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Quem tem medo da verdade e por quê? Imprimir E-mail
Escrito por Paulo Silveira   
Quarta, 06 de Junho de 2012
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Com referência ao editorial “Opinião” do Jornal O Globo, publicado em 24/05/2012, sob o título "Guerra ao crack pressupõe recolhimento" (veja a seguir), acreditamos que vem a ser uma excelente oportunidade para refletirmos em conjunto a construção da informação a respeito desse tema na nossa mídia tradicional.

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Ao ler o artigo (reproduzido a seguir com nossas observações) fica evidente o quanto são contraditórias as informações a esse respeito, dificultando que todos aqueles que se interessem pelo tema entrem em contato com a realidade, em última instância, impossibilitando que sejam elaboradas e executadas políticas públicas que interajam de fato com a realidade de nossa cidade. Tal conduta gera confusão e pânico em nossa população em torno do tema, além da perda de credibilidade junto da mídia em geral, o que poderá vir a ter conseqüências inestimáveis ao nosso país e todos aqueles que lutam pela democracia, pelo Estado de direito e, principalmente, pela LIBERDADE DE IMPRENSA.

 

Com a intenção de facilitar a compreensão do exposto, gostaríamos de deixar claro alguns pontos a nosso respeito:

 

  1. O “Respeito é BOM e eu gosto!” é um movimento da sociedade civil que luta pela implantação de políticas públicas que atendam a TODOS os usuários de drogas.
  2. A priori não somos contra a internação compulsória, muito pelo contrário, recomendamos veementemente para alguns casos.

 

As reproduções do texto original estão em itálico.

 

“Guerra ao crack pressupõe recolhimento”

 

E recolhimento pressupõe internação e internação pressupõe aparelhos do Estado capazes de conduzi-la a contento, a começar por profissionais capacitados para tal. Mas o que pensar se nossos hospitais municipais estão sendo fechados exatamente por falta de MÉDICOS, como demonstra reportagem publicada por vocês, de O Globo, em 31/07/2011 e de lá para cá a situação só tem se agravado?

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“O uso de crack atinge índices epidêmicos no Rio - e, de resto, nas regiões metropolitanas das grandes capitais do país”.

 

Devemos nos lembrar que o crack está em nossa sociedade há aproximadamente 30 anos (desde o início da década de 80) e só agora chama a atenção de todos. Se é verdade que o crack se espalha rapidamente em nossa sociedade, por que só após 30 anos ele nos chama a atenção?

 

“Um mapeamento preliminar, portanto não completo, feito mês passado pela Secretaria Municipal de Assistência Social indicou que a cidade tem pelo menos 11 áreas conhecidas como cracolândias”.

 

Interessante esse dado de 11 cracolândias porque matéria do jornal Folha de São Paulo, publicada em 19/05/2012, sob o título “Tropa não tem data para deixar morro”, divulga informação da prefeitura do Rio de Janeiro de 17 cracolâncias (veja mapa a seguir). Todos que militam com a questão das drogas sabem que o número real de cracolândias é MUITO maior, uma vez que não são contabilizadas pela prefeitura aquelas situadas em regiões de difícil acesso, como as favelas que não estão ocupadas por UPPs ou as ocupadas por milícias e outras que no mapa aparecem como ponto único, mas, na realidade, são vários e independentes (como as comunidades da Maré).

 

Cabe lembrar que no início o crack teve dificuldades de ser comercializado na cidade do Rio de Janeiro porque os traficantes impediam sua difusão e comercialização. O crack foi introduzido na cidade por universitários, através da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, um verdadeiro e histórico centro de comercialização e difusão de drogas por todos tolerado.

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“Por onde circulam diariamente cerca de três mil pessoas, 20% delas menores de idade. É um desfile de usuários da droga, a grande maioria vencida pelo vício”.

 

Esse dado é também bastante curioso, tendo em vista que matéria publicada pelo Globo no dia 21/05/2012 sob o título “Crack: ação no Catete já recolheu 608 usuários”, informava que “Nos relatórios da secretaria constam ainda 2075 acolhimentos de crianças e adolescentes, das quais 80% tiveram envolvimento com crack e/ou outras drogas.” O que pressupõe que teriam sido acolhidos 8.300  adultos, partindo do pressuposto que 20% dos 80% são crianças e adolescentes (não se utiliza mais o termo “menor de idade”).

