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ISSN 1983-697X

Editorial

Uma decisão infeliz no Supremo


Aceitando a alegação de cerceamento de defesa, o STF anulou a decisão do Júri que condenou o mandante do assassinato da freira norte-americana Dorothy Stang, julgamento este realizado em 2.005. O advogado do réu alegou cerceamento de defesa, porque teve “apenas” doze dias para examinar os autos.  

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Estado e forma política

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  Estado e forma política, de Alysson Leandro Mascaro, Editora Boitempo, Ano 2013  
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Rebeldes sírios também barbarizam Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 15 de Junho de 2012

 


Há coisa de 10 dias, um grande massacre aconteceu na cidade de Houla, onde mais de 100 civis sírios, inclusive mulheres e crianças, foram assassinados a queima-roupa. Logo de cara o Ocidente concluiu que o crime fora cometido por forças do governo Assad.

 

Os EUA apressaram-se a fazer uma veemente condenação. O Presidente Hollande pediu a intervenção militar da ONU. E 12 países expulsaram os diplomatas sírios.

 

Todos estes fatos foram largamente noticiados e severamente analisados pela mídia, não só do Brasil, como da maioria dos países do mundo. Mais tarde, chegou-se à conclusão de que o crime não fora cometido por soldados do governo Assad, que não chegaram sequer a entrar na cidade.

 

Alguns especialistas opinaram que, pelo tipo do crime, os responsáveis deveriam ter sido milicianos, provavelmente estrangeiros.

 

A máquina de propaganda do Ocidente não se apertou. Identificou tais milicianos como membros de um tenebroso grupo de paramilitares, subvencionado por Assad. E a nossa grande imprensa (escrita, falada e televisiva) apressou-se a divulgar essa versão com destaque.

 

De repente, ficou provado que era mentira. Reportagem do conceituado jornal alemão, Frankfurter Allgemine Zeitung, informou que os autores do massacre de Houla foram milicianos sunitas anti-Assad. A maioria das vítimas assassinadas eram membros  das minorias xiita e alawita, que apóiam o governo.

 

Segundo a reportagem, os informantes foram civis anônimos, adversários do governo, que admitiram seu envolvimento no episódio. “De acordo com testemunhas oculares”, diz a reportagem do Frankfurter Zeitung, “os assassinados eram quase todos  exclusivamente membros de famílias das minorias xiitas ou alawitas. Vários outros eram membros de uma família que se converteu do sunismo para o xiiismo…assim como a família de um sunita membro do parlamento sírio que é considerado colaborador de Assad”.

 

A reportagem continua: “Imediatamente depois do massacre, os autores filmaram suas vítimas e depois apresentaram-nas como vítimas sunitas num vídeo postado na internet”.

 

Há outras testemunhas, como monges do mosteiro de São Jaime, em Qara, que afirmaram terem sido os sunitas quem assassinaram as vítimas de Houla, tendo depois atribuído o crime a milicianos pró-Assad, na esperança de que isso provocaria uma intervenção militar estrangeira na Síria.

 

Estes fatos todos foram revelados por parte da imprensa internacional, mas solenemente ignorados pelas grandes cadeias jornalísticas brasileiras.

 

Não há dúvida de que forças do governo sírio praticaram atentados gravíssimos contra os direitos humanos. Mas os rebeldes fizeram o mesmo.

 

A nossa mídia tem todo direito de expressar suas opiniões. Não pode esconder fatos que as contradizem sob pena de estar desmoralizando a liberdade de imprensa.

 

Luiz Eça é jornalista.

Última atualização em Segunda, 02 de Julho de 2012
 
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