A lista de Schindler brasileira

 

“A lista de Schindler” é um filme comovente, acerca de um alemão que salvou a vida de centenas de judeus, empregando-os em suas fábricas de armamento destinado aos exércitos de Hitler.

 

Pois bem, há uma brasileira que fez o mesmo que Schindler e em circunstâncias bem mais difíceis e perigosas do que ele, posto que, enquanto Schindler atuava às claras, protegido pelos altos militares a quem subornava, a brasileira realizava atividade ilegal, suscetível de severa punição caso fosse descoberta.

 

Esta brava compatriota, nascida no Paraná, veio a falecer em 2011. Chamava-se Aracy Moebius Guimarães Rosa e era mulher do famoso autor do “Grande Sertão, Veredas”. A ela, Guimarães dedicou essa obra prima.

 

Nos anos trinta do século passado, Guimarães ocupava o cargo de cônsul no Consulado Brasileiro de Hamburgo. Em razão disso, Dona Aracy, sua mulher, tinha acesso ao local. Com a cumplicidade do cônsul, seu marido, ela fornecia passaportes falsos a judeus, o que lhes permitia passar incólumes pela fiscalização dos nazistas na hora em que embarcavam nos navios que os conduziriam ao exterior.

 

Essa extraordinária pessoa, chamada pelos judeus de “O anjo de Hamburgo”, é a única brasileira que recebeu a honra de figurar, junto com apenas outras dezoito pessoas, no Museu do Holocausto em Jerusalém. No entanto, essa excepcional figura não obteve, até hoje, uma única homenagem pública em sua terra natal.

 

De se lembrar ainda que, de volta ao Brasil, escondeu em sua casa, durante o pior período da repressão dos militares contra opositores do regime, Geraldo Vandré e Franklin de Oliveira.

 

Felizmente a omissão poderá ser, em breve, corrigida: o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) solicitará das autoridades do Ministério da Educação a colocação do nome de Da. Aracy em uma das Escolas Técnicas do país. Além disso, solicitará da Petrobrás, BNDES, ou outra autarquia do governo federal, verba para realizar um filme sobre a vida e a empreitada salvadora de Da. Aracy na Alemanha.

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