 

A partir desse dado, onde internaríamos esses 8.300 adultos acolhidos? O sistema público de saúde mental está sem vagas para receber até mesmo os usuários de drogas que desejam se internar, como demonstra excelente matéria do Jornal da Band, além da matéria “Clínicas grátis para viciados chegaram ao fundo do poço”, publicada no Jornal O Dia, em 05/05/2012, que alertava para fato que “só restam 180 leitos em duas (clínicas), em Santa Cruz e Valença, que funcionam precariamente. Espera por vaga demora até sete meses” (?!).

 

“São números impressionantes, que levaram o prefeito Eduardo Paes a assinar convênios com os governos estadual e federal, visando a frear o avanço da droga através do programa “Crack, é possível vencer", parte de um plano nacional de enfrentamento deste flagelo. O projeto capacitou o Rio a receber R$ 40 milhões para ações de redução de danos, como a ampliação de consultórios de rua, abrigos-modelos e do número de leitos para o tratamento de viciados.


Portanto, ao menos nas intenções o município (???!!!) procura se equipar para uma cruzada contra a droga. Na prática, no entanto, a guerra está longe de ser vencida, como indica a reportagem publicada esta semana no GLOBO: das 608 pessoas recolhidas entre sexta-feira passada e a manhã da última segunda-feira, durante operação contra a cracolândia no Morro Santo Amaro...”

 

Cabe lembrar que nessa mesma comunidade a prefeitura já vinha desenvolvendo um trabalho específico de “combate ao crack”, conforme matéria publicada pelo Globo em 26/01/2012, a seguir, com os resultados que vemos nesse momento.

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É interessante observar que mesmo a prefeitura tendo a prerrogativa da internação compulsória para crianças e adolescentes e estando presente nessa comunidade há quatro meses, foram encontrados 36 crianças e adolescentes usuários de drogas nessa comunidade, em um local de fácil acesso e facilmente identificado como demonstraram diversas matérias vinculadas em nossas mídias, como por exemplo, “Plano Nacional de Combate ao Crack faz a primeira grande operação no Rio”, da TV Globo.

 

O que pensar a esse respeito? “No Catete, somente 36, menores, permanecem acolhidas numa central de recepção de usuários”. Quem são, onde estão e o que foi feito dessas crianças e adolescentes, uma vez que o número de internos nos abrigos da prefeitura que recebe essa população permanece inalterado há meses?

 

Cabe lembrar da matéria publicada por vocês em 29/9/2011, denunciando que um grupo de crianças e adolescentes acolhidos pela prefeitura exatamente nessa área foi libertado pouco depois de terem sido encaminhados a DPCA (Delegacia de Proteção a Criança e Adolescentes(!)), ou seja: o fato de terem acompanhado esse grupo até a central de recepção de usuários não garante que tenham sido internos.

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“De 572 adultos levados para um abrigo, quase todos já haviam voltado às ruas no dia seguinte. Muitos nem chegaram a dar entrada no órgão: voltaram para a vida de vício minutos depois de descerem dos ônibus que os transportaram até o local onde, em tese, deveriam se submeter a tratamento”.

 

Essa observação é também extremamente interessante, suscitando em nós uma pergunta: já que se pretende atender a justa e legítima demanda do Estado cuidar dos necessitados, no caso usuários de drogas, seus familiares e afins, por que não começar a fazê-lo com aqueles que desejam se tratar e não encontram aonde, como vimos anteriormente? Pesquisa desenvolvida pela FIOCRUZ apontou que 71% dos usuários de crack da cidade do Rio de Janeiro desejam se tratar, mas não encontram aonde. Recente matéria do programa da TV Record, Balanço Geral, apresentado por Wagner Montes, mostrou o estado absolutamente lastimável dos abrigos da prefeitura do Rio para acolhimento de moradores de rua, sendo que um deles, em Sepetiba, tinha 350 adultos abrigados, sem cama para todos, com um único vaso sanitário e três chuveiros, para todos também.

 

Se o poder público quer cumprir com sua obrigação constitucional de prover atendimento aos usuários de crack, porque não divulgar um endereço e telefones para onde os usuários, familiares e afins que queiram se tratar deveriam se dirigir?

 

Diversas pesquisas e a prática demonstram que, com certeza, ex-usuários de drogas são os melhores propagandistas que pode existir de um tratamento exitoso.

