Um festival de mentiras

 

Dói no peito dos que conhecem a História o espetáculo levado a cabo pelo PC do B via rede Globo. No Brasil, nunca se teve tradição marxista. Após a Revolução Russa, alguns anarquistas passaram a se interessar pelo socialismo científico. Em 1920 um minúsculo grupo organizou a revista Movimento Comunista.

Em 1922, nove membros dessa revista fundaram o PCB. Aceitaram as 21 condições da Terceira Internacional, o seu hino e sua bandeira. Já em 1928 o VI Congresso da Internacional procedeu uma virada política de 180 graus no programa comunista.

 

Os teóricos da Internacional impuseram linhas políticas para todos os países e proclamaram a estúpida tese da “construção do socialismo num só país”.

 

No que coube ao Brasil, Moscou, sem nenhum conhecimento, proclamou que se tratava de um país semi-colonial e semi-feudal e nessas condições o programa político deveria ser nacionalista e progressista, no sentido de abolir os restos feudais. Esta seria a primeira etapa, a etapa nacional-reformista, levada adiante em aliança com um suposto segmento da burguesia progressista. Somente após a conquista dessa etapa viria a segunda, a etapa socialista.

 

É verdade que, de forma equivocada, houve dois momentos em que esse partido se envolveu no caminho da luta armada sem abdicar do objetivo nacional-reformista. O primeiro foi em 1935, em torno de Luis Carlos Prestes, e sob a orientação de Moscou. Não passou de uma quartelada de alto custo político.

 

O segundo momento foi quando o PC do B, mecanicamente, tentou levar adiante a tese maoísta do “campo cercando a cidade” e se embrenhou pelas matas da Amazônia, onde muitos militantes valorosos foram massacrados, e viraram mártires do equívoco. Hoje, as coisas tornaram-se muito piores.

 

O velho PC do B, que jamais conheceu o marxismo, na caduquice de quem completou noventa anos, escolhe o plenário do Senado da República para festejar o seu aniversário como fiel servidor do capitalismo e parceiro político de figuras como Sarney e tantos outros próceres da direita. É triste.

 

Gilvan Rocha é militante socialista e membro do Centro de Atividades e Estudos Políticos.

Blog: www.gilvanrocha.blogspot.com

Comentários   

0 #5 E demais Stalinistas e adeptos do "Centralismo Democrático"Para o Lucio Jr... 10-04-2012 03:28
http://www.gilvanrocha.blogspot.com.br/p/revolucao-russa-uma-vitoria-mal.html
Citar
0 #4 Essa crítica é injustaLúcio Jr 08-04-2012 17:04
Essa crítica é injusta, Gilvan.

O antigo PC do B foi o primeiro partido comunista do Brasil, precursor dos atuais Pc do B, PCB, PCML e PCR.

O apoio a Stálin e Mao se justifica. Hoje pesquisas em fontes primárias mostram que Kruschev mentiu e Trotsky colaborou com os nazis.

O PC do B de hoje importante em muitas lutas, teve erros, mas o apoio ao governo Lula de hoje é o pior de todos.

Abs do Lúcio Jr.
Citar
0 #3 RE: Um festival de mentirasAluizio Moreira 06-04-2012 20:21
Só falta esclarecer: qual Partido Comunista?
Historicamente, o atual PC do B que hoje faz parte do Governo, foi fundado em 1962, numa reunião em separado da maioria do Congressistas, por não concordarem com a mudança de nome e programa do agora Partido Comunista Brasileiro (PCB). Os dissidentes do ex-PCdoB fundado em 1922, resolveram criar um Partido Comunista e retomaram a antiga sigla: PC do B.
Citar
0 #2 comunistasjose ernesto grisa 05-04-2012 12:19
Gilvan Rocha deveria usar os teus comentários de forma didática e resgatar a verdadeira história dos comunistas no Brasil. O PCdoB foi fundado em 1962, que faz 90 anos é o Partidão (PCB)com seus erros e acertos, que está em processo de reconstrução revolucionária, embora o grande sábio socialista além de não ter nenhum conhecimento, mas tem com certeza a luz da "verdade".
Citar
0 #1 com essa esquerda, nãofelipe puxium 01-04-2012 22:37
quem tem essa esquerda, não precisa de inimigos de classe
Citar

Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.

Relacionados