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Sem uma esquerda partidária forte, para onde vai o mundo? Imprimir E-mail
Escrito por Milton Temer   
Quarta, 07 de Março de 2012
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É a questão fundamental de nosso tempo. Para onde caminha a humanidade com a forma predatória e anti-social com que se afirma de forma crescente e acelerada a hegemonia do grande capital financeiro? Com a forma como se afirma a perversidade das austeridades fiscais que sufocam homens e mulheres dependentes de seus empregos e salários com a mesma intensidade com que se transferem recursos públicos infindáveis para os cofres dos que mais responsabilidade têm na geração do caos econômico dos tempos atuais?



O desabafo vem por conta do artigo produzido por um dos yuppies do nosso "livre mercado", Rodrigo Constantino, em artigo produzido no Globo de hoje (dia 6 de março). Ali ele faz - por via indireta, numa espécie de resenha de um livro típico das bibliotecas "neocon" das organizações fundamentalistas norte-americanas - a apologia da "liberdade individual" absoluta. E o faz, ao fim e ao cabo, através da condenação de um princípio inscrito na Revolução Francesa, ao consolidar o poder burguês contra o absolutismo que marcava o regime monárquico anterior. Faz assim transformando a preocupação com o social em marca do autoritarismo; negando a fraternidade como um objetivo a alcançar numa sociedade humanisticamente avançada. A valorização da solidariedade seria uma forma de garantir os incompetentes contra os mais produtivos...



O trágico nisso tudo é que o anseio de restabelecer a ordem natural - a chamada lei da selva em que o predador mais forte consome o mais débil - como modelo social vem se espraiando rapidamente. Faz sentido, na lógica predominante dos governos reacionários das principais potências capitalistas, eleitos em sufrágios universais,  e de seus formuladores na grande mídia conservadora. Mas é algo absurdo, se considerarmos o que representa de retrocesso no entendimento que o ser humanos só pode sobreviver dignamente em ambiente social regulamentado. Onde, no mínimo, se garanta a aplicação da Carta de Direitos que gerou a fundação da ONU. Afinal, foi essa a resposta que a humanidade encontrou como melhor antídoto ao advento da barbárie previsível caso tivesse prevalecido a vitória do III Reich nazista, na II Guerra Mundial.



É aí que se impõe a busca de solução ao desafio para as forças sociais que não aceitam esse retrocesso: com que roupa?, como indagaria o saudoso poeta da Vila.



O século XXI se marca pelo ceticismo e pela ausência de participação política daqueles que, no século XX, como segmento social, se engajaram na "assalto ao céu". Os que viram perto a conquista de uma certa utopia, nos processos revolucionários que se iniciaram na Rússia e chegaram a Cuba. Na solidariedade às lutas antiimperialistas na Ásia e na África. Na integração com a vaga anticapitalista e anunciadamente transformadora do 68, na Europa e nas Américas (inclusive nos Estados Unidos, com os Black Panters e as revoltas universitárias). Ceticismo e ausência de participação, ambos cronologicamente instalados com a auto-dissolução da União Soviética e com os descaminhos dos outrora heróicos processos libertários na China e no Vietnam. E que, se encontram atualmente alguma variável mais otimista com a sobrevivência de Cuba e com o surgimento dos governos bolivarianos na América Latina, se defrontam com a ascensão de uma direita radical que consegue amplas vitórias institucionais, a despeito de alguns suspiros movimentistas, sem maiores condições conclusivas, nos principais países capitalistas.



O povo grego está nas ruas. Mas, nas instâncias deliberativas do Parlamento, social-democratas se rendem a uma aliança com a direita fascista na submissão aos ditames da chanceler Merkel. Que consegue, pela opressão financeira e a cumplicidade das classes dominantes dos países europeus, instalar o Reich sonhado por Hitler, com a Gestapo e os campos de concentração.



