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Como tantos previram, fracassou a tentativa de ‘trocar o regime’ de Assad Imprimir E-mail
Escrito por Patrick Cockburn   
Sexta, 30 de Março de 2012
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“A Síria não cairá (...) A idéia de o governo Barack Obama dos EUA dizer a Assad que faça as malas e ‘vá embora da Síria’ já nasceu morta, desde o primeiro vagido. E se Assad ficar onde está? O que fará Washington? Fará chover sobre ele os aviões-robôs tripulados à distância, até destruir Assad, Damasco, Aleppo, grande parte da Síria... sob o pretexto de que teria ‘responsabilidade de proteger’?!”

Pepe Escobar, “A Síria não cairá”, 12/8/2011*


“Bashar al-Assad não sairá. Não, pelo menos, agora. Não, provavelmente, por um longo tempo. Os jornais do Oriente Médio estão cheios de histórias sobre se Assad vive ou não seu ‘momento Benghazi’ – matérias quase invariavelmente enviadas prontas de Washington ou Londres ou Paris. Poucos na Região entendem como é possível que o ocidente veja tão mal e entenda tão pouco.”
Robert Fisk, “Bashar al-Assad não sairá. Não, pelo menos, agora”, 9/2/2012*

---

 

Fracassou a tentativa, que durou um ano inteiro, de ‘trocar o regime’ do presidente Bashar al-Assad. Há cerca de dois, três meses, o sucesso pareceu próximo, quando a oposição tomou alguns bairros de cidades importantes, como Homs e Deir el-Zour. Falava-se até de “zonas aéreas de exclusão” e intervenção militar.



Implantaram-se sanções econômicas severas contra a já precária economia síria. Dia após dia, jornais e televisões só faziam repetir que a pressão aumentava sobre Assad, e que estaria próxima a hora de trocar o governo em Damasco.



Nada disso aconteceu. Não acontecerá à Síria o que já aconteceu à Líbia. A mais recente ação internacional foi da União Européia (UE), que passou a negar à esposa de Assad, Asma, e à mãe dela, o direito de viajar por países da UE (mas Asma, que é cidadã britânica, continua podendo entrar e sair da Grã-Bretanha). Nada poderia ser mais eloqüente.



O secretário do Exterior, William Hague, diz que assim aumenta a pressão sobre o governo sírio, mas, de fato, só mostra que não tem meios para pressionar Assad. Impedir Asma de ir às comprar em Paris ou Roma – supondo que ela algum dia tenha manifestado tais desejos – só mostra o quanto os EUA, a UE e seus aliados no Oriente Médio estão sem alternativas, no que tenha a ver com Damasco.


“Ninguém está discutindo operações militares”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, semana passada. O Exército Sírio Livre, da oposição a Assad, perdeu as bases que conquistara na cidade de Homs, na província de Idlib, ao norte, e mais recentemente também em Deir el-Zour, no leste. Na terça-feira passada, soldados sírios, com apoio de blindados, chegaram, vindos dos quatro costados, a Deir el-Zour, que fica a cerca de 100 km da fronteira com o Iraque, obrigando as milícias da oposição a escafeder-se e procurar abrigo em casas e apartamentos, depois de rápida troca de tiros.

 

Com isso, tornou-se ainda mais difícil para o ocidente infiltrar armas pela fronteira iraquiana, a partir da província de Al-Anbar, predominantemente sunita. O rápido avanço do exército sírio, ali, contrastou com o sítio que a oposição manteve, durante quase um mês, ao distrito de Baba Amr, em Homs, durante o qual morreram centenas de pessoas e grande parte das construções ficaram reduzidas a ruínas. Arábia Saudita e Qatar divulgaram festivamente que estavam armando a oposição síria. Hoje, já não há sinais de que estejam fazendo isso.



O que saiu errado, para os que pregavam rápida ‘troca de regime’ na Síria? De modo geral, pode-se dizer que superestimaram a própria capacidade, e levaram demasiadamente a sério a própria propaganda.



Desde janeiro, tudo que fizeram foi louvado em todo o mundo como justa intervenção militar internacional, ou como convincente possibilidade de vir a sê-lo. Mas deixou de ser qualquer coisa semelhante a isso a partir de 4/2/2012, quando Rússia e China vetaram resolução do Conselho de Segurança da ONU apoiada pela Liga Árabe que conclamava Assad a deixar o poder.



A experiência de EUA, UE, OTAN e estados árabes do Golfo na derrubada de Muammar Kadafi acabou por ser má conselheira quando se tratou da Síria. Isso, precisamente, é o que revolucionários e contra-revolucionários vêm aprendendo ao longo dos séculos. O que dá resultados num local é muitas vezes receita de desastre em outro. E há também o problema da interpretação errônea do que foi feito na Líbia.



