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Produção camponesa e “agro-social” em direção ao socialismo Imprimir E-mail
Escrito por Antonio Julio de Menezes Neto   
Sexta, 30 de Março de 2012
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Em agosto de 2012, escrevi artigo aqui no Correio da Cidadania, no qual defendia que a reforma agrária tradicional não mais serviria para a construção de novas relações sociais no campo e nas cidades (Para além da Reforma Agrária).

 

Neste artigo dizia que no período pré-64 a defesa da reforma agrária era fundamental para o combate ao latifúndio improdutivo e, neste sentido, setores interessados em construir novas relações sociais se empenharam na luta por tal reforma. Foi o caso da Ligas Camponesas, dos comunistas e mesmo de setores das igrejas, além da parte de partidos políticos, como setores da esquerda do PTB.

 

No período militar, o Brasil conheceu a famigerada “modernização conservadora”, em que houve crescimento na economia sem a conseqüente melhoria social. Pelo contrário, tivemos arrocho salarial, incentivo à migração campo-cidade e ditadura. Tais políticas geraram o agronegócio, que vem sendo quase que a “política oficial para o campo” de todos os governos pós-ditadura.

 

Lula trazia uma esperança de mudança, mas transformou a luta camponesa em “política social” e continuou dando todo o apoio ao agronegócio. Neste sentido, a reforma agrária tradicional deveria ser repensada pela esquerda, até porque o capitalismo não está mais merecendo os créditos das reformas.

 

Como poderíamos analisar este novo momento? O Brasil tornou-se uma das maiores economias capitalistas do planeta. Assim, não mais precisamos ver nos objetivos para a reforma agrária o “aumento da produtividade no campo”. Não mais necessitamos “desenvolver forças produtivas” e nem precisamos de “mais capitalismo”. Pelo contrário, precisamos “de menos ou de nenhum capitalismo”. Assim, o momento seria de colocarmos a questão agrária objetivando o embate com a sociedade do capital, visando começar a construção de uma sociedade socialista.

 

Mas temos uma economia capitalista que se apóia no agronegócio. De acordo com dados do IBGE (2011), o agronegócio representa 22,74% do PIB nacional e, enquanto a economia nacional se expandiu em 2,7% como um todo, o agronegócio expandiu-se em 5,73% em 2011. E temos de considerar que o agronegócio mantém uma atividade agrícola direcionada para a exportação, o que agrada, e muito, os governos capitalistas brasileiros. Diante deste quadro, pontuo algumas lutas para a articulação da esquerda, visando o enfrentamento com o capitalismo agrário:

 

1)                No campo político, perder todas as ilusões com os governos petistas. Inclusive a ilusão de “governos em disputa” ou “governos de composição contemplando direita e esquerda”. Os governos petistas se mostraram, até o momento, totalmente enquadrados pelo agronegócio e, portanto, a esquerda deve se unir na oposição a estes governos. Também devem ser abandonadas as ilusões de que seria possível a organização popular sem desmistificar estes governos.

 

2)                Reconhecer a existência do trabalhador assalariado no agronegócio e buscar alianças políticas com estes trabalhadores e os camponeses. Lembremos que, nos anos 1980, os chamados “bóias-frias” da cana tiveram importante papel político levando adiante greves históricas, ajudando a pôr fim à ditadura moribunda. Estes trabalhadores estão hoje bastante “invisíveis”.

 

3)                Defender o trabalhador camponês, não apenas com políticas sociais e bolsas, mas como um importe segmento social e econômico para o país como um todo. Não devemos apenas mostrar dados quantitativos, mostrando o quanto este trabalhador seria produtivo para produzir alimentos que consumimos no dia-a-dia, pois estes dados não mostram as dificuldades que este trabalhador enfrenta para produzir. Estes trabalhadores devem ter direito às tecnologias apropriadas e eficientes para que seu trabalho se torne mais produtivo e menos penoso. Deve usufruir do desenvolvimento da ciência e da tecnologia e não temer a modernização. O camponês deve produzir em larga escala, mas sua produção não pode se basear na extração da mais-valia absoluta por parte da sociedade do trabalho camponês. Ou seja, mais-trabalho a preços menores. O cooperativismo deve ser a base do trabalho camponês.

 

4)                As universidades e os institutos de pesquisa devem ser incentivados a desenvolverem pesquisas visando a produção agropecuária mais saudável, inclusive ouvindo a experiência dos agricultores. Assim, com o desenvolvimento da agropecuária ecológica, gradativamente os agrotóxicos serão eliminados. Todo o monopólio por parte da produção das sementes deve ser eliminado e proibido. Os governos, os movimentos sociais e políticos devem garantir o enfrentamento aos monopólios e grandes empresas.

 

5)                As populações indígenas, quilombolas e outras populações tradicionais devem ter suas terras demarcadas e suas culturas preservadas, se assim desejarem. O Brasil tem muita terra e estas legítimas demandas devem ser contempladas.

 

6)                O agronegócio deve ser gradativamente eliminado na sua forma atual. Mas, ao mesmo tempo, deve ser reaproveitado de outra forma, talvez um “agro-social”. Ou seja, deve-se eliminar a monocultura, incentivar a produção em larga escala da agropecuária saudável e sementes para o consumo interno. Estas propriedades devem ter o seu tamanho limitado. O alimento deve ser considerado bem essencial (mais do que o petróleo, por exemplo) e gradativamente estas unidades produtivas devem ser estatizadas. Teríamos assim, a convivência social do camponês e das produções sociais em larga escala. As experiências revolucionárias do século XX das “fazendas coletivas”, em seus erros e acertos, devem ser estudadas.

 

7)                Educação, cultura e lazer devem ser ampliados na perspectiva do trabalhador do campo. Não em oposição às cidades, mas integrados e respeitados em suas especificidades. O referencial do agronegócio não deve ser contemplado nestas questões.

 

***

 

Estas são questões iniciais que coloco para o enfrentamento do capitalismo no campo em seu atual estágio de desenvolvimento. Poderia colocar interrogação em algumas questões, mas deixo para o debate.

 

Antonio Julio de Menezes Neto é sociólogo, doutor em Educação e professor na UFMG.

Contato: antoniojulio(0)uai.com.br

 

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