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ISSN 1983-697X

Editorial

Uma decisão infeliz no Supremo


Aceitando a alegação de cerceamento de defesa, o STF anulou a decisão do Júri que condenou o mandante do assassinato da freira norte-americana Dorothy Stang, julgamento este realizado em 2.005. O advogado do réu alegou cerceamento de defesa, porque teve “apenas” doze dias para examinar os autos.  

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Desculpe qualquer coisa! Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Perissé   
Terça, 22 de Maio de 2012

 

Uma frase constantemente ouvida no Brasil: “Desculpe qualquer coisa!”.

 

Alguém lhe presta um serviço. Um garçom, um motorista de táxi, uma faxineira, um porteiro. Quando vai se despedir, lhe diz: “Desculpe qualquer coisa!”. Você não estranha nada? Você concede o perdão sem saber o que está perdoando? Ou pergunta o motivo deste pedido?

 

Pede-se desculpa com naturalidade. E por “qualquer coisa”. Mesmo que essa coisa qualquer não tenha acontecido. O garçom não derrubou o prato sobre o cliente, o motorista de táxi não inventou roteiros mais longos e mais caros, a faxineira não escondeu o pó debaixo do tapete, e o porteiro estava lá, cumprindo suas tarefas. Porém, pedem desculpa.

 

Resquícios da escravatura? Escrúpulos? Medo de desagradar? Falta do que dizer? Carência de elogios e reconhecimento?

 

Nunca ouvi um médico, terminada a consulta ou depois da cirurgia, dirigir-se assim ao paciente: “Desculpe qualquer coisa”. Duvido que um empresário diga aos sócios e acionistas: “Desculpem-me qualquer coisa”. Jamais ouvi político em fim de mandato, no discurso de despedida, dizer: “Vocês, que votaram em mim, desculpem qualquer coisa!”.

 

Quem pede desculpas deve explicar a culpa que sente. Pedirei desculpas pelo atraso, por exemplo. Atrasei-me e quero desculpar-me. Não se trata de uma coisa qualquer, mas de algo bem concreto. O culpado sabe muito bem por que pede desculpas. E o prejudicado ou ofendido terá condições de aceitá-las ou não.

 

Perdoemos o perdoável, contanto que saibamos, com clareza e exatidão, o que vamos perdoar. Perdoar qualquer coisa é até perigoso. E se essa coisa qualquer for imperdoável?

 

No fundo, essa frase nasce do medo subserviente em que tantos foram deseducados. Ou talvez seja exatamente o contrário: esse pedido para que se desculpe “qualquer coisa” será forma genérica de extrema delicadeza no trato...

 

Compreendo o inespecífico “qualquer coisa”. Ficará ao gosto do perdoador definir o conteúdo. Outra hipótese ainda é que esse “qualquer coisa” nada seja! “Qualquer” está apenas no lugar do “nenhum”. Então, a frase será entendida de modo inverso: “Não fiz coisa qualquer de errado... mas desculpe qualquer coisa!”.

 

De qualquer modo, faço uma sugestão. Quando alguém lhe disser um humilde “desculpe qualquer coisa”, não deixe barato, responda sem dó: “Não, eu não vou desculpar qualquer coisa, mas desculpo esse seu injusto pedido de desculpas!”.

 

Gabriel Perissé é autor do livro O valor do professor (Autêntica Editora), Pesquisador do NPC – Núcleo de Pensamento e Criatividade - Site do autor: www.perisse.com.br

 
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