, uma bela jogada de propaganda, mesmo que sob renda per capita de 291 reais por família” - o que é situação de miséria em qualquer outro país sério.

 

Com juros mais baixos, o que em si é bom, conseguem fazer com que a população consuma mais e se endivide mais, passando a idéia de que os bancos não lucrarão muito com isso. “Vamos elevar a renda dos mais pobres, não para que tenham dignidade, mas para, com 291 reais ou um pouco mais, poderem consumir e, claro, garantir o lucro dos empresários”.

 

E por aí vai...

 

No fim das contas, bandeiras como a dos direitos reprodutivos da mulher, luta contra homofobia, reforma agrária e outros assuntos proibidos pelos aliados conservadores foram fácil e rapidamente abandonadas por Dilma, pelo PT e pelos remanescentes de esquerda da base. Salvo um ou outro, todos preferiram o fácil poder à dignidade e à ética.

 

Mas a tática deu certo, o PT continua no poder. Repete que luta contra a direita, representada quase que exclusivamente pelo PSDB (ainda que o PT esteja aliado com o PSDB em várias cidades) e pelo DEM, cujos membros, em grande maioria, migraram para o PSD, que agora apóia o PT e, claro, recebe sua parte do bolo.

 

Lugo, por sua vez, parece realmente não ter escutado ou aprendido com Dilma. Fez aliança com a direita, mas não aceitou integralmente seu programa. Não aceitou criminalizar abertamente camponeses e os mais pobres e não aceitou derramar o sangue dos membros dos movimentos sociais. Lutou contra o pior que a direita podia fazer. Não que tenha feito um governo de esquerda ou exatamente bom, mas ao menos conseguiu frear boa parte do ódio que a elite tem pelos que não aceitam calados sua situação de subserviência e pobreza.

 

O Paraguai não é o Brasil, não há dinheiro infinito para dar a aliados sempre que reclamam. Por mais que o Brasil não seja um paraíso, o Paraguai é um país ainda mais pobre, com uma miserabilidade muito maior (em termos proporcionais), com uma sociedade civil mais desorganizada que a nossa e com uma mídia ainda pior e claramente golpista. Lugo não cedeu em tudo, como fez e faz Dilma e em menor grau Lula, e pagou o preço.

 

Lugo caiu, mas decidiu não resistir. Fica como lição para certa esquerda que aliança com a direita não é garantia de nada. Caso contrarie os "aliados", o golpe pode chegar. Não se confia em fascista, não se coloca a segurança de um país nas mãos de forças retrógradas e conservadoras.

 

Para a América Latina fica também uma lição, a de que é preciso unir os esforços para evitar a retomada da direita, seja pelas urnas, seja por golpes. E a direita é mestra em dar golpes. Honduras primeiro, agora o Paraguai. A direita está começando pelas periferias da América Latina, pelos mais vulneráveis, mas pode se animar ainda mais.

 

Raphael Tsavkko Garcia, jornalista e blogueiro, formado em Relações Internacionais (PUC-SP), é mestrando em Comunicação (Cásper Líbero).

Blog: http://www.tsavkko.com.br/

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Última atualização em Terça, 03 de Julho de 2012
 

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