"Indignados" jovens ocuparam praças da Espanha, mas não conseguiram impedir que seus pais elegessem um primeiro ministro, com maioria reacionária absoluta no Congresso. É o general Milan Astray voltando a se impor a Unamuno, numa nova derrota da República contra o franquismo.



Com que roupa, volta a pergunta, reagimos?



Só há uma saída, e ela tem que ser construída a partir do entendimento sobre o pólo unificador das esquerdas anticapitalistas na determinação do sujeito histórico revolucionário de nosso tempo, assim como de seus instrumentos de combate político mais eficazes.



É possível reproduzir o século XX e suas circunstâncias? Certamente que não. É possível pensar em processos insurrecionais, a partir do movimentismo espontâneo? Certamente que não. Na Primavera Árabe, não foram os insurgentes progressistas que receberam armas e ajuda da OTAN e dos Estados Unidos, nem recursos e mercenários da Arábia Saudita e do Quatar. Pelo contrário.



As classes trabalhadoras, o segmento produtivo que vive de seu salário, se encontram fragmentadas em torno de diferenças materiais objetivas, no chamado Ocidente. O próprio avanço tecnológico, com predominância do caráter sagrado da propriedade privada sobre a sua função social, produziu o esvaziamento das linhas de montagem e, por conseqüência, dos próprios sindicatos. Graças à "livre circulação", promovida pela contra-revolução Reagan-Tatcher, indústrias de ponta são transferidos para regiões do mundo onde o trabalho escravo é alternativa de sobrevivência à miséria absoluta. O que transforma antigos núcleos operários, votantes da esquerda oficialista ou comunista, em bastiões da xenofobia anti-imigração, e caldo de cultura para o neonazismo.



O quadro não deixa dúvidas quanto à Europa estar muito mais para anos 30 do que para o pós-II Guerra Mundial.



O que cabe à esquerda sobrevivente, a que não se rendeu nem se vendeu, é mergulhar nas potencialidades fragmentadas que a nova conjuntura impôs. Se não temos os grandes meios de comunicação de massa, temos que ir para as redes sociais. E, a partir delas, consolidar os partidos revolucionários em âmbito nacional, com permanente relação internacional. Dar rumo e política à indignação das ruas, mas sem desprezar - pelo contrário, tentando recuperar o espaço - a batalha institucional das urnas. Uma batalha que não pode se limitar a responder à pauta minimalista que a grande mídia conservadora tenta impor. Uma batalha que fundamente a necessidade essencial da desconstrução do regime capitalista com saída única para que a humanidade não mergulhe no caos irreversível da barbárie autodestrutiva. Consolidando as lutas dirigidas - ambientais, anti-raciais, feministas -, mas sem desvinculá-las da visão universal do embate entre classes sociais. Uma feminista de direita pode ser inimiga mais perigosa do que um patrão. Estão aí Thatcher e Merkel para comprovar. Malcom X já comprovava que a luta pela igualdade racial abrigava muito de falacioso, que não unia a luta pela liberação dos negros à condenação do regime capitalista. E os "verdes" europeus - CohnBandit, como exemplo maior, em seus votos no Parlamento continental - estão aí para provar, com reforço dos nossos, que lutar contra o ambiente termina propiciando rendosas alianças com o grande capital.



A esperança não pode falecer, mesmo que tudo leve a dela nos desligarmos. Depende de nós e recorro aqui ao episódio final do "Fahrenheit 451", obra-prima de Truffaut. Do que tratava o filme? De uma cidade onde o corpo de bombeiros existia para incendiar bibliotecas. Para, portanto, apagar o fogo das idéias e manter o status quo. A "ordem constituída" conseguiu muito, mas não tudo. Na última cena, num acampamento de refugiados clandestinos, um homem caminha declamando Dom Quixote, para que a criança que levava pela mão, repetindo, não deixasse morrer a memória do texto para as gerações seguintes. Venceu, pelo menos até agora, à sua forma.

 

 

Milton Temer é jornalista.

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Última atualização em Qui, 08 de Março de 2012
 

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