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Escrito por Paulo Passarinho   
Sexta, 23 de Março de 2012
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Dilma Rousseff e Guido Mantega reclamam do tsunami financeiro, provocado pelas sucessivas emissões monetárias dos europeus para salvar os seus bancos. Os dirigentes brasileiros se preocupam com o processo de valorização do real frente ao dólar. Acham que a culpa vem de fora e especialmente da torrente de euros que as injeções de recursos financeiros, promovidas pelo Banco Central europeu, provocam, na medida em que uma parte dessa imensa massa de recursos procura oportunidades de aplicações em países como o Brasil.

 

Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq - Associação Brasileira da Indústria de Máquinas -, denuncia, por sua vez, o tsunami de importados, pois, com o dólar barato – conseqüência da maciça entrada de recursos estrangeiros no país e da inevitável valorização do real –, comprar bens finais, peças ou equipamentos no exterior passa a ser um melhor negócio do que produzi-los internamente. A resultante dessa história é a chamada desindustrialização da economia brasileira.

 

Dilma e Guido também têm com o que se preocupar com os “importados”: a velocidade com que as despesas com importações de bens evolui acaba por consumir boa parte das receitas de exportação do país, reduzindo o saldo comercial. Esse é um processo muito negativo para o Brasil. Com saldo comercial diminuto, o prejuízo de nossas transações com o exterior se amplia. Além de vender e comprar mercadorias no estrangeiro, o Brasil tem um enorme e crescente prejuízo com os serviços transacionados pelo país. A remessa de lucros e dividendos, o pagamento de juros, fretes e de viagens impõem despesas muito maiores do que receitas obtidas por empresas e pelo setor público nessas rubricas.

 

Em 2002, por exemplo, o saldo comercial do Brasil foi de US$ 13,1 bilhões e a conta de serviços nos deu um prejuízo de US$ 20,7 bilhões. Isto implicou um déficit de nossas transações correntes de US$ 7,6 bilhões. Já em 2006, o saldo comercial alcançou a cifra recorde de US$ 46,5 bilhões – graças à demanda chinesa, principalmente. Resultado mais do que importante, pois a conta deficitária de serviços já havia naquele ano alcançado US$ 32,9 bilhões (crescimento de 58,9% em relação a 2002). Apesar, portanto, da conta crescente e negativa dos serviços, ficamos no “azul” em nossas transações correntes com o mundo.

 

Esse comportamento das contas externas do país, ao longo do mandato de Lula, ao menos até a crise de 2008, foi importante. A margem de manobra do governo se ampliou e o país passou a apresentar taxas de crescimento um pouco melhores do que no período de FHC. Com um pouco mais de crescimento, o aumento da arrecadação fiscal permitiu a ampliação dos recursos destinados aos programas de transferência de renda aos miseráveis (“cuidar de pobre é barato”, segundo Lula), deu continuidade à política de reajustes reais do salário mínimo, com importante impacto também no valor do piso previdenciário e, principalmente, viabilizou a redução dos custos de captação de recursos externos, por bancos e empresas brasileiras.

 

Aproveitando-se do diferencial da taxa de juros e da melhor condição de risco do Brasil, pegar dinheiro lá fora e aplicar aqui no Brasil virou um grande negócio. A ampliação do mercado de crédito no país, por exemplo, em boa medida foi possível graças a essa situação das nossas contas externas.

 

Os dividendos políticos capitalizados pelo governo foram imensos. Apesar do vertiginoso crescimento do endividamento do país, provocado por esse modelo econômico, os resultados obtidos são superlativizados – especialmente pela mídia dominante, defensora arraigada da política econômica. Endividamento da União, através da dívida pública; endividamento externo – em dólares e euros - de empresas e bancos; e endividamento das famílias, com crediários e outras formas de financiamento.

 

Crescimento econômico pífio, em comparação com os países da América do Sul e os ditos emergentes; deterioração espantosa dos serviços públicos ou a patente incapacidade das instituições políticas de darem respostas a problemas estruturais do país – da corrupção endêmica à Justiça que somente alcança aos ricos, com raríssimas exceções – parecem ser problemas inexistentes.

 

O problema é que tudo indica que esse transe em que nos encontramos terá um fim. A crise de 2008, longe de ser uma marolinha, mudou completamente aquele quadro de uma melhor situação das contas externas do país.  O saldo comercial despencou e o déficit da conta de serviços chegou, agora em 2011, a mais de US$ 82 bilhões.

 

O país volta a depender dos recursos especulativos dos estrangeiros e da venda de ativos ao capital externo para fechar as nossas contas externas. Por isso, as reclamações de Dilma ou de Guido devem ser relativizadas. Com relação ao presidente da Abimaq, suas reclamações são mais do que justas. De fato, com a inevitável entrada de produtos importados, finais ou intermediários, dada a valorização do real, o processo em curso acarreta não somente desindustrialização, mas uma - mais forte, ainda - desnacionalização do parque produtivo do país.

 

O grande dilema é que Dilma e Guido são reféns políticos do modelo econômico dos bancos e das transnacionais, afinal, os principais fiadores do badalado governo Lula e da própria eleição da primeira presidente do Brasil. As mudanças, por exemplo, para deter o processo de valorização do real – que vêm de longe, diga-se de passagem –, são muito limitadas e sempre atrasadas. Para o presidente da Abimaq, seus problemas são mais complexos. Conforme ele mesmo já admitiu, seus pares, empresários, conhecem muito bem o setor, possuem estruturas logísticas de comercialização de máquinas e equipamentos no país muito bem estruturadas, e não encontram muitas dificuldades em vender bens importados pelo país afora. Se não bastasse, ainda têm a alternativa de aplicações financeiras muito bem remuneradas pelo mercado financeiro, alimentadas e respaldadas pelo negócio da dívida pública.

 

Resumindo: com o pacto político que viabilizou o modelo econômico da abertura financeira e comercial do país, e que reúne políticos que vieram da esquerda e se somam à velha direita, e com o decisivo apoio de bancos, transnacionais e da mídia dominante, fica muito difícil acreditar em mudanças substantivas, necessárias, mas, até o momento, inviáveis.

 

Paulo Passarinho é economista e apresentador do programa de rádio Faixa Livre.

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Última atualização em Quarta, 28 de Março de 2012
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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