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Granier não viu o “Livro Branco sobre a RCTV”? (3) Imprimir E-mail
Escrito por José Carlos Moutinho   
Qui, 09 de Agosto de 2007
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Em “Granier não viu o Livro Branco sobre a RCTV? (2)”, destacamos a apropriada declaração da professora de História Virgínia Fortes (UFF), que sintetizou bem o que representa o cartel das televisões privadas na Venezuela, uma espécie de “mega-latifúndios da comunicação”, com seus tentáculos em outros setores da economia venezuelana. E a gritaria da imprensa brasileira, lembrou a professora, “na verdade se dá, pois elas têm o mesmo comportamento da RCTV. Todas as redes só apresentam a voz do capital”.

 

Vamos apresentar neste artigo como esses “mega-latifúndios da comunicação”, na Venezuela, estão organizados e a estreita ligação com empresas estrangeiras, o que dará ao leitor uma maior compreensão do porquê de tanta gritaria, que prossegue nos noticiários e artigos dos meios de comunicação do “império da mentira internacional” mundo afora. Os dados são do “Livro Branco sobre a RCTV”, que o diretor-presidente da RCTV, Marcel Granier, disse, no “Canal Livre” (01/07), não reconhecer e nem ter visto tal publicação. Vamos entender por que Granier trabalha com afinco em tentar passar para a opinião pública a imagem de um Hugo Chávez totalitário, no exercício da Presidência da República da Venezuela. Granier não quer confessar a colossal concentração de poder que têm as televisões privadas, sobretudo o oligopólio do qual faz parte (RCTV-Venevisión), que detinha 85% do espaço de radiodifusão.

 

A formação do cartel das redes privadas, consta no dossiê do Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação (MPPCI), produzido com a colaboração da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), que é o órgão regulador do setor e responsável pela outorga ou renovação (por tempo limitado) das concessões. O livro do MPPCI/Conatel destacou os dados da pesquisa de Gustavo Hernández, que no seu trabalho intitulado “Concentração da propriedade e poder dos traficantes do rádio e da televisão na Venezuela”, destacou os principais cartéis do referido espectro na Venezuela:

 

Organização Diego Cisneros (ODC)

 

Venevisión inicia suas atividade, em 1929, com uma empresa de transporte. Em 1961, com a compra da Televisa (atual Venevisión) (...) Se converteu em uma “holding” com tendência global e investimentos em diversas áreas econômicas, mas seu forte tem sido a indústria dos espetáculo, com lucros anuais de aproximadamente US$ 5 milhões. Tem participação acionária importante na Chilevisión (Chile), Caracol (Colômbia) e o Caribe (Caribean Communication Network), além da Venevisión. (...) É o maior acionista da cadeia estadunidense Univisión e da Galavisión, destinada ao público hispânico nos Estados Unidos da América do Norte (EUA). Criou a AOL Latin America em sociedade com a America On Line, um dos principais provedores de Internet (EUA). Controla o portal “El Sitio”, um dos mais visitados em língua espanhola.

 

A ODC detém em torno de 80 empresas na Venezuelana e no exterior, que abrangem os seguintes setores: transmissão, programação, produção e entretenimento, TV por satélite (entre elas Direct TV, dominante na América Latina), tecnologia e meios alternativos que usam tecnologia de ponta, produtos e serviços de consumo massivo, produtos e serviços corporativos, publicidade, recursos minerais e naturais, emissoras de rádio, empresas dublagem e pós-produção, entretenimento ao vivo, vídeos, telefonia celular e por satélite, entre outros.

 

Este grupo, continua o “Livro Branco sobre a RCTV”, é composto por Gustavo, Ricardo e Marion Cisnero Rendiles. A maioria das empresas pertencentes ao grupo não possui acionistas diretos, mas através de razões sociais, o que amplia o número de empresas concentradas.

 

No caso das empresas que operam na Venezuela, se situa sempre acima de 50% das ações. Por exemplo, a ODC possui mais de 50% do capital social da Venevisión (96,66%); Vene Music (100%) empresa produtora e distribuidora de discos; Saeca (100%), Gaveplast (58,97%) empresa ligada à Pepsi e Cerveza Regional; FISA (55,12%) empresa dedicada à produção e distribuição de cosméticos; Pizza Hut (50,32%), Summa (50,32%) e naquelas empresa onde não possui a maioria, estão associados com razões jurídicas estrangeiras, sendo que a ODC é uma estrutura oligopolizada com tendências globais. (...) Este grupo controla 47,5% do canal de sinal aberto VALE TV (...). [Este conglomerado empresarial] tem relação com consórcios e capitais estrangeiros dos quais a ODC é acionista. É o caso da Big Show Production, prprietária da Rodven Discos, Love Records, Cervejaria Regional, proprietária da Panamericana Beer; FISA; Taco da Venezuela; Saeca (transportes); Americatel; Gaveplast; Summa Sistemas e consórcios na área de mineração. No caso da FM Center, concessionária de um dos maiores canais de rádio da Venezuela, mesmo não aparecendo a ODC como proprietária, toda sua direção compõe parte do grupo Cisneros. O que permite intuir uma relação de propriedade e associação de capitais.

 

Empresas 1BC e RCTV

 

É o segundo maior grupo na indústria de rádio e televisão na Venezuela, em seu início de atividades era conhecido como Grupo Phelps. Suas origens remontam a 1920. Já em 1929, o grupo constituía sua primeira “holding empresarial”, o Sindicato Phelps. A incursão no setor das comunicações remontam a 1930, quando com apoio da RCA (empresa produtora de aparelhos radiofônicos que o Grupo Phelps distribuía exclusivamente na Venezuela) funda a 1Broadcasting Caracas (1BC) – mais conhecida como Radio Caracas Radio (RCR). A RCTV foi fundada posteriormente, em 1953.