Quem assiste à rede de televisão al-Jazeera terá a impressão de que uma heróica milícia rebelde derrubou um tirano. No entanto, a vitória militar na Líbia só foi possível graças aos ataques aéreos da OTAN. As milícias armadas locais, na Líbia, nunca passaram de frágil força de ocupação, que só aparecia depois que os ataques aéreos abriam caminho (a mesma receita que foi aplicada no Afeganistão em 2001 e no Curdistão iraquiano em 2003).



Na Síria, as condições sempre foram completamente diferentes. O regime tem um núcleo radical apoiado na comunidade alauíta. Tem exército forte e bem organizado, tem forças de segurança. Praticamente não houve deserções nem nos altos níveis nem nos escalões inferiores do exército sírio. As forças que apóiam Assad entenderam que teriam de lutar até o fim e estavam preparadas para resistir contra quem se interpusesse no caminho. Sanções econômicas não preocuparam o regime, porque ditaduras têm pleno controle dos recursos, mesmo quando reduzidos em quantidade. Com o prolongamento dos confrontos, Assad perdeu, cedo, o apoio de grande parte da comunidade empresarial síria.



Atualmente, a militarização do conflito já não ameaça gravemente o regime, no estágio em que está; é fator irritante, embora isso possa mudar caso a oposição faça, para o futuro, uma opção pela guerra de guerrilhas.



No início do segundo semestre do ano passado, parecia que Assad enfrentava a mais poderosa coalizão internacional jamais vista. Incluía Arábia Saudita e Qatar, EUA, União Européia e Turquia. O que se viu logo depois é que todos esses eram a favor de fazer-se algo em nome da democracia e de derrubar Assad... desde que algum outro fizesse (fosse lá o que fosse).

 

Falou-se muito sobre “paraísos seguros” que estariam sendo criados nas fronteiras de Jordânia e Turquia. Mas nem Jordânia nem Turquia mostraram sinais de entusiasmo para qualquer tipo de ação que, imediatamente depois, levaria a conflito armado direto contra a Síria. O rei Abdullah da Jordânia chegou a dizer que nada tinha contra os tais “paraísos seguros”, desde que se mantivessem bem longe da Jordânia. A Turquia refreou seus ardores democráticos anti-Assad logo que percebeu que acabaria envolvida num conflito regional entre xiitas e sunitas que levaria o Irã a atacar a Turquia, se preciso fosse, para defender seu aliado sírio.



A oposição síria fez o que pôde para dar ao mundo a impressão de o que foi feito na Líbia poderia ser reaplicado na Síria. Hoje estão sendo criticados pelas divisões internas, pela falta de comando; talvez não tivessem outra alternativa, além de tentar o que tentaram...



A militarização do conflito e a sectarização crescente favoreceram o regime de Assad, contra qualquer aspiração democrática legítima que a oposição acalentasse. E a sectarização não enfraquece só a oposição síria: ela também ajuda a enfraquecer a coalizão internacional contra Assad.


Em ano de eleições presidenciais, os eleitores norte-americanos não se preocupam muito com quem governe a Síria, mas preocupam-se muito com a Al-Qaeda.



Um dos motes de campanha de Barack Obama na campanha presidencial será apresentar-se como presidente cujo governo matou Osama bin Laden e manteve-se sempre focado, diferentemente do governo Bush, em vingar o ataque do 11 de setembro. A Casa Branca não quer que a Al-Qaeda dê sinais de vida. Por isso anda nervosa com o papel que aquela organização vai ganhando dentro da oposição a Assad, na Síria.

 


Semana passada, por exemplo, um grupo inspirado na Al-Qaeda e que se autodenominou Al-Nusra Front to Protect the Levant (Frente Al-Nusra para Proteger o Levante) declarou-se responsável por dois ataques de suicidas-bomba em Damasco, em que morreram mais de vinte pessoas. “O regime sírio tem de parar de massacrar os sunitas, ou pagará pelo pecado dos alauítas”, disse a Frente Al-Nusra em declaração distribuída em vídeo. “O que virá será mais amargo e doloroso, se Deus for servido”.


O regime sírio não cairá se não houver mudança radical no equilíbrio de forças. A indicação do ex-secretário da ONU Kofi Annan, como enviado da ONU e Liga Árabe para negociar a paz, nunca passou de manobra ocidental para esconder o fracasso da oposição a Assad e de seus aliados ocidentais.

 

* Epígrafes acrescentadas pelos tradutores.

 

Patrick Cockburn é jornalista e correspondente internacional, nascido na Irlanda.

Publicado originalmente em Counterpunch

Tradução do Coletivo de Vila Vudu.

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