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A bomba e o banheiro Imprimir E-mail
Escrito por José Luís Fiori   
Qui, 16 de Agosto de 2007
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“Tudo quanto vemos esconde alguma coisa”, René Magritte

 

 

Segundo a maioria dos analistas econômicos internacionais, a explosão da “bolha imobiliária” americana não se transformará numa crise sistêmica. Será limitada, e atingirá apenas a credibilidade dos títulos e dos fundos de segunda linha, inchados pelo excesso de crédito, e pela exuberância especulativa dos investidores imobiliários americanos.

 

Além disto, os Bancos Centrais da Europa, Estados Unidos, Japão e Canadá reagiram de forma rápida e coordenada, e fizeram intervenções superiores às do 12 de setembro de 2001. E o que é mais importante, a explosão da bolha já era esperada faz muito tempo, e aconteceu num momento extraordinário da economia mundial, com uma previsão de crescimento do seu PIB, de mais de 5%, e do seu comércio, de cerca de 10%, ainda em 2007.

 

Até o momento, não existem grandes bancos na linha de tiro, e quase todos as economias emergentes parecem a salvo, resguardadas por suas reservas acumuladas no período recente de crescimento global. Por fim, o Banco Central da China, e o próprio Banco da Inglaterra, não participaram da operação conjunta de injeção de recursos nos mercados ressecados, caracterizando uma situação de estresse concentrado no eixo Euro-Dólar, onde chama atenção o papel decisivo que vem sendo cumprido pela Alemanha, como emprestador em última instancia. Assim mesmo, do ponto de vista estritamente financeiro e bursátil, segundo estes analistas, a nova crise se restringiriria à uma turbulência passageira, de ajuste de mercados que perderam o sentido do risco.

 

Mas existe uma outra maneira de olhar para estes mesmos acontecimentos, quando se sabe que por trás de todo título ou hipoteca, existe uma dívida e uma moeda, e que a as moedas não são apenas um meio de pagamento ou de troca do mercado. E menos ainda, no caso das moedas de referência dos Sistemas Monetários Internacionais, como a Libra, o Dólar, ou o Euro.

 

Na verdade, as moedas nacionais são uma criação, e uma imposição soberana, do poder dos Estados modernos. E as moedas internacionais seguem sendo moedas nacionais, que lograram se impor fora das suas fronteiras junto com o poder dos seus Estados e dos seus capitais privados.

 

Neste sentido, todas as moedas internacionais vitoriosas, ademais do seu papel básico, cumprem a função de “fronteira” do território político-econômico supranacional dos seus estados. Como conseqüência, se pode falar da existência de uma hierarquia de moedas que corresponde mais ou menos à hierarquia de poder dos seus Estados emissores e dos seus capitais de investimento. E também se pode dizer que as moedas são um instrumento de poder na luta entre as nações, pela supremacia mundial.

 

Por isto, seu grau de aceitação externa é sempre um bom índice do poder internacional acumulado pelo seu estado emissor. E por isso também os sistemas monetários internacionais podem ser lidos como um retrato bastante fiel da correlação de forças existente, num determinado momento, entre as grandes potências. Foi assim, no caso do “padrão ouro-libra”, e no caso do “sistema dólar-ouro” de Bretton Woods. E segue sendo assim, no sistema monetário internacional “dólar-flexível”, que se consolidou depois do fim da Guerra Fria, com base apenas, na “credibilidade” do poder americano.

 

Deste ponto de vista, a crise financeira dos últimos dias pode ter uma dimensão menos visível à primeira vista, e menos relevante para os especuladores, mas de efeitos mais prolongados. Senão vejamos: durante a década de 90, no auge da globalização financeira, o dólar se transformou numa moeda internacional quase global ou imperial. Mas desde 2003, o poder americano vive um verdadeiro pesadelo, depois do seu fracasso no Oriente Médio.

 

De uma só vez, os Estados Unidos ficaram sem um projeto estratégico para o Oriente Médio e sem capacidade de impor sua vontade – unilateralmente - em outros pontos conflitivos do cenário internacional. O mundo convive hoje sem a liderança dos Estados Unidos e já absorveu a idéia de mais um ano de imobilismo do governo Bush.

 

Deste ponto de vista, a grande novidade dos últimos dias foi a descoberta de que uma possível vitória democrata, nas eleições de 2008, não mudará a agressividade e o belicismo da administração republicana e aumentará o protecionismo econômico, com relação à administração Bush.

 

Talvez por isto mesmo se multiplicam por todos lados, neste momento, as forças e os países que colocam sobre a mesa, de forma cada vez mais explícita, suas reivindicações expansionistas. No mesmo dia da crise da bolha imobiliária, a aviação russa sobrevoou a base militar americana de Guam, no Pacífico, pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria. E, na mesma semana, colocou uma bandeira russa de titânio no leito do mar do Ártico, num gesto simbólico de disputa territorial, energética e militar com o Canadá, Noruega, Dinamarca e Estados Unidos. Quase na mesma hora em que anunciava sua decisão de reiniciar a corrida armamentista com os Estados Unidos, a China, a Grã Bretanha e a França, e de forma menos explicita, com a Alemanha e o Japão.

 

Esta mesma disputa territorial e competição energética e militar se repete neste momento na Ásia Central, no Sudeste Asiático, na África e mesmo na América Latina, numa linha de deterioro das relações internacionais que passa pela crise das instituições multilaterais e pela competição e pela militarização cada vez mais rápida dos territórios, mares e espaços.

 

Por isto, não seria de estranhar que esta competição já estivesse alcançando o mundo das moedas internacionais. Alguém já disse alguma vez que toda crise monetária esconde sempre uma disputa entre várias moedas com pretensões internacionalizantes e que estas lutas monetárias, por sua vez, escondem sempre o aumento da tensão entre seus poderes emissores.

 

Para os economistas de jornal e de banco, estes fatos não têm maior importância e não devem alterar suas análises e investimentos. Mas para os governos e os economistas que pensam no longo prazo, seria bom que prestassem atenção nos desdobramentos geopolíticos da conjuntura atual, para não serem surpreendidos como no célebre caso do cidadão que estava no banheiro na hora da bomba atômica norte-americana e atribuiu a explosão e a bolha sobre Hiroshima à válvula sanitária que acabara de utilizar.

 

 

José Luís Fiori é professor de Economia Política Internacional no Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

Publicado originalmente pela ALAI.

 

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