Preservar a memória

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“A memória abre expedientes que o direito considera arquivados” (Walter Benjamin).

O Brasil viveu 21 anos (1964-1985) sob ditadura militar. A esdrúxula Lei da Anistia pretende colocar uma pedra sobre as atrocidades cometidas naquele período contra os que lutavam por liberdade e democracia. E há escolas e universidades que ainda ignoram o terrorismo de Estado vigente no Brasil ao longo de duas décadas.

No entanto, as vítimas não se calam. Não admitem clandestinizar a dor de seu sofrimento e a de tantas famílias de mortos e desaparecidos. Segundo Primo Levi, sem memória da injustiça não há justiça possível.

No momento em que o governo Dilma Rousseff aprova a Comissão da Verdade é preciso lembrar que funciona em São Paulo o Núcleo de Preservação da Memória Política. Surgiu em 2007, no contexto das atividades do Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo, fundado para defender os interesses dos ex-prisioneiros políticos e perseguidos durante a ditadura.

Em 2008, logrou que o antigo prédio do DEOPS, no Largo General Osório, se transformasse em Memorial da Resistência. Desde então, promove ali os Sábados Resistentes. É o primeiro projeto museológico de memória no Brasil.

Em 2009, tornou-se uma instituição independente. Propõe-se a mobilizar pessoas interessadas na abertura dos arquivos da ditadura, preservar a memória das vítimas, incrementar a cultura de respeito aos direitos humanos, propiciar formação política às novas gerações.

Hoje, o Núcleo Memória é membro da Coalizão Internacional de Museus de Consciência em Lugares Históricos.

O objetivo do Núcleo Memória é preservar a luta pela liberdade e democracia; dignificar a história dos brasileiros que se empenharam nesse sentido; colher depoimentos e fontes documentais que permitam fortalecer o resgate histórico; e conhecer o passado recente da história do Brasil.

Empenha-se também em promover a recuperação dos lugares emblemáticos em que foram praticadas violações aos direitos humanos; realizar eventos culturais relacionados à resistência e à memória; exigir dos poderes públicos a preservação e divulgação dos arquivos existentes; valorizar os lugares simbólicos de atos da resistência democrática; participar de intercâmbios de experiências similares em outros países, em especial no MERCOSUL.

O Núcleo  integra o Conselho Consultivo do Projeto “Memórias Reveladas” do Arquivo Nacional.

Participe do Núcleo Memória: www.nucleomemoria.org.br Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., Av. Brigadeiro Luís Antônio, 2.344 – conj. 45 - São Paulo – SP – 01402-000. Tel.: (11) 2306 4801



Frei Betto é escritor, autor de “Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira” (Rocco), entre outros livros.

Website: http://www.freibetto.org/

Twitter: @freibetto

Copyright 2012 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Se desejar, faça uma assinatura de todos os artigos do escritor. Contato – MHPAL – Agência Literária (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

Comentários   

0 #2 Em tempo...Raymundo Araujo Filh 28-02-2012 09:53
O Núcleo Memória articula-se para promover o intercâmbio de experiências similares, em especial NÃO DO MERCOSUL, como escreve Frei Beto, mas sim com os países do CONE SUL, como são nomeados os países que sofreram a ação do Depto. de Estado dos EUA, e das ditaduras civil militares aqui instaladas.

MERCOSUL, Frei Beto diz respeito a um Projeto Comercial, que hoje é usado para desintegrar as forças produtivas do Brasil, em vez de fortalecê-las.

Será que o Frei Beto também "só pensa naquilo?", igual seus amigos do governo federal e do PT?

P.S.- Quero esclarecer que o reconhecimento do apoio de próceres do PSDB, na época que Serra era governador, ao Memorial da Resistência, é apenas para que não caiamos nos erros daqueles que criticamos, fazendo jus à história e quem participou dela.

Portanto não representa nenhuma aproximação com os citados, mas sim um afastamento a este jeito esquisito que o Frei Beto adotou para descrever a história, mostrando os fatos como foram e quem os promoveram.
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0 #1 Faltou dizerRaymundo Araujo Filh 24-02-2012 17:32
Talvez se Frei Beto tivesse comparecido, enviado mensagem ou procurado saber sobre a homenagem feita à Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo, no Memorial da Resistência, no emblemático dia 15 de Outubro próximo passado, com cerca de 500 pessoas presentes, saberia que lá foi dito pelo Neto do IIEP, por justiça à história e a quem a faz (para o bem e para o mal, além do mais ou menos...) que a transformação do DOPS em Memorial da resistência teve em João Sayad, então secretário de cultura do governo de José Serra e Aloysio Nunes (homem muito próximo do ex governador de São Paulo)TODOS figuras de proa do PSDB, como "incansáveis apoiadores do projeto" (de novo nas palavras do Neto do IIEP (gravada está esta locução), além da gestão do Museo não ter nenhuma interferência política.

Falar da História sem dar créditos para quem a ajudou a ser feita, é coisa horrorosa e fecha as portas do Céu, para os viventes, segundo eu aprendi...(morro de medo se o Céu existir eu não ter meu lugarzinho de Ateu/agnóstico por lá...).

A ausência de frei Beto ou de qualquer mensagem sua foi sentida e notada no dia do evento.

Aliás, Lula também não deu as caras por lá, no dia da inauguração e nem sei se passou por lá alguma vez. E se passou, pelo visto, não deu importância ao fato.

Lanço aqui a campanha para, aqui no Rio, transformarmos o antigo centro de torturas localizado nas dependências do quartel militar da rua Barão de Mesquita, na Tijuca (me dá arrepios só de lembrar) em nosso Memorial da Resistência carioca.

Entrego ao frei Beto a liderança desta articulação. Ou será que ele acha que "não é o momento de mexermos nestas coisas..."?
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