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Getulio Vargas e sua paixão paranaense Imprimir E-mail
Escrito por Léo de Almeida Neves   
Segunda, 07 de Maio de 2012
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Compromissado com a história, Getulio Vargas escreveu um Diário a partir da eclosão da Revolução de 30, em 3 de outubro. “Sinto que só o sacrifício da vida poderá resgatar o erro de um fracasso”, foram as palavras introdutórias do minucioso relato do movimento revolucionário até sua chegada triunfal ao Rio de Janeiro e a posse na chefia da nação, no Palácio do Catete, dia 3 de novembro. No dia 26 de novembro de 1930 assinou o decreto criando o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio.

 

O Diário inserido em 13 cadernos pequenos e grandes, guardados por sua filha Alzira e pela neta Celina, só foi publicado em 1995, pela Editora Siciliano e pela Fundação Getulio Vargas, em dois volumes, com prefácio de Celina Vargas. O número 1, com 575 páginas, vai de 1930 a 1936, e o 2º volume, com 477 páginas, de 1937 a 27 de setembro de 1942, quando Vargas ficou imobilizado por três meses após acidente de carro e deu por encerrada a feitura do seu Diário.

 

Os historiadores do futuro terão precioso material para interpretar essa fase que mudou para melhor os rumos do Brasil, garantindo a unidade nacional, lançando o Código de Minas, criando a Cia. Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional e o Conselho Nacional do Petróleo, fazendo a Marcha para o Oeste, editando a Consolidação das Leis do Trabalho, que até hoje perdura, e tantas outras realizações que transformaram o país agrário e atrasado em moderna nação industrial e progressista.

 

Todos os acontecimentos políticos e administrativos são escritos diariamente, tornando possível verificar a extraordinária capacidade de liderança de Vargas. A Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, a Assembléia Nacional Constituinte de 1933, a Intentona Comunista de 1935, o golpe do Estado Novo de 10 de novembro de 1937, o levante integralista de 1938, a entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial, tudo é divulgado em minúcias, envolvendo centenas de nomes de civis e militares.

 

Interessante mencionar que em 1936 Getulio Vargas teve o primeiro encontro com o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt, no Rio de Janeiro, de passagem para Bueno Aires, e manteve diálogo permanente com o estadista estadunidense, que visitou com Vargas as futuras bases militares do Nordeste, fundamentais para o abastecimento das tropas aliadas na África e na Europa.

 

Contrariando versões equivocadas, o Diário demonstra que Vargas sempre esteve ao lado dos Estados Unidos, o que valeu ao Brasil o apoio e fornecimento de equipamentos para a construção da Siderúrgica de Volta Redonda, marco de nossa emancipação econômica.

 

Enfrentando inimigos poderosos desde os comunistas aos integralistas e as oligarquias, Getulio tinha consciência dos perigos que corria, e assim colocou no seu Diário em 16 de outubro de 1938:

 

“Recrudescem os boatos de minha eliminação por um golpe de surpresa. Esta ameaça repetida não me impressiona, nem preocupa, trabalho em benefício do país. E se for eliminado a traição ou de surpresa? Não será um meio de sair dignamente da vida?”.

 

Até nisso, Getulio Vargas é inigualável. Não sei de político ou estadista universal que tenha escrito durante 12 anos um Diário contando fatos e nomes de tantos personagens civis e militares.

 

Verdadeiro, Getulio Vargas não se escusou de relatar uma paixão arrebatadora que o dominou aos 55 anos de idade. A personagem era a bela paranaense Aimée Simões Lopes, em solteira Aimée Sotto Maior Sá. Moça culta, falando quatro idiomas, casada com Luiz Simões Lopes, um dos melhores auxiliares de Getulio Vargas, Oficial de Gabinete, Diretor do DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público) e posteriormente organizador e presidente da Fundação Getulio Vargas.

 

Getulio Vargas em nenhum momento identifica o objeto de seu romance secreto. Eis seu Diário de 29 de abril de 1937:

 

“Saí à tardinha para um encontro longamente desejado. Um homem no declínio da vida sente-se, num acontecimento destes, como banhado por um raio de sol, despertando energias novas e uma confiança maior para enfrentar o que está por vir. Será que o destino, pela mão de Deus, não me reservará um castigo pela ventura deste dia?”.

 

Relacionamento impossível pelas circunstâncias, terminou em 31 de maio de 1938. Aimée se separou judicialmente do marido e mudou-se para Paris, e posteriormente se casou com o milionário norte-americano Rodman de Heeren. Ela faleceu em Nova York em 2006 aos 103 anos, e jamais falou a ninguém sobre o romance proibido.

 

O caso amoroso só se tornou conhecido pela publicação do Diário, e na época nada transpirou, embora Getulio Vargas tenha narrado em seu Diário de 7 de abril de 1938: “À tarde, novo encontro. Soube então que, por conversa telefônica transmitida a outra pessoa, comentavam-se no Rio os meus amores. Tenho dúvidas, à vista da leviandade do informante”. No dia anterior, 6 de abril, Getulio disse: “Foi um dia feliz. A vinda de um casal permitiu-me o encontro com a bem-amada, sofregamente desejado e bem aproveitado”.

 

Em 8 de abril de 1938, Vargas escreveu: “Novo encontro feliz. A vida se regulariza, trabalho com satisfação. Uma trégua às inquietações provocadas por esta paixão alucinante e absorvente que, encontrando a sua válvula normal de descarga, tranquiliza por momentos e constitui um motivo de exaltação para trabalhar e produzir. Sinto, porém, que não pode durar muito. Este segredo tem no seu bojo uma ameaça de temporal que pode desabar a cada instante”.

 

O assunto requer mais um artigo, no qual revelarei detalhes do romance que arrebatou Getulio Vargas e uma paranaense.

 

Léo de Almeida Neves é membro da Academia Paranaense de Letras, ex-diretor do Banco do Brasil e ex-deputado federal.

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