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Uma CPI descaradamente corrupta - “Vocês são como sepulcros caiados” Imprimir E-mail
Escrito por Frei Marcos Sassatelli   
Sábado, 26 de Maio de 2012
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Quando pensava que, em matéria de corrupção, não ia me surpreender com mais nada, fiquei totalmente perplexo, diante da desfaçatez sem limites da CPI do Cachoeira, no Congresso Nacional.

 

Vejam o que diz a imprensa. “A CPI poupa políticos e empreiteira e decide limitar investigação. Acordo selado pelo PT, com o incentivo do Planalto, engaveta pedidos para convocar três governadores”. E ainda: “Num jogo combinado entre o governo e parte da oposição, a CPI do Cachoeira engavetou ontem (17/05/12) pedidos de investigação de três governadores (Sérgio Cabral - PMDB-RJ, Agnelo Queiroz - PT-DF, e Marconi Perillo - PSDB-GO), cinco deputados e das operações da empreiteira Delta fora do Centro-Oeste. Criada há um mês para investigar o empresário Carlinhos Cachoeira e seu relacionamento com autoridades como o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), a CPI até agora não ouviu nenhum dos políticos envolvidos no caso. A CPI aprovou ontem (17/05/12) 87 requerimentos, dos quais apenas um busca informações sobre a ligação entre Demóstenes e Cachoeira”.

 

Que vergonha! Que afronta à opinião pública! Que desrespeito para com o povo! Trata-se de um pontapé na cara dos eleitores. Estamos diante de uma CPI descaradamente corrupta. Reparem até onde chega a desfaçatez de políticos e governantes. “O acordo que engavetou os pedidos de investigação (...) foi costurado com a participação do governo. A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, tem orientado o relator da CPI, deputado Odair Cunha. A ordem foi poupar a Delta, que tem dezenas de contratos com o governo federal e os estados, em troca da não convocação do governador Marconi Perillo (PSDB-GO)” (Folha de S. Paulo, 18/05/12, p. A4). Que mesquinhez! Que falta de dignidade!

 

A situação da Delta é bem diferente da que foi apresentada pela CPI. “Laudo da Polícia Federal revela que a empreiteira Delta enviou dinheiro a partir de agências bancárias no Rio a empresas de fachada no Centro-Oeste. Os pagamentos foram feitos via contas com o CNPJ nacional da Delta”. Isso “mostra que a empresa não permitia operações financeiras sem o conhecimento da matriz” (Ib., 20/05/12, p. A9).

 

Infelizmente, de forma desrespeitosa e arbitrária, a CPI escolhe, entre os suspeitos de corrupção, quem vai ser investigado ou não e restringe a apuração a auxiliares de Cachoeira (já investigados pela PF). A corda sempre arrebenta do lado dos mais fracos. Os maiores corruptos continuam impunes e, hipocritamente, se apresentam em público como “pessoas de bem”. Vejam mais um exemplo ilustrativo da podridão que existe nos bastidores da política. Na sessão da CPI na qual foram engavetados “vários pedidos de convocação de gatos gordos da política”, o deputado federal Cândido (que candura!) Vacarezza (PT) enviou o seguinte SMS para o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB): "A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe você é nosso e nós somos teu (sic)" (Ib., 19/05/12, p. A3).

 

Trata-se de uma cultura de corrupção (que, na realidade, é uma falsa cultura), sistêmica e estrutural. Trata-se da prática política do toma lá, dá cá; da prática política da barganha, sem nenhuma preocupação com o humano e o ético. E tem mais: muitos desses políticos e governantes se declaram católicos ou evangélicos e freqüentam toda semana a missa ou o culto dominical. São os fariseus do nosso tempo. Bem profetizou Jesus, quando disse: “Ai de vocês doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e podridão! Assim também vocês: por fora parecem justos diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça” (Mt 23, 27-28).

 

Realmente, não dá para acreditar que, em pleno século XXI, exista tanta bandalheira na vida pública. Enquanto isso persistir, pode-se criar a CPI, a CPI da CPI, a CPI da CPI da CPI e, assim, ao infinito, que nada de positivo vai acontecer.

 

Se a CPI do Cachoeira - que infelizmente já caiu no total descrédito - quisesse realmente cumprir o seu papel, deixar-se-ia nortear por um único critério: a suspeita de corrupção, venha de onde vier, doa a quem doer. Existe suspeita de corrupção, investigue-se. Não importa se o suspeito é deputado, senador, governador ou presidente. Os membros da CPI não devem ser tão mesquinhos e tão covardes de vender sua dignidade, atrelando-se a interesses de grupos de políticos ou de partidos.

 

O governador Marconi Perillo (PSDB), um dos beneficiados com o engavetamento dos pedidos de investigação, procura desviar as atenções para uma “agenda política positiva”, apresentada como se fosse um presente de um governante bom e preocupado com o sofrimento do povo, que mais uma vez é iludido.

 

Vejam o que diz a imprensa a respeito do governo do estado de Goiás. Pessoalmente fiquei boquiaberto. “Governo reage contra desgastes. Cúpula intensifica atividades em setores prioritários e prepara ‘pacote de bondades’ para os próximos dias”. Parece que os governantes não entendem (ou - o que é mais provável - fingem não entender) que não se trata de ‘pacote de bondades’, mas de ‘pacote de obrigações’. Eles são simples administradores (muitas vezes, maus administradores) do dinheiro público, que é dinheiro do povo, e não estão fazendo nenhum favor.

 

O ‘pacote de bondades’, chamado de Programa de Ação Integrada - PAI (semelhante ao Programa de Aceleração do Crescimento - PAC, do governo federal), foi proposto pelo governador Marconi Perillo (que pai, hem!) e consiste no seguinte: “Passe Livre Estudantil, programa Cheque Mais Moradia, transferência de recursos para reforma de escolas, data-base para os servidores e negociações salariais com professores e delegados”.

 

Por que será que o “PAI” - embora o governo afirme que já estava previsto - foi lançado somente agora, quando pairam fundadas suspeitas de corrupção sobre o governo do estado de Goiás? Por que será que, nestas últimas semanas, o estado de Goiás está tão preocupado com o anúncio “de ações e benefícios em setores considerados prioritários ou nos quais há maiores arranhões da imagem do governo” (O Popular, 20/05/12, p. 12)? Será que o governo pensa que o povo é bobo?

 

Diante de tanta maracutaia na vida pública, não podemos ficar indiferentes e omissos. “Urge caminhar, criando espaços e estruturas que, num primeiro momento, apresentem a prática do novo e, num segundo momento, criem a consciência de que fazer acontecer este novo não só é necessário, mas possível. E tal demonstração de que o novo é possível e fruto de um agir ordenado é necessária para a mobilização pela superação da apatia e da consciência ingênua daqueles e daquelas que precisam se colocar como sujeitos construtores do novo. A prática construtiva do novo agir, de novas estruturas, contribui para o crescimento da consciência crítica. É um dos caminhos que levam à construção de um Estado verdadeiramente democrático, uma verdadeira ‘res-pública’” (CNBB. Documento 91: Por uma Reforma do Estado com Participação Democrática. Brasília, Edições CNBB. 2010, N. 76).

 

Frei Marcos Sassatelli, frade dominicano, doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP), é professor de Filosofia da UFG (aposentado). E-mail: mpsassatelli(0)uol.com.br

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Última atualização em Sábado, 26 de Maio de 2012
 

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