Privataria Tucana

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Nota da Redação: A resenha a seguir foi publicada originalmente na Revista de História da Biblioteca Nacional, patrocinada por órgãos de governo e editada pela Sociedade dos Amigos da Biblioteca Nacional (Sabin). Após melindrar políticos tucanos foi retirada do ar. Posteriormente, o jornalista que a assinou e mais um colega foram demitidos e até acusados de ter produzido e publicado o artigo, favorável ao livro, por conta própria. No entanto, ficaram inequívocas as pressões, incapazes, no entanto, de rebater e desmontar as denúncias desde a publicação do livro, de modo que tentam obstinadamente censurá-lo e retirá-lo do debate nacional. Portanto, pelas razões descritas, o Correio da Cidadania publica a resenha do jornalista Celso de Castro Barbosa.

 

“O jornalismo não morreu”


Privataria Tucana prova que a reportagem de investigação está viva e José Serra, aparentemente, morto

 

Engana-se quem imagina morta a reportagem de investigação no Brasil. Embora os jornalões, revistas semanais e emissoras de TV emitam precários sinais vitais do gênero, ele está vivíssimo, como prova A Privataria Tucana, livro do premiado repórter Amaury Ribeiro Jr.

 

Lançado em dezembro e recebido pela grande imprensa com estridente silêncio, seguido de críticas que tentaram desqualificar a reportagem e o autor, o sucesso do livro, já na terceira edição e no topo das listas dos mais vendidos, não se deve a suposto sentimento anti-tucano. Até porque os fatos objetivos relatados não poupam o PT. Não há santos na Privataria.

 

Com base em documentos oficiais, da CPI do Banestado e outros que o autor conseguiu em cartórios, Amaury torna pública a relação de dirigentes do PSDB e a abertura de contas no exterior de empresas de fachada, responsáveis pelo retorno ao Brasil do dinheiro sujo da corrupção. Dinheiro que voltou, naturalmente, limpo.alt

 

Muita gente deve explicações à Justiça que, nesse episódio como em outros envolvendo expressivos representantes da elite brasileira, move-se a passos de tartaruga. Ou simplesmente não se move. Pelo cargo que ocupou na época das tenebrosas transações, as privatizações da era FHC, José Serra, então ministro do Planejamento e depois duas vezes candidato à presidência, prefeito e governador de São Paulo, é quem tem a imagem mais chamuscada, para não dizer estorricada, ao fim da Privataria Tucana.

 

De origem humilde, o tucano paulista exibe patrimônio incompatível com os rendimentos de um político. Tudo em nome de sua filha, Verônica, que ao lado de Ricardo Sérgio, tesoureiro das campanhas de Serra e Fernando Henrique, emerge como principais parceiros do ex-governador no propinoduto que marcou a venda das empresas de telecomunicação.

 

Além de jogar uma pá de cal na aura de honestidade de certos tucanos, o livro de Amaury tem ainda o mérito de questionar, involuntariamente, a atuação da grande imprensa no país. Agindo como partido único, onde só é permitida uma única opinião, jornais, revistas e mídia eletrônica defenderam, com unhas e dentes, a privatização. O principal argumento era a vantagem que traria aos consumidores: eficiência e tarifas baixas por causa da concorrência. Passados mais de dez anos, o Brasil cobra tarifas de telefone das mais altas do planeta e as concessionárias são campeãs de reclamação nos Procons.

 

Não bastasse, ao ignorar o lançamento do livro, a imprensa hegemônica mostra sua face semelhante à dos piratas: um olho tapado, que nada vê, e outro atento à movimentação dos adversários.

 

Ficha técnica:

 

Título: A Privataria Tucana

Autor: Amaury Ribeiro Junior

Editora: Geração Editorial

Ano: 2011

Páginas: 344

Preço: R$ 34,90

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