 

“Reflexo de uma política que mais se assemelha à prática de enxugar gelo do que a um plano de ação que vise a, de fato, dar alternativas de recuperação e reinclusão social a usuários de uma droga cujo vício lhes rouba todo o futuro”.

 

E aqui, de novo, é abordado um tema absolutamente relevante com uma expressão bastante apropriada: “enxugar gelo”.

 

Não seria “enxugar gelo” também promover políticas de atendimento de usuários de drogas, sejam crianças, adolescentes ou adultos, sem investir solidamente em políticas de prevenção? Vamos refletir a partir de uma situação similar, a AIDS, por exemplo. De que adiantaria ter a política pública de distribuir medicamentos para os soros positivos se não se distribuísse preservativos e não se fizesse campanhas de esclarecimentos de como usá-los, por exemplo? Os senhores não concordam que é URGENTE que discutamos a respeito de qual seria o “preservativo” para drogas? Países que conseguiram sucesso em relação à questão das drogas, e mesmo o Brasil com o tabagismo, investiram muito mais na prevenção do que no atendimento. Será que as escolas do Rio estão preparadas para tal? Vejam a matéria de vocês a seguir.

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“Os esforços do poder público para refrear a disseminação do crack na cidade podem até conter equívocos, compreensíveis quando se trata de formular uma linha de ação para enfrentar um problema cujas conseqüências ainda não são totalmente conhecidas. Neste caso, trata-se de corrigir rotas.


O mais grave é que ações esbarram em irresponsáveis resistências ao recolhimento compulsório de adultos a instituições, de modo a lhes assegurar tratamento contra o vício, medida crucial para mudar a curva de consumidores crônicos. Os obstáculos partem não só dos próprios adictos - muitos num estágio de dependência que lhes tira a capacidade de discernir -, mas também de entidades que contrapõem palavras de ordem grandiloqüentes, mas ineficazes, à necessidade de enfrentar realisticamente essa tragédia”.

 

Dentro desse princípio, não poderiam os opositores da política de internação compulsória serem produtos da desinformação criando “irresponsáveis resistências” geradas pela constante publicação de matérias jornalísticas em nossas mídias, com informações equivocadas, criando, por exemplo, a possibilidade de um leitor mais desatento transformar a vítima em seu próprio algoz e o algoz em vítima?

 

“O crack é uma droga que vicia rapidamente e, a partir de um estágio do consumo, degrada física e mentalmente o usuário. Não à toa, é alvo em todo o mundo de programas de combate à sua disseminação, não só por suas comprovadas agressões à saúde de quem o consome, mas também por uma perversa particularidade social: por ser uma substância de preço mais acessível que o de outros entorpecentes, tornou-se um tóxico de uso preferencial do estrato social mais carente da sociedade”.

 

Mais uma vez os parabenizo por trazerem para nossa reflexão esse tema sob essa abordagem, tendo em vista que na matéria “Crack: ação no Catete já recolheu 608 usuários”, aqui citada diversas vezes afirma-se que:

 

“Um levantamento da Secretaria Municipal de Assistência Social mostra que o crack é a droga mais consumida entre moradores de rua do Rio. A pesquisa ouviu os 3.194 adultos acolhidos em ações do órgão, entre março de 2011 e abril deste ano. Das pessoas em situação de rua acima de 18 anos, 24% (774) responderam que são dependentes de crack, contra 20% (638) de álcool, 15% (486) de cocaína e 12% (364) de maconha.”

 

Como podemos observar, pesquisa da própria SMAS chega à conclusão que o crack é consumido por somente 24% dos adultos acolhidos, sendo, portanto, 76% deles usuários de outras drogas. Além disso, pesquisa do Ministério da Saúde demonstrou que o álcool é o responsável por 85% das mortes provocadas pelo consumo de drogas, sejam as lícitas ou as ilícitas, sem considerar os acidentes e incidentes, o que elevaria em muito o percentual referente ao álcool.

 

Por que será então se continua atribuir ao crack e somente ao crack todas as mazelas dessa população?

 

Por que dar o nome de cracolândia aos pontos de encontro de usuários de drogas?

 

Paulo Silveira é membro do movimento “respeito é BOM e eu gosto!”

Website: www.reBOMeg.com.br

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Última atualização em Sexta, 08 de Junho de 2012
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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