 

Atualmente este grupo está conformado, principalmente, por Peter Bottome (principal acionista); Marcel Granier Haydon; Alicia Phelps de Tovar; Alberto Tovar Phelps e Guillermo Tucker Arismendi. Este grupo possui mais de 80% do capital social de cinco empresas que operam na Venezuela: RCTV (85,80%); 92,9 FM (87,60%); Radio Caracas Radio (RCR, com 81,75%); Recorland (100%); Línea Aérea Aereotuy (100%). Aquelas empresas onde o grupo 1BC não possui 100% das ações, estão associados com uma razão jurídica estrangeira, a Coral Sea Inc. A empresa Coral Pictures está localizada em Miami (EUA), sendo comercializadora exclusiva das produções da 1BC em nível internacional. Possui, com menas força, a mesma estrutura de concentração da propriedade e integração que a ODC.

 

Grupo Núñez, Zuloaga, Mezerhane & Ravell - Globovisión

 

Conformado, principalmente, por Luis Teófilo Nuñez Arismendi, Guillermo Zuloaga, Nelson Mezerhane e Alberto Federico Ravell, que possuem 89,90% do capital social do operador de sinal aberto Globovisión, o resto (10,20%) pertence à razão jurídica Monserrat S.A. Inicia suas operações em 1 de dezembro de 1994, é o primeiro operador especializado em informação na Venezuela. Este grupo está vinculado à outros setores entre eles o da imprensa escrita (Diario El Globo, que deixou de circular desde 2005).

 

Por outro lado, mantém relações de propriedade e vínculos com o setor bancário através do Banco Federal, tem interesses no setor turístico através da Ávila Mágica, em cuja direção aparecem alguns membros que formam parte deste grupo midiático. Não obstante, 100% das ações de Ávila Mágica, são propriedade da empresa estrangeira Humboldt Internacional Limited. À este grupo estão integradas algumas agências de publicidade, entre as quais se destacam: ARS Publicidade, DDB Venezuela Publicidad, Global Link, Grupo Grey, e Clepsidra, bem como acionistas ou em suas diretorias, todas estas relações se dão através da empresa Publinversiones.

 

Bloque De Armas – Meridiano TV

 

Conformado, principalmente, por Andrés, Armando e Martin De Armas Silva. Este grupo tem 100% do capital social do operador da TV Meridiano Televisión, operador de caráter exclusivamente desportivo.

 

O grupo possui outras empresas no setor das indústrias do entretenimento, onde a estrutura da propriedade detectada é a seguinte: revista Intimidades (11,05%); Venezuela Farándula (7,66%); Variedades (11,05%, revista La Fusta (11,05%), o restante do capital social destas empresas pertencem à razão jurídica estrangeira, Overseas Trading Investment S.A. À este grupo pertencem, também, os jornais Meridiano Deporte, a revista Too Much e a empresa editorial Primavera C.A., que imprime 29 revistas de variadas temáticas e de hipismo, assim como de textos escolares.

 

Grupo Imagen – La Tele

 

Conformado por Fernando Fraíz Trapote, Elias Tarbay Assad, Santiago Penzini Fleury, Jesús Caldera Oquendo, Alexandra Elena Bushel Aragot. Possui 100% do operador de TV de sinal aberto UHF La Tele, que iniciou suas operações em 1 de dezembro de 2002. No entanto, seu primeiro nome comercial foi Marte TV. Mantém estreita relação com a operadora por cabo Cablevión S.A. Devido ao fato das pessoas antes mencionadas terem pertencido à sua diretoria, apesar de que 100% das ações pertencerem à empresa estrangeira Telecom Trading Corporation, que se encontra vinculada à Airtel, que se supõe estreita relação com a Cablevisión e Airtel. No setor publicitário a empresa Vepaco está relacionada a este grupo devido ao fato das pessoas citadas fundirem com os diretores da mesma. Os cem por cento da participação acionária estão distribuídos entre as empresas Próxima Investment Inc. (17,99%); Imagen Publicidad (61,50%); Churari Inc. (20,50%). Detêem 75% do faturamento bruto do setor. As outras 97 operadoras de TV dividem o restante (25%).

 

O “Livro Branco sobre a RCTV”, demonstra, então, pelos dados aqui apresentados pelo MPPCI/Conatel, que foram coletados no terceiro trimestre de 2006, a altíssima concentração dos meios de radiodifusão por parte do cartel das televisões privadas na Venezuela.

 

O relatório do MPPCI/Conatel destacou, ainda, que apesar de distintas composições das diretorias acima apresentadas, a maioria dos prestadores de serviços televisivos privados apresentam diversas formas e empregam determinados formados, no entanto trabalham sob um mesmo padrão de conteúdo, se orientam pela ideologia dominante do “império da mentira internacional” (Fox/Murdoch).

 

O Grupo Camero – Televen Televen, destacou o dossiê, está integrado acionariamente por Inversiones Cuatro Treinta C.A., registrada no Estado de Guárico, a qual possui 94,49% do capital social e Marbrid Coporación, empresa localizada no Panamá e representada por Martin Nicolás Camero Álvarez, que possui os 3,51% restantes. Tem estreita relação com o jornal Quinto Dia, mas não foram encontradas outras vinculações ou associações com outras empresas de algum outro setor da economia venezuelana.

 

No próximo artigo (parte 4) veremos outros efeitos nocivos do monopólio dos meios de comunicação privados, apresentados pelo “Livro Branco sobre a RCTV”, que caracterizam bem o totalitarismo deles, e não do presidente Chávez, como quis passar Marcel Granier, em entrevista no “Canal Livre”.

 

 

José Carlos Moutinho é jornalista.